terça-feira, 26 de abril de 2011

JBS-FRIBOI

Após processo milionário, maior empresa do mercado aceita acordo contra comércio de carne ilegal


O frigorífico JBS-Friboi decidiu assinar nesta quarta-feira (27), em Rio Branco (AC), um acordo judicial se comprometendo com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado e Ministério Público do Trabalho.

A partir do acordo, que terá abrangência nacional, a maior empresa do mundo no setor de carne bovina assume o compromisso de não comprar, permutar, receber em doação, processar industrialmente, vender, ou doar produtos bovinos oriundos de áreas embargadas em decorrência de desmatamento e de exploração do trabalho escravo no Acre.

O TAC foi apresentado em março por procuradores e promotores de justiça durante audiência pública, mas os frigoríficos se recusaram a assiná-lo. Por causa disso, foi ajuizada uma ação civil pública de R$ 2 bilhões em multas e danos morais ambientais contra 14 frigoríficos e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).

A ação pede que o Ibama cumpra o dever de multar os frigoríficos, nos valores levantados durante investigação, ou seja, mais de R$ 1 bilhão, além de indenização por danos morais ambientais no mesmo valor.

A pecuária é a atividade econômica que mais desmata na Amazônia e a que mais se beneficia com o lucro advindo do trabalho semelhante ao escravo.

Investigação do MPF do Acre identificou que frigoríficos continuam comprando carne de fazendas que já sofreram embargos, o que é ilegal e gera multa de R$ 500 por quilo comercializado.

Durante a investigação, entre 2007 e 2010, o JBS-Friboi foi flagrado comprando carne de fazendas embargadas por danos ambientais e cujos donos respondem a processos por trabalho escravo.

A ação civil pública contra os frigoríficos que atuam no Acre vem sendo coordenada pelo procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes. Segundo o procurador, o frigorífico JBS é o que tem demonstrado maior disposição para o diálogo, preocupado em atender a legislação sem comprometer o empreendimento.

Reação

No Acre, onde nasceu e morreu o líder sindical e ambientalista Chico Mendes, políticos e o governo estadual tem criticado duramente a atuação dos procuradores e promotores de justiça. O governador Tião Viana (PT) acionou a Procuradoria Geral do Estado para defender os interesses dos pecuaristas e dos frigoríficos.

Os senadores Jorge Viana e Aníbal Diniz, ambos do PT, ocuparam a tribuna nesta segunda-feira (25) para criticar o Ministério Público Federal, Ministério Público do Estado e o Ministério Público do Trabalho.

- Adotou-se uma medida extrema, uma medida que tenta trazer de novo o medo para o Acre, o medo e a insegurança que o Acre, há muitos anos, superou - afirmou Viana, que evitou defender diretamente os frigoríficos e os pecuaristas da região.

Segundo Viana, a ação dos procuradores e promotores de justiça “mexe com a vida do povo acreano, das pessoas simples, do pequeno produtor, daquele que tem na sua criação a sua poupança para uma emergência no caso de saúde”.

- São exatamente essas pessoas; não são – e não estou fazendo nenhum juízo – os grandes proprietários, os grandes criadores - acrescentou.

No site do Superior Tribunal Eleitoral, os grandes pecuaristas do Acre ocupam posições de destaque na lista de doadores das campanhas do PT no Estado.

8 comentários:

João Francisco disse...

Altino,

O novo ponto de encontro dos "paulistas-fazendeiros" é na pizza do Patetão, é comum ver o Jorge e o Tião Viana rodeado pelos fazendeiros e destruidores da floresta e inimigos do Chico Mendes.

Marcos Paulo disse...

É assim que nossos governantes defendem os direitos do povo? Será que se não houvessem doações ao governo por parte dos grandes pecuaristas haveriam tais declarações?

kemmil disse...

Dizer que estão preocupados com os pequenos produtores, é no minimo achar que nós acreanos somos os animais usados pelos grandes fazendeiros para manejar o rebanho!

.....BURROS NÓS NAO SOMOS!!!!!!!!!

Mario Marcelo disse...

Povinho hipocrita , duvido que sejam vegetarianos, quando surge um problema tem sempre dois tipos de gente, aqueles que buscam solução e aqueles que discordam de qualquer atitude.Duvido que quem fala mal da pecuaria no Acre seja vejetariano ou que dependa deste comercio pra sustentar suas familias, o que tem muito por aqui he gente que não trabalha e adora uma intriga ... geralmente he profissional mediocre por isso mesmo não consegue progredir na vida... qualquer coisa tenho serviço sobrando no meu rancho.

cplauto disse...

Toma lá, dá cá e dá cá, toma lá.
O que todos já sabem "Vamos cortar na própria carne", coisas desse tipo. Vai uma um corte aí?

Marcos Paulo disse...

Caro Mario, acredito que o problema aqui não seja quem é ou deixa de ser vegetariano. O problema são frigoríficos que continuam comprando carne de fazendas que já sofreram embargos, diga-se, que tais fazendas estavam desmatando ilegalmente. Agora me diga, você acha justo que estas fazendas continuem desrespeitando as leis? Acha justo que eles tenham a vantagem em não prestar conta de suas ações ilegais e ainda assim faturarem e muito em cima da venda da carne bovina aos frigoríficos? Melhor, acha justo os frigoríficos comprarem as carnes de fazendas embargadas e que provavelmente oferecem a um preço menor? enquanto aqueles que estão dentro da lei acabam tendo prejuízo? Me diga, você acha justo?

Mario Marcelo disse...

Tens razão Paulo, mas em parte da questão apenas, quem deve alguma coisa a justiça que pague , agora querer colocar todo pecuarista no mesmo bojo eh desconsiderar que as pessoas são desiguais e tem muito criador que respeita as regras , por isso mesmo , não eh justo tambem sair atirando em todas as direções.O ministerio publico que cumpra a lei , multe e penalize os agressores do meio ambiente, agora querer embargar um mercado desse porte eh desconsiderar a infinidade de familias que dependem de tal atividade pra viver.

Marcos Paulo disse...

Não é querer colocar todos na mesma situação, não sei se você viu a entrevista do Dr. Anselmo Henrique no Gazeta Entrevista. Somente 14 tem de assinar o TAC, aliás, 13 pois o JBS fez a coisa certo. No entanto, os outros frigoríficos que estão regularizados continuam vendendo. Isso não vai atingir em nada os pecuaristas, basta que entrem na lei. Que bom que temos o Ministério Público Federal para fiscalizar e não deixar a coisa virar bagunça