terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Liberdade como luz para o caminho do desenvolvimento

POR WESLEY DE BRITO

O economista, e vencedor do Prêmio Nobel, Amartya Sen nos apresenta uma nova e poderosa ideia para que possamos compreender melhor as mudanças sociais e econômicas de uma população, que é a liberdade como luz para o caminho e fim para o desenvolvimento.

Sen propõe que o desenvolvimento deve ser estruturado na melhoria das liberdades básicas dos indivíduos e na abolição das principais fontes de limitação, este último termo é utilizado como sinônimo de pobreza, falta de oportunidade, negligência ou qualquer outro elemento que faz com que os indivíduos tenham poucas escolhas ou poucas oportunidades em sua vida.

As liberdades propostas, como meios de desenvolvimento pleno de uma população, foram classificadas em cinco componentes considerados mais essenciais para a liberdade individual, que são:

- Liberdades políticas: Permitir ao indivíduo determinar sem medo quem deveria governá-lo, como também os meios de observar e criticar as autoridades, plena liberdade de se expressar sobre a política e uma imprensa sem mordaças.

- Liberdades econômicas: Respeito e não intervenção na forma como as pessoas utilizam seus recursos seja por comprar ou produzir e uma preocupação maior na distribuição de renda.

- Liberdades sociais: Dispositivos eficientes para que as instituições e as sociedades se organizem em favor da educação, saúde, segurança, etc., pois as três primeiras influenciam de forma direta na liberdade do indivíduo.

- Liberdade de informação: Pois uma sociedade sólida se constrói por meio da confiança, e a transparência no que o governo faz têm um papel evidente no combate a corrupção e da gestão irresponsável.

- Liberdade de proteção: Instituições que ajudem aqueles que são afetados por mudanças negativas em suas vidas.

No Acre, onde existe ausência de instituições efetivas, onde o governo é lento para cumprir suas promessas econômicas e suas práticas sociais tem um tom sempre eleitoreiro, instituições ilegais como o tráfico de drogas ou ações ilegais ocupam estes espaços vazios, podendo ser até essenciais para certos líderes políticos devido a eterna promessa de que um dia isso irá acabar.

Ainda, caso as instituições governamentais não tivessem restrições políticas e ideológicas, elas seriam primordiais em promover as várias liberdades em nível individual, cooperando com o desenvolvimento social e econômico e suprimindo as limitações das liberdades.

Wesley de Brito é professor, pesquisador, economista e mestre em Desenvolvimento Regional.

5 comentários:

Altemar disse...

Prefiro o Pachauri.

Felija nit

Eduardo Carneiro - é Professor da Universidade Federal do Acre, doutorando (USP). disse...

Havendo igualdade em suas múltiplas dimensões, para quê tanta ênfase na liberdade?

A liberdade foi uma forma com a qual o mundo ocidental escamoteou a defesa da igualdade. Temos liberdade para defendermos a igualdade... viva!!!!

Altemar disse...

Continuo preferindo o Pachauri.

Carlos Floresta disse...

Sempre acreditei que ser professor, prostituta, médico, traficante, político ou assaltante de banco tem que ser uma escolha pessoal e não uma imposição social.
É que olhando a nossa sociedade brasileira (e acreana) estes são fatos notadamente marcantes: o "eterno ontem" alcança, diferencia e estratifica nossa "organização social" em possuidores e despossuídos, muito embora um partido político grite a plenos pulmões que o Brasil está melhor. Não está.
Nossa estrutura política é exatamente a cópia do nosso modelo de sociedade estratificada.
O que "melhorou" foi a Ciência do Marketing.
Todavia, filho de ladrão pobre, de acordo com nosso modelo social e político, continua tendo 99% de chance de ser ladrão pobre. No outro extremo, filho de ladrão rico, políticos normalmente, continuam com 99% de chance de replicar o papai (ou a mamãe).
Educação desigual, saúde desigual, sociedade absurdamente desigual, futuro desigual, penas criminais desiguais.
O que afirmo é que os despossuídos tem que fazer milagre cotidianamente para não reproduzirem o "ontem eterno". Tarefa difícil, diria quase impossível, diante da realidade que se apresenta em suas vidas.
Mais fácil é manter o Apartheid em que prostitutas assim o são, não pelo fato de terem livremente escolhido viver assim, mas porque não tiveram outra alternativa. Idem para o assaltante de banco e o traficante.
É lógico que alguns fizeram livremente essa escolha mas não todos.
Já o político, esse sim, escolhe livremente viver assim e anseia que seu filho siga seu (péssimo) exemplo.
E assim vamos de eleição em eleição, com voto obrigatório, ratificando esse sistema político que mantém nosso sistema social (e vice-versa) que gera ladrões, prostitutas e traficantes cuja maioria absoluta não escolheu livremente seu modo de vida mas que alguns poucos (os políticos) escolheram por eles.
Mas chega! É Natal e o governador tá convidando todo mundo pra assistir "gratuitamente" uma Cantata Natalina enquanto torce pra que a gente esqueça do G7, tapurus, etc, etc, etc...

Evandro Nunes da Silveira disse...

Esse "hater" Eduardo Carneiro não adicionou em nada o ótimo texto. Ele sendo um doutor deveria enriquecer o debate e trazer soluções. E ainda pago você com os meus impostos para ler esse tipo de besteira que em nada acrescenta.