sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Avidez arrecadatória do governo do PT

POR MARCIO BITTAR

Nessa semana, assistimos o alarde dos empresários acreanos com a proposição de mudança na cobrança do ICMS. O que de concreto aconteceu foi a intenção do governo do Estado em modificar a forma de arrecadação do tributo para reimplantar o regime de apuração com antecipação parcial na entrada da mercadoria no estado. Mas o que salta aos olhos na questão é a sanha sempre crescente do governo em arrecadar mais e mais. Com as mudanças propostas, ainda em negociação, o governo estadual tem o objetivo de aumentar sua arrecadação para fazer frente às despesas crescentes e nem sempre necessárias. É bom lembrar que o PT já elevou, no passado, o ICMS de 17% para 25%.

Uma rápida análise dos dados financeiros do governo do Acre, fornecidos pelo Banco Central, mostra-nos uma gestão econômica desequilibrada. De 2000 a outubro de 2013, houve crescimento de 443% na receita governamental total, mas esse aumento não veio por elevação de produtividade comercial ou industrial do Estado, mas, sim, por aumento dos repasses do governo federal e da carga tributária.

No mesmo período, o crescimento dos repasses governamentais foi de 445%, qualquer desordem ou queda nesses repasses significaria turbulência séria na gestão financeira do governo do Estado, evidenciando a extrema dependência do Acre e a falta de dinamismo econômico próprio. Ainda, o crescimento na arrecadação de impostos, no Acre, foi de incríveis 704%. Tal avidez arrecadatória significa, em última instância, exigência por mais sacrifícios do povo e dos setores produtivos do Estado. A média de dependência da receita por repasses governamentais é da ordem de 68% e a média de dependência por tributos de 19%; o restante refere-se a empréstimos e dinheiro de organismos financeiros internacionais.

Mais grave é o fato dos serviços governamentais carecerem de qualidade mínima, apesar da alta carga tributária. Tem-se noticias sobre dificuldades financeiras do governo na área da Segurança, Educação e Saúde. Há dificuldades básicas em honrar despesas ordinárias e totalmente previsíveis. Os exemplos são abundantes: obras paradas e incompletas, falta de dinheiro até para abastecer os veículos das polícias militar e civil, falta de recursos para honrar promessas de aumento salarial no setor da educação, dentre outros.  

O governo deveria implantar um austero plano de corte de despesas e controle dos gastos públicos e eliminar desperdícios e benefícios indevidos. Deve, também, implantar uma reforma administrativa para racionalizar os processos de trabalho, eliminar o caráter pessoal e político de ocupação de cargos, findar as duplicações e ambiguidades de esforços e dar celeridade à ação governamental.

Se o governo fosse sério, estaria envidando esforços para garantir um ambiente de segurança jurídica e de incentivos tributários inteligentes para fomentar o empresariado acreano e atrair novos investidores e empreendedores ao Acre, garantindo a geração de empregos e renda e o desenvolvimento saudável e duradouro do Estado.

Um governo que almeja, verdadeiramente, desenvolvimento econômico para o seu Estado deve estar sempre vigilante para não sufocar a economia local com a aplicação de alta carga tributária. Geralmente, a avidez na arrecadação é acompanhada por irracionalidades e desperdícios nas despesas de governo. Governos gastadores, perdulários e obesos tendem a massacrar a sociedade com mais e mais impostos. E esse, infelizmente, é o caso do governo do PT no Acre.

Marcio Bittar é deputado federal, presidente da Executiva Regional do PSDB no Acre e Primeiro-Secretário da Câmara dos Deputados.

Um comentário:

Carlos Floresta disse...

Entendamos de uma vez por todas que o Acre "não decola" porque tudo é pensado para uma meia-dúzia ganhar dinheiro e se dar bem por um tempo. É assim com a madeira, gado, peixe, fábrica de camisinha, Álcool Verde, fábrica de tacos e o escambau a mais que inventarem!
Enquanto não pensarem nos empregos estáveis e duradouros para a população com empresariado que olhe para o futuro e não para a "oportunidade" de encher o bolso, vai ser sempre assim.
Aproveitem e pensem no linhão que não dá condição de desenvolvimento algum para o Estado como se já não bastassem os políticos para tanto.
O homem do bolo tá bombando suas vendas!