sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Taumaturgo Lima usou notas de empresas ligadas a fraude em fundos de pensão

POR JAILTON DE CARVALHO

Relatório da Polícia Federal informa que os deputados Taumaturgo Lima (PT-AC) e Fernando Torres (PSD-BA) usaram notas fiscais de duas empresas da organização do doleiro Fayed Traboulsi para justificar despesas da atividade parlamentar e pedir reembolso à Câmara dos Deputados. Segundo a PF, Lima obteve ressarcimento de R$ 77 mil, e Torres, de R$ 14 mil, a partir de notas emitidas pela MC Incorporação e pela Gold Incorporação.

As duas empresas estão no centro da estrutura de lavagem, supostamente montada pelo grupo de Fayed, para um esquema de fraude em fundos de pensão. Os nomes dos deputados aparecem em relatório da Operação Elementar, investigação conduzida pela PF e pelo Ministério Público. Essa parte do processo ainda não foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro de investigação de parlamentares e que já recebeu informações sobre o suposto envolvimento de outros três deputados.

Lima teria usado notas da MC Incorporação e Consultoria, entre fevereiro e agosto de 2011, para reembolsar despesas de aluguel de carros e embarcações. Durante esse período, o deputado alega ter gasto em média R$ 9.500 com transporte. Mozart Medeiros Filho, um dos ex-assessores do deputado, está entre os investigados. Lima diz que já demitiu o assessor.

Segundo relatório do MP-DFT, Mozart “recebeu valores oriundos de contas bancárias de titularidade das empresas Master Tecnologia e Sistemas, MC Incorporação e Consultoria e Gold Consultoria”. Só de uma das empresas, o assessor teria recebido R$ 19 milhões.

As notas de Fernando Torres são referentes a transporte e segurança. O deputado disse que fez dois contratos com a MC, uma para o aluguel de dois carros por três meses, e outro de segurança pessoal. O deputado alega que cancelou o contrato de aluguel de carros no primeiro mês, que teria custado R$ 10 mil. Outros R$ 4 mil, em notas, seriam relativos a serviços de segurança.

Taumaturgo Lima confirma que contratou serviços das duas empresas, uma para fazer o site dele na internet, e outra pelo aluguel de dois carros. O deputado disse que fez o contrato por sugestão de um assessor. Ele sustenta, no entanto, que não conhece Fayed.

Outro documento da PF cita o nome de pelo menos seis parlamentares, um deles do ex-presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP). O nome de Sarney foi citado por um dos investigados na operação. Não há gravações de conversas do senador. Segundo uma autoridade que acompanha o caso de perto, não há indicação de que o senador soubesse que estivesse sendo citado. Procurado pelo GLOBO, por intermédio da assessoria de imprensa, Sarney disse que não conhece Fayed, nem a ex-secretária Flávia Peralta, funcionária do Senado investigada pela PF.

Jailton de Carvalho é repórter do jornal O Globo

Atualização em 7 de outubro - nota de esclarecimento do deputado

"Tendo em vista matéria publicada no jornal O Globo, edição da última sexta-feira 04, na qual tenho meu nome citado como um dos parlamentares que usaram notas de empresas ligadas à fraudes, sinto-me na obrigação de esclarecer o seguinte:

Esclareço que não conheço, nunca vi e até recentemente nem sabia da existência de um tal Fayed Traboulsi, que segundo a imprensa é um doleiro investigado por órgãos da Justiça Federal. O fato de no inicio do meu mandato, entre fevereiro e agosto de 2011, meu gabinete haver alugado dois veículos através da empresa MC Incorporação e Consultoria Ltda em hipótese alguma poderia caracterizar vínculo com os seus proprietários, acionistas ou algo do gênero.

Á época, os serviços foram contratados, prestados, utilizados e pagos na forma visto que naquele momento seria impossível supor que a empresa viria a ser alvo de denúncias de irregularidades. Tais irregularidades só vieram a público em 2012 quando não mais mantínhamos qualquer tipo de relação contratual.

O mesmo se deu em relação ao contrato com a Gold Consultoria Ltda, para elaboração e manutenção de um site informativo na Internet, cujos serviços foram dispensados logo que cessou a necessidade.

Quanto ao assessor citado na reportagem, cabe dizer que foi contrato em virtude de reconhecida experiência de trabalho em gabinetes anteriores, sendo exonerado tão logo veio a tona sua possível participação no esquema fraudulento.

Ao povo acreano renovo o meu compromisso de realização de um mandato transparente e de respeito à confiança que me foi dada pela gente da minha terra."

2 comentários:

Carlos Floresta disse...

"Que é isso companheiro?"!
Já viram esse filme?

Sara Daniela disse...

E precisa conhecer a fundo?
Basta um assessor bem relacionado que sabe a quem, onde e pra quer procurar.
É a velha istória do marido traído que sempre é o último a saber.