sexta-feira, 28 de março de 2008

REENCONTROS



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Prezado Amigo Xará,

Há dias enviei-lhe, por e-mail, três contos - "A Grande Luta", "Stella!", e "A Figura Refletida", - para serem publicados um de cada vez, é claro, como você disse que o faria.

Agora vai um exemplar de "Reencontros", meu quinto livro de contos. Dos quatro anteriores, elencados na contracapa deste, não há mais nenhum; as edições estão esgotadas. Vou procurá-los nos sebos e remeterei quando os encontrar. No ínterim, digitarei os escritos mais curtos e lhe mandarei. Aguarde-os, pois. Com o livro, vão "O Amor Primeiro" e "A Esfera no Espaço".

É-me sempre emocionante lembrar e falar do querido Acre, pedaço doce e importante de minha esvaída juventude, mormente aos 84 anos, já tendo extraído um câncer da bexiga e ficado cego do olho direito, por glaucoma mal cuidada, para não falar de erro médico...

Faço-o, contudo, com extrema gratidão, recordando saudoso, a calorosa recepção popular, o carinho amigável de todos, lamentando apenas o só ter ficado tão pouco tempo no Governo do Território Federal do Acre (pela renúncia de Jânio Quadros). Recordo, grato, a fraternidade cívica do mandato de deputado federal e, anos depois, quando me supunha esquecido, a honrosa outorga do Títutlo de Cidadão Riobranquense.

Vem-me à lembrança, neste instante, o diálogo tido com o Saudoso Amigo (com "A" maiúsculo) Otacílio:

- Dr. Altino, enquanto existir a letra "A" no alfabeto, o Acre se lembrará de Altino Machado.

- Não Otacílio, é ao contrário: enquanto existir a letra "A" no alfabeto, eu, Altino Machado, me lembrarei do Acre.

E aduzi:

- O Acre faz parte de minha vida. Está integrado em meu peito, em minha memória, em meu imo, em meu coração.

E isto, caro Xará, perdura, intocado e eterno, dentro de mim, neste momento que lhe escrevo.

Desculpando-me pelo alongado da missiva, digitada com a tinta da saudade, relembro a fala de minha netinha, hoje com 19 anos:

- Vovô, dá um beijo no Acre.

E um abração afetuoso para você.

Do Xará paulista e riobranquense,

José Altino Machado"

José Altino Machado era governador do Território Federal do Acre, nomeado pelo presidente Jânio Quadros, quando meu pai, Manuel Eriberto Saraiva Machado, decidiu homenageá-lo registrando-me José Altino da Cruz Machado. E tem sido uma honra merecer a amizade do ex-governador, conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Município de São Paulo e escritor, membro da Academia Paulista de Letras e da Academia Cristã de Letras. Quando trabalhei no Estadão e assinava alguma reportagem, os amigos dele, sabedores de que fora governador do Acre, perguntavam se havia se tornado repórter do jornal. E ele confirmava, mas a mim reclamou várias vezes por não usar o José antes da assinatura Altino Machado. Mas vejo agora que até ele decidiu potencializar a sonoridade de seu nome ao adotar apenas Altino Machado no livro "Reencontros", 83 páginas, da editora Book Mix, cujo exemplar em minhas mãos tem a seguinte dedicatória: "Ao ilustre Jornalista Altino Machado, meu honrado e competente xará acreano, que me distingue com a longínqua mas afetuosa amizade, cuja reciprocidade lhe asseguro, meu livro de contos e minha homenagem fraterna". Na capa, quatro estátuas que representam o átrio da Academia Paulista de Letras: primavera, verão, outono e inverno, aparecem no conto que dá nome ao livro. A capa é de autoria do filho dele, Caio Guimarães Machado. Clique aqui para ler um dos contos que ele enviou - "A Grande Luta".


O desembarque no Acre


Com a família no dia da posse no Palácio Rio Branco


Vetereno da Revolução Acreana o presenteia com arma usada em combates contra os bolivianos


Material de campanha




Com a família em São Paulo

2 comentários:

Editor do blog disse...

Da historiadora Fátima Almeida, que jamais imaginei fosse capaz de relembrar do seguinte episódio com tantos detalhes. Leia o comentário dela:

"Há muitos anos, não sei mais quantos, fomos numa caravana de escritores para Porto Velho, a convite de uma senhora chamada Kléon Marion, nome este que nunca mais esqueci. Estávamos todos num hotel de nome Floresta, térreo, revestido de lambris e uma piscina onde passávamos a maior parte do tempo..Francis Mary, Naylor, talvez o Dandão..não lembro mais. Lembro-me de ter feito amizade com Eduardo Maffei, um escritor de São Paulo com quem troquei cartas por algum tempo e que só bebia vinho.
Mas o pitoresco aconteceu na manhã seguinte a nossa chegada quando aquela senhora adentrou na área de piscina e anunciou toda empertigada e com o peito inflado que estava indo ao aeroporto buscar um poeta de nossa terra, o poeta ALTINO MACHADO. O nome dele além de uma sonoridade incrível, é pomposo. Eu percebi na hora a imagem que ela estava construindo e decidi não perder de jeito nenhum o encontro fatídico. Dei um pulo e me propus a acompanhá-la e lá fomos as duas, com o motorista, numa velha camionete Chevrolet, azul, cabine dupla.
O avião pousou, o Altino desceu e veio em nossa direção: um garoto, chinelos de couro, a camisa aberta com o peito ao vento, os cabelos sem ver pente e aquela expressão típica dele, fechada, como um touro que vem para o toureiro. Olhei para ela e a vi com o rosto todo despencado, a língua quase a sair. Silêncio completo. Na verdade ela nos proporcionou uma aventura ótima, mas nunca soube se as suas expectativas foram contempladas..."

Leila disse...

Altino,

Não vivo reclamando de perdas, mas, realmente, meu arquivo agora morto, faz uma falta danada.

Se viva, mamãe seria capaz de falar sobre um a um dos udenistas do Acre. Sei que o irmão dela, também já do outro lado do firmamento - o Mamed Alli Jalul - fazia parte da tropa do candidato do machado. Ele, Manoel Brasil, Otacílio Barbosa de Carvalho (pai de Clarice), Joaquim Macedo, Mário Maia, se não me falha a memória, Sgto. Pitágoras e outros. Eram os homens que faziam "oposição".

Um fato interessante da época do Dr. Altino Machado, só o Moacir Chaves sabe contar. Era de uma senhora de Sena Madureira, muito popular por ser maluquinha, apaixonou-se perdidamente pelo então governador. Uma das formas de aquietá-la era dizer que o Doutor Governador estaria chegando em Sena. A maluca se arrumava, tomava banho, perfumava e ia para o aeroporto esperar a chegada do "amado". Esta mesma senhorinha, enganada pelos safados da cidade, fizeram-na acreditar que Juscelino (e)Kubitscheck eram duas pessoas, pelas quais ela também era apaixonadíssima. Jamais teve o prazer de tocá-los. Uma pena!

Esses fatos escaparam da minha pesquisa, infelizmente.

Vou procurar o livro do Doutor Altino.

Um abração.