quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O que está em jogo no Mais Médicos

POR EDILSON MARTINS

A novela do confronto entre o governo e as entidades de medicina no que  toca à presença destes profissionais no Brasil está mal contada. Poderia ser uma briga de poder e interesses de classe – o que também é – entre as duas partes,  mas em verdade nem tudo o que reluz é ouro, e nem tudo o que balança cai.

Voltaire, a melhor cabeça do Iluminismo, já alertava; o mundo só será melhor quando se enforcar o último médico, nas tripas do último padre. Bom,  ele falava de cabeças coroadas, mas vale a licença. Que os médicos  são corporativistas, e que a população não morre  de amores por eles, não é novidade. E as entidades médicas pisam  na bola, - é chute nas  costas – quando se opõem à presença  desses profissionais no país.

Mas vamos ao que interessa; essa contratação dos médicos cubanos, não de outros países, é uma grave violação aos direitos humanos.  Deveriam passar por uma prova de capacitação, conforme ocorre com  qualquer pessoa que ingresse no serviço público, exceto os afilhados
dos Governos de plantão.

Qualquer médico, de quaisquer outros países, ao ser indicado para uma  cidade qualquer, um grotão, uma vila que não lhe sensibilizou, por exemplo,  pode dar meia-volta, rescindir o contrato, comprar passagens e, com sua  família,  retornar ao país de origem. Necas para qualquer cubano.

Primeiro não podem trazer suas famílias, e aí não é exagero até imaginar  que permaneçam em Cuba como reféns. Isto é de uma violência inominável, pelo amor de Deus. Tem mais: o governo brasileiro já avisou. Não ameacem desistir, ou fugir,  pois serão devolvidos à Ilha. Isto é outra violência não menos inominável.

Podemos até supor a seguinte ilação: estão presos no Brasil e suas  famílias detidas em Cuba.

Não se tratam de questões ideológicas,  senão de violências, novamente,  inomináveis contra os direitos humanos. O  Brasil, sinceramente, não deveria avalizar essas aberrações, já que somos
um país cristão, alimentado pelo sentimento de misericórdia.

Bom, há também outra leitura, menos visível, e que sugere mais uma indagação. O que de fato está em jogo? Podem-se pressupor as eleições do próximo ano.

O Mais Médico tirou a Dilma das cordas.  Recebera uns fortes jabs nas manifestações de rua, e num primeiro momento pareceu nocauteada.

Com esse confronto, onde ela já ganhou a parada da opinião pública, e o chega já no fragilizado Obama, no episódio nada inédito de espionagem, - todos os estados buscam segredos, e só não o fazem, os que não podem - voltou ao 2º round lépida, faceira e  revitalizada.

O João Santana, seu marqueteiro, deve estar  vivendo momentos orgásticos.

Edilson Martins é jornalista e escritor

2 comentários:

Carlos Floresta disse...

Sobre o tema "Médicos cubanos no Brasil", vi a seguinte campanha no Facebook: "Ao invés de médicos cubanos quero enfermeiras suecas".
O autor não deixa de ter razão...

simplesmensagens disse...

O texto é bom, contudo não há novidade nenhuma no escrito. Só não dá pra entender o seguinte: "um país cristão, alimentado pelo sentimento de misericórdia". E o que é opinião pública? Ela existe? Eu particularmente nunca ouvi falar em massa de manobra ter opinião...