segunda-feira, 28 de maio de 2007

SEVERN CULLIS-SUZUKI


Discurso da garota Severn Cullis-Suzuki na ECO-92.

Transcrição do discurso de Severn Cullis-Suzuki, de junho de 1992:

"Olá! Eu sou Severn Suzuki. Represento, aqui na ECO, a Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 e 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir. Vanessa Sultie, Morgan Geisler, Michelle Quigg e eu. Foi através de muito empenho e dedicação que conseguimos o dinheiro necessário para virmos de tão longe, para dizer a vocês, adultos, que têm que mudar o seu modo de agir.

Ao vir aqui, hoje, não preciso disfarçar meu objetivo: estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças que passam fome pelo mundo e cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome das incontáveis espécies de animais que estão morrendo em todo o planeta, porque já não têm mais aonde ir. Não podemos mais permanecer ignorados!

Eu tenho medo de tomar sol, por causa dos buracos na camada de ozônio. Eu tenho medo de respirar este ar, porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar em Vancouver, com meu pai, até que, recentemente, pescamos um peixe com câncer. E, agora, temos o conhecimento que animais e plantas estão sendo destruídos e extintos dia após dia.

Eu sempre sonhei em ver grandes manadas de animais selvagens, selvas e florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas. E, hoje, eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso. Vocês se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade?

Tudo isso acontece bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções. Sou apenas uma criança e não tenho todas as soluções; mas, quero que saibam que vocês também não as têm.

Vocês não sabem como reparar os buracos na camada de ozônio. Vocês não sabem como salvar os peixes das águas poluídas. Vocês não podem ressuscitar os animais extintos. E vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje há desertos. Se vocês não podem recuperar nada disso, por favor, parem de destruir!

Aqui, vocês são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos; mas, na verdade, vocês são mães e pais, irmãs e irmãos, tias e tios. E todos, também, são filhos.

Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 bilhões de pessoas; e que, ao todo, somos 30 milhões de espécies compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo. Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade.

Sou apenas uma criança, mas sei que esses problemas atingem a todos nós e deveríamos agir como se fôssemos um único mundo rumo a um único objetivo. Estou com raiva, não estou cega e não tenho medo de dizer ao mundo como me sinto.

No meu país, geramos tanto desperdício! Compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora, compramos e jogamos fora... E nós, países do Norte, não compartilhamos com os que precisam. Mesmo quando temos mais do que o suficiente, temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las. No Canadá, temos uma vida privilegiada, com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV.

Há dois dias, aqui no Brasil, ficamos chocados quando estivemos com crianças que moram nas ruas. Ouçam o que uma delas nos contou: "Eu gostaria de ser rica; e, se o fosse, daria a todas as crianças de rua alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho". Se uma criança de rua, que nada tem, ainda deseja compartilhar, por que nós, que tudo temos, somos ainda tão mesquinhos?

Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos faz uma grande diferença. Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio. Eu poderia ser uma criança faminta da Somália, ou uma vítima da guerra no Oriente Médio; ou, ainda, uma mendiga na Índia.

Sou apenas uma criança; mas, ainda assim, sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais, que lugar maravilhoso a Terra seria!

Na escola, desde o jardim da infância, vocês nos ensinaram a sermos bem-comportados. Vocês nos ensinaram a não brigar com as outras crianças, a resolver as coisas da melhor maneira, a respeitar os outros, a arrumar nossas bagunças, a não maltratar outras criaturas, a dividir e a não sermos mesquinhos. Então por que vocês fazem justamente o que nos ensinaram a não fazer?

Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências e para quem vocês estão fazendo isso. Vejam-nos como seus próprios filhos. Vocês estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer. Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: "Tudo vai ficar bem, estamos fazendo o melhor que podemos, não é o fim do mundo". Mas, não acredito que possam nos dizer isso. Nós estamos em suas listas de prioridades?

Meu pai sempre diz: "Você é aquilo que faz, não o que você diz". Bem... O que vocês fazem, nos faz chorar à noite.

Vocês, adultos, dizem que nos amam... Eu desafio vocês: por favor, façam com que suas ações reflitam as suas palavras.

Obrigada!"

3 comentários:

Saudades do Acre disse...

MARINA E A VIDA

Numa entrevista a Rudolfo Lago, repórter da revista ISTOÉ, a Ministra Marina Silva afirmou: –” Para que o desenvolvimento se ele não mantém as condições de reprodução da nossa espécie?”, referindo-se à existência de exigências ainda não atendidas no plano ambiental, que envolvem os mega projetos de geração de energia, onde alguns desenvolvimentistas teimam em querer forçar decisões imediatistas, atropelando a legislação ambiental do País, seja por bem intencionada ignorância, seja com fins escusos, ou seja, finalmente, a serviço do mau capital, pois que o bom capital, o capital responsável, não deveria, “a priori”, gerar riquezas à custa da destruição de riquezas ainda maiores, das quais provavelmente dependem não só a sobrevivência de nossa espécie em particular, como a continuidade da vida como um todo no futuro do já tão instável planeta Terra.
O repórter questionou se tal afirmação não embutia um certo catastrofismo. A princípio considerei que a Ministra tinha sido até modesta ao colocar em xeque a sobrevivência apenas de nossa espécie. À luz de uma análise mais perspicaz, concluí que ela tem razão. O suicídio coletivo pode até ser uma prerrogativa do livre arbítrio do Homem, mas a extinção da vida como um todo, que ele tenta conseguir, aparentemente não. A Natureza, ou seja lá o ser transcendente que for, tem uma infinidade de mecanismos para acelerar a extinção de nossa espécie antes que consigamos extinguir todas as outras. Aliás, parece que já está usando alguns destes mecanismos. Entre eles, os políticos corruptos, os desenvolvimentistas mal intencionados e o capital sem responsabilidade social.

Marystela disse...

1992...

Vocês, adultos, dizem que nos amam... Eu desafio vocês: por favor, façam com que suas ações reflitam as suas palavras

2006...

Vocês, adultos, dizem que nos amam... Eu desafio vocês: por favor, façam com que suas ações reflitam as suas palavras

2020...

Vocês, adultos, dizem que nos amam... Eu desafio vocês: por favor, façam com que suas ações reflitam as suas palavras

Ou mudamos a forma de agir.. ou apenas o tempo passará!!!
E cada vez tudo ficará pior..

Vanessa disse...

Afinal, esse orkut pode servir para mais do que nos comunicarmos com amigos queridos com os quais não falamos há tempos, para mais do que colocarmos umas imagens legais da nossa vida, para mais do que uma estranha brincadeira virtual, para mais do que uma divertida, intrigante e velada bajulação de egos, certo? Isso pode ser uma ferramenta para coisas mil, afinal é um meio de expressão como muitos outros.
Já que nem os poderosos meios de comunicação, nem os influentes políticos nem as populosas instituições nos dizem a VERDADE sobre a nossa situação enquanto parte do ecossitema do Planeta... O MIT, a National Geographic, Jim Garrison (State of the World Forum), Lester Brown entre outros estão nos dando as informações para SOBREVIVER. Segundo os 60 melhores cientistas ambientais do mundo (em uma reunião feita há puco tempo), definiremos a sobrevivência da civilização humana nos próximos 3 anos. A gente consegue! Informe-se. Tome alguma atitude. Qualquer uma. Todas as gerações vivas e que estão por vir agradecem. www.worldforum.com "Join Brazil!"

"O Planeta certamente sobreviverá, nós talvez não."