quarta-feira, 26 de outubro de 2005

COCAÍNA E MADEIRA


Muito oportuna a viagem do governador Jorge Viana ao Peru liderando uma caravana de prospeção de negócios, integrada por 70 políticos e empresários.

São necessários realmente esforços para diversificar a pauta de exportação até agora desenhada para se intensificar quando for concluída a Estrada do Pacífico.

Temos muita madeira e os bolivianos e peruanos muita cocaína.

Outros governadores fracassaram ao percorrerem o mesmo roteiro com suas caravanas plenas de diversão e promessas.

Participei de uma delas, liderada pelo aventureiro Zamir Teixeira, que se apresentava como "senador suplente" e foi ovacionado nas ruas de Arequipa e Mollendo.

- A política no Acre não é mais para amadores - sentenciou Zamir Teixeira quando chegou ao Acre. Esse foi seu único prognóstico acertado.

"La pedrada de Piedrafita":
Altino, li teu post de hoje sobre a madeira e a coca. Achei bem semelhante ao meu argumento, em Pucallpa, em julho do ano passado, para contestar a necessidade de construção da estrada Pucallpa-Cruzeiro. Hoje, quais seriam os principais produtos de exportação do Acre e do Ucayalli? Deste último, pasta base de coca. O nosso, madeira extraída ilegalmente pelos próprios peruanos, que portanto nada deixam para as populações locais ou para os cofres públicos. Meu argumento gerou um certo mal-estar nos brios nacionalistas peruanos e um grande incômodo em relação à minha pessoa. A polêmica foi parar no jornal lá de Pucallpa, sob o título "La pedrada de Piedrafita". Só para você dar uma risada, envio, anexa, essa nota, publicada, se não me engano, numa separata do jornal Regional, de Pucallpa.


Abração,
Marcelo Piedrafita Iglesias
Rio de Janeiro - RJ

Eis a nota:

"Marcelo Piedrafita, da Comissão Pró-Índio do Acre e membro do Museu Nacional do Rio de Janeiro, logo ao dissertar sobre o tema Corredor Ecológico da Amazônia Ocidental", a título pessoal, segundo ele, perguntou para que Ucayali quer uma estrada até o Estado do Acre.

Os presentes na reunião de trabalho sobre a conservação da biodiversidade fronteiriça, no momento que Piedrafita fazia uma série de interrogações, sobre para quê uma estrada, uns mostraram cara de vergonha, outros queriam responder e poucos realmente compreendiam a que se referia com suas perguntas.

Em dado momento, energicamente disse que a estrada era impossível, argumentando que não havia razão alguma porque Peru só poderia exportar droga e de seu país poderia vir a Ucayali madeira extraída ilegalmente.

O que dirão agora as autoridades e a própria população ucayalina frente a esta posição deste profissional uruguaio-brasileiro?"

Um comentário:

André Muggiati disse...

He he he. Eu estava lá. O Marcelo foi fundamental na discussão, quando o governo do Acre e de Ucayalli tentavam transformar a reunião para discutir recursos transfronteiriços em uma fachada para corroborar a tal da estrada, no velho esquema do desenvolvimento a qualquer custo. Francamente...