quarta-feira, 9 de março de 2005

"MUTIOS GOLES"


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Jornalista Charlene Carvalho, redatora da coluna Bom Dia, do jornal A Tribuna, estava ontem bastante inspirada.

Tocou fogo na Cordilheira dos Andes, imaginou que os acreanos ignoram a proximidade de Brasil e Bolívia e esqueceu que os Andes perpassam o país vizinho.

Cometeu erro com pronome relativo acompanhado pela preposição: “A Bolívia é muito mais perto do Acre do que imaginamos, mas poucos acreanos têm consciência do que está acontecendo no país vizinho, com o qual entramos em guerra no início do século passado para que o Acre pudesse ser Brasil”.

"Com" e "contra" têm sentidos opostos, mas muita gente teima em igualá-los. Poderia ter dito “contra o qual entramos em guerra no início do século passado para que o Acre pudesse ser Brasil”.

Do jeito que foi publicado, parece que os dois países se aliaram para lutar contra um terceiro país.

Está lá, na abertura da coluna, referindo-se ao presidente Carlos Mesa: "Ontem, a Mesa ameaçou tornar sua renúncia irrevogável se o país não chegar a um acordo nacional...".

O prêmio de jornalismo José Chalub Leite, que enaltece todo ano essas e outras atrocidades da imprensa acreana, poderia avaliar, além do conteúdo, o mínimo respeito à língua portuguesa.

E, ainda, o mínimo respeito à língua espanhola. O jornalista Tião Maia, que acompanhou o governador Jorge Viana na viagem ao Peru, abusou da linguagem para produzir uma pérola na abertura da entrevista que fez com o presidente peruano Alejandro Toledo, reproduzida nos jornais de Rio Branco:

“Ex-jogador de futebol com algum talento, o economista Alejandro Toledo usou uma linguagem na qual o Brasil é uma das maiores autoridades para dizer que, junto com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, serão vencidas as dificuldades burocráticas que ainda separam os dois países. “Vamos hacer mutios goles em la cacha d la integracion”, disse o presidente na seguinte entrevista:”

Vou poupá-los da entrevista cujo título (“Vamos fazer muitos gols na cancha da integração”, diz Toledo) foi publicado em “portunhol”.

“Mutios” goles e “mutias” chamas a todos que se julgam no cume dos Andes.

2 comentários:

Chalil Costa disse...

É... o sábio filósofo Cléber BanBan já diz: Faz parte. Além de matarem o nosso velho "potugueiz" eles ainda tem gente querendo se arriscar no "ispanhol"... só o Altino pra ver isso mesmo...hehehehe, tá muito louco, adorei !!!!

Gean Cabral disse...

Isso parece com o causo do nego Lima, ex-corretor de publicidades do jornal A Agazeta, gente finíssima.
Na ocasião, final de 1988, um jornalista americano aproxima-se dele, sem saber falar bem o português, e lhe pergunta: "Juligamiento Tico Mendes, quando?" (querendo saber do Lima, que mais parecia diretor do jornal, pois era metido a elegante, quando seria o julgamento de Darli Alves). O Lima pensou que se falasse "enrolado" como o gringo ele entenderia. Aí soltou: "Juligamento? Tico Mendes? Oitienta e nueve, ânio que viem!"
Não gosto é desse negócio do nome da gente ter said no final.