segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Rede repudia declaração da secretária de Igualdade Racial contra Marina

Petista negra, secretária Lucia Ribeiro, usou rede social contra a ex-senadora, mas removeu postagem após repercussão negativa


A secretária adjunta de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da prefeitura de Rio Branco (AC), Lucia Ribeiro, usou o Facebook na noite de domingo (26) para festejar a reeleição da presidente Dilma Roussseff e criticar a ex-candidata à Presidência Marina Silva.

Petista negra, a secretária da prefeitura administrada pelo PT parabenizou o povo brasileiro que reelegeu Dilma “e deixou Marina livre para continuar fazendo a bainha da saia”. Lúcia Ribeiro chamou ainda Marina de carapanã, inseto também conhecido como muriçoca ou pernilongo.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Rio Branco formula, articula e implementa políticas que visam minimizar e zerar o preconceito. A capital do Acre é administrada pelo petista Marcus Alexandre.

Lucia Ribeiro foi duramente criticada na rede social e removeu a postagem ainda na manhã desta segunda-feira (27), mas o grupo Rede Sustentabilidade Acre distribuiu à noite uma nota em que repudia a declaração da secretária contra Marina.

No primeiro turno, durante encontro com artistas no Rio de Janeiro, Marina disse que a disputa era entre o besouro mangangá e a carapanã. Marina se comparou à carapanã, porque é magrinha, e comparou Dilma, por ser mais forte, ao mangangá.

Nota de repúdio da Rede Sustentabilidade Acre

"O combate ao preconceito e a todas as formas de discriminações não pode ser só retórico, mas prática cotidiana e efetiva dos que lutam por uma sociedade com igualdade, seja ela racial, de gênero, de nacionalidade e de direitos.

Repudiamos a declaração da Secretária de Igualdade Racial de Rio Branco, Lúcia Ribeiro, que numa tentativa de desqualificar a nossa líder Marina Silva, reproduz o preconceito que a mesma deveria combater. É lamentável que a gestora da pasta de Igualdade Racial tenha como prática o preconceito e a discriminação, numa infeliz contradição para com a função pública que ocupa na Prefeitura de Rio Branco.

A Rede Acre vem reafirmar o respeito pelo diferente, pela história da líder Marina Silva. Tentar diminuir Marina é tentar diminuir o Acre, seu povo e sua história. Não consideramos demérito fazer bainha de saia, muito pelo contrário, respeitamos. Não se trata de desonra, mas de honra para os que não renegam suas raízes, para os que fazem jus a sua história de vida e sua trajetória pública como é o caso da ex-senadora.

A Rede Sustentabilidade conta em sua fileira com diversos ativistas vinculados as mais diversas e plurais causas e disso se orgulha. Lamentamos profundamente mais esse episódio que apresenta o ódio e o desrespeito que foi a tônica da disputa eleitoral.

Nós, da Rede Sustentabilidade, estamos chocados com o preconceito que alimentou e, ao que parece, continua alimentando a sociedade brasileira pela contaminação da disputa eleitoral que teve como marca o ódio, a mentira, a calúnia e o preconceito.

Comprometemo-nos em seguir nas trincheiras de lutas, combatendo quaisquer formas de discriminações e preconceitos, nossos esforços continuarão centrados no respeito e na busca de construir um país e uma sociedade sem discriminação de qualquer natureza, defendendo sempre a democracia, a liberdade, o respeito e a dignidade da pessoa humana.

Att,

Carlos Gomes
Porta Voz da Rede Sustentabilidade Acre
"

4 comentários:

luciahelena disse...

Eu, lucia helena de Oliveira cunha, 61 anos de vida, brasileira, repudio qualquer expressão de preconceito e forma de discriminação, ódio, intolerância e desrespeito ao semelhante e diverso existente no Acre, no Brasil e em todo o planeta!!!

luciahelena

Carlos Martel disse...

Já seria lastimável vindo o comentário de qualquer particular. Todavia, vindo justamente de personalidade pública que engaja o ofício de secretária de igualdade racial, é abominável, desprezível e inaceitável. No mínimo, carece de retratação por si ou por seu chefe, o Prefeito!

Marisa Fontana disse...

Lúcia deveria saudar e reconhecer que uma mulher negra como ela venceu as barreiras que a sociedade impõe. Reconhecer que Marina saindo do seringal, passando pela condição de empregada doméstica (onde estão a maioria das mulheres negras no Brasil) e de superação em superação chega ao lugar que ocupa no cenário político. Tanto o carapanã como o magangá têm seu lugar no meio ambiente. Tanto Marina como Dilma também construiram seu lugar na política. É possível comemorar a vitória de Dilma sem tentar menosprezar Marina. Marina vai continuar fazendo bainha de saia, porque isso não a diminui, pelo contrário, a engrandece pois é o exemplo da humildade que ela preserva, apesar seu prestigio na sociedade. Lucia precisará aprender um pouco mais sobre a humildade e também sobre como levar adiante sua luta que não encontra junto a Marina que venceu e vence suas batalhas sem as cotas, sem a política social de Dilma. Lúcia precisa acordar e perceber que boa parte da população brasileira conquista sua cidadania sem as políticas de combate a desigualdade racial do governo, sem o apoio do movimento negro, sem o fortalecimento de corporativismos e guetos, mas na afirmação da diversidade, no respeito a diversidade e na busca da sustentabilidade.

Marisa Fontana disse...

Lúcia deveria saudar e reconhecer que uma mulher negra como ela venceu as barreiras que a sociedade impõe. Reconhecer que Marina saindo do seringal, passando pela condição de empregada doméstica (onde estão a maioria das mulheres negras no Brasil) e de superação em superação chega ao lugar que ocupa no cenário político. Tanto o carapanã como o magangá têm seu lugar no meio ambiente. Tanto Marina como Dilma também construiram seu lugar na política. É possível comemorar a vitória de Dilma sem tentar menosprezar Marina. Marina vai continuar fazendo bainha de saia, porque isso não a diminui, pelo contrário, a engrandece pois é o exemplo da humildade que ela preserva, apesar seu prestigio na sociedade. Lucia precisará aprender um pouco mais sobre a humildade e também sobre como levar adiante sua luta que não encontra junto a Marina que venceu e vence suas batalhas sem as cotas, sem a política social de Dilma. Lúcia precisa acordar e perceber que boa parte da população brasileira conquista sua cidadania sem as políticas de combate a desigualdade racial do governo, sem o apoio do movimento negro, sem o fortalecimento de corporativismos e guetos, mas na afirmação da diversidade, no respeito a diversidade e na busca da sustentabilidade.