terça-feira, 15 de janeiro de 2013

E O TRÁFICO DE CRIANÇAS PARA O EXTERIOR?

POR LEILA JALUL
 

Bela entrevista do jornalista Altino Machado com a "Garota Delivery". Bela, até por não ter emitido opinião pessoal. Isenta, pois.

A moça “delivery”, no jeito que entendo a vida, não merece recriminações. Nem elogios. Do seu corpo, sabe ela. Vender, trocar, aviltar, faturar e gastar energia, sabe ela.

Lida, atentamente lida, em pouco difere do Diário de Bruna Surfistinha. À exceção do cachê, claro.

Pensando bem, Bruna Surfistinha vive de direitos autorais e da comissão do filme, garbosamente marcado pela presença da atriz global Débora Secco.

Causa espanto, porém, a defesa, digamos limpa, dos pecuaristas Adálio Cordeiro e Assuero Veronez, por ela considerados dois homens de bem e de educação esmerada.

Que males poderiam fazer dois homens que se contentam em pegar nos peitinhos e em discutir o Código Florestal, a ocupação do Acre e a derrubada da floresta?

Mais espécie, ainda, me causaram as afirmações de que a “operação Delivery” parece ter injunções de caráter político. Diz ela, em determinado momento, que o delegado quis forjar situações não existentes, tipo estupro, cárcere privado etc.

Eu, você e mais um tanto de gente sabemos bem da presença de cafetões que conduzem menores, maiores, melhores e piores, ao patíbulo da prostituição e da droga.

Gente que é e que não é da classe média baixa. Gente colunável, famosa e pertencente aos quadros da hierarquia maior do Estado, envolvida até a raiz dos cabelos com o tráfico de crianças para o exterior - até sei de um caso clássico e de final trágico que envolvia médico, advogado e funcionário de um órgão defensor da comunidade. As provas, infelizmente, não são jogadas no chão.

Muitos conheceram ou tiveram conhecimento da casa no bairro São Francisco, em Rio Branco, mantida e garantida por um colunista social que arrebanhava jovens e crianças para o sacrifício do sexo e do vício sem escolhas. Tudo nos mesmos moldes do relato da ”noivinha delivery”.

A Bruna Surfistinha do Acre, creio eu, deverá ter cuidado com os agenciadores que prestam serviços a, como bem disse, juízes, desembargadores, policiais, médicos que tomam a “piulinha azul”, secretários de estado e outros de renomada respeitabilidade e de moral ilibada e sem ranhuras.

No mais, asseguro, ela deverá aumentar o cachê. O pibinho é pequeno e o custo de vida está galopante. E ademais, no Acre, o conceito de riqueza e pobreza é muito relativo.

Basta que se pense que, o maior comércio do Acre, por mais lucrativo que seja, não abre um comércio de duas portas em São Paulo ou no Rio de Janeiro.

É como leio e interpreto a sua entrevista da "Garota Delivery". Toda bastante relativizada.


Leila Jalul é cronista

5 comentários:

Flaviana Coimbra disse...

ótimo texto...

Tay disse...

A senhora Leila Jalul, tem razão quando diz que é relativo o conceito de rico e pobre no Acre, tendo em vista que ter um carro popular financiado em 60x, faz da pessoa o "rei da cocada preta" em alguns caso, achando até que arrogancia é pré-requisto para ser bem visto como endinheirado.
Todo esse absurdo me fez lembrar de um filme chamado "A Lista", baseado em fatos reais, em que as prostitutas para não serem presas por longos anos, após a policia descobrir o prostíbulo, dão nome de todos os clientes mais "poderosos" do estado. A diferença é que no filme saiu no jornal uma lista com os nomes de todos os clientes envolvidos.
Já pensou se essa moda pega? Jesus!

Fátima Almeida disse...

Arregaçou héin Leila? Disse o que todo mundo sabe mas nunca iria falar..Para se escrever romance sobre esta simples cidade só se baseando em Adelaide Carraro. Lúcido seu texto.

João disse...

Em dois parágrafos do texto, a cronista nos apresenta acusações graves. Se ela está certa do que diz, deveria ter denunciado às autoridades (talvez ainda seja tempo).

ELSOUZA disse...

Caro João! A respeito das ações criminosas expostas nos dois parágrafos de autoria da senhora Leila Jalul, acredito que os fatos ainda podem ser investigados, pois, salvo equívoco, ainda não incidiram na prescrição. E por acreditar nas autoridades competentes da Polícia Judiciária e nos Membros do “Parquet” acriano, devemos entender que vem CHUMBO GROSSO por aí. Lembrando que a autoridade policial também age de ofício.