quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

ANGELIM DECRETA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA



O prefeito de Rio Branco (AC), Raimundo Angelim (PT), decretou situação de emergência na cidade por causa da enchente do Rio Acre, que amanheceu nesta quinta-feira (16) com 16,22m de profundidade, superando em 2,22m a cota de transbordamento.

Mais de 500 famílias (1960 pessoas) foram desabrigadas e tiveram que ser acomodadas pela Defesa Civil num parque onde é realizada anualmente a Feira Agropecuária do Acre.

De acordo com levantamento do Sistema de Georreferenciamento (SIG), da prefeitura de Rio Branco, mais de cinco mil edificações já foram atingidas pela enchente.

Desde janeiro, são registradas chuvas abundantes em toda a bacia do Alto Acre, Riozinho do Rola e na região de fronteira com o Peru, nascente do Rio Acre.

A Defesa Civil está preocupada porque, no município de Assis Brasil, na fronteira com o Peru, o Rio Acre subiu 3m na quarta-feira. O Riozinho do Rola, maior afluente do Rio Acre, está 1,40m acima do principal rio da região.

O aumento do nível do Rio Acre nos municípios acreanos na fronteira com Peru e Bolívia e do Riozinho do Rôla, à montante da capital, ocasionam uma elevação acentuada do rio que banha a capital do Acre.

As chuvas dos últimos dias já resultaram numa elevação significativa do nível do Rio Acre nos municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Xapuri e Riozinho do Rola.

Nos últimos 46 dias, o nível do Rio Acre permaneceu acima da cota de alerta por 23 dias. No mesmo tempo, apresentou cinco períodos de elevação acima da cota de alerta, deixando mais de 300 famílias desabrigadas.

A variação positiva já apresentou 18,42m e a variação negativa é de 7,09m, indicando tendência de elevação de seu nível. O total de precipitação pluviométrica acumulada, em Rio Branco, em 2012 é de 634,3mm.

Em Rio Branco, o Rio Acre atingiu, pela quinta vez, sua cota de alerta (13,50m) no dia 4 de fevereiro de 2012, e, pela terceira vez, a cota de transbordamento (14,00m) no dia 05 de fevereiro de 2012.

Ao decretar situação de emergência o prefeito Angelim também considerou o avanço da água nas áreas ocupadas pela população vulnerável a ocorrência das enchentes.

O prefeito considerou a “quebra da situação de normalidade” e da rotina das famílias atingidas pela enchente, bem como os impactos negativos causados no sistema de transporte, na saúde pública e na segurança global, afetando a integridade e a incolumidade da população.

Angelim menciona no decreto da situação de emergência o “exaurimento” da capacidade do município de Rio Branco “de arcar com o imenso ônus causado pela ocorrência e magnitude deste evento”.

Carnaval

No Facebook, a juíza Mirla Regina Cutrim, titular da Vara de Execução Fiscal da Comarca de Rio Branco, sugeriu o cancelamento do "Carnaval tá legal que só", organizado pelo governo estadual.

- Por razões humanitárias, sugiro em caráter excepcional o cancelamento do carnaval e a reversão de despesas em auxílio aos desabrigados. Prestarei minha colaboração com doações nos postos de coleta. Nos anos anteriores disponibilizei também os serviços da Justiça comunitária, mas agora não respondo mais por esse serviço, oferecendo apenas igual sugestão. Vamos lá gente, não é hora de diversão, é hora de mobilização e solidariedade. Diversão fica pra depois - escreveu a juíza.



15 comentários:

Fátima Almeida disse...

É de estarrecer esse tipo de nota como aquela veiculada nos jornais de hoje de que o deputado Eduardo Farias do PC do B propõe a construção de uma barragem para controlar as cheias do rio Acre por causa das famílias desabrigadas. É um absurdo tudo isso, na minha opinião. Primeiro, eles transferem para o rio Acre a pecha de um ente vil, quando aviltante é a condição dos pobres que a exemplo dos favelados que moram em morros no Rio de janeiro passam a morar em áreas alagáveis para ficar mais próximo dos locais de trabalho. Afinal, não há alagação no condomínio do Ipê. Quanta hipocrisia. Segundo, querem carrear recursos para alguma empreiteira com o fito de fazer caixa 2.no caso do apelo do parlamentar para "disciplinar" o rio. As cheias são espetáculos grandiosos da natureza, do mesmo modo como o período do estio nos proporcionava bons momentos nas praias do Amapá que o Jorge Vianna destruiu com a construção da terceira ponte e apoio do ambientalista oficial Edgard de Deus. Sem os espetáculos da natureza não pode haver poesia. Sugiro ao nobre deputado que assista ao filme infantil "Wall-e" para perceber o perigo que reside no excesso de artificialismos.

João disse...

Pra muita gente NÃO (“TÁ NADA LEGAL QUE SÓ”) Mas e daí, dane-se as famílias que estão no parque de exposição, na casa de familiares ou aquelas que não saem de suas casas com medo do pouco que lhe resta ser roubado... Quem se importa né não? Uma salva de palmas para NOSSA estupidez, por muitos de nós acharmos que não temos nada haver com isso e de continuarmos na nossa zona de conforto indiferentes com as desgraças alheia.

@MarcelFla disse...

É essa a mesma juíza que em seu mesmo facebook colocou uma image de tamanho médio, na qual consta; "Sim, eu sou do Brasil. Não, eu não gosto de carnaval." só que em inglês?

Olha... Quase comprava o seu discurso.

(Ah!! Aposto um casal de pato que é evangélica protestante, alguém?!)

E outra, os gastos para o carnaval já foram feitos, já foram prestados serviços e estruturas já foram montadas, adiá-lo agora só traria mais gastos, mas, claro que essa não é a verdadeira preocupação né?! Tampouco os pobres coitados que estão debaixo d'água.

sérgio de carvalho disse...

Cancelar o Carnaval, O maiorpatrimõnio imaterial da cultura brasileira...sem comentários...

Roberto Feres disse...

Oi Fátima,
Políticos não apreendem que não devem desafiar a natureza.
O estrago que o Catrina fez em New Orleans só aconteceu porque se romperam os diques que permitiam que parte da cidade ficasse abaixo do nível do rio Mississípi.

Acreucho disse...

Aplausos para Professora Fátima Almeida, uma excelente análise...

Bem-vindo! disse...

Meu jovem Marcel, sou membro da igreja batista sim.
Porém não fiz o comentário no Facebook por ideologia religiosa, nem pensei nela.
Mas confesso que gostaria que a solidariedade virasse um tipo de religião, o que seria bom demais para todos.
Já pensou, a cidade parar para cinco dias inteiros de boas ações?
Não questiono o aspecto cultural do carnaval, mas sim o momento pelo qual nossa querida cidade está passando.
Durante o furacãoKatrina, nos EUA, os comerciantes acharam normal e legítimo em aumentar, em razão da demanda, os preços da água mineral, hospedagem em hotéis, e até do conserto das casas. Esse é um retrato humano. Assim, também se considera normal prosseguir com as festividades diante desse quadro.
Prefeitamente compreensível.

Então... e me perdoe se o ofendi com minha postagem no FB.
Cordiais saudações.
Mirla

Jefferson disse...

Concordo com a Mirla. A solidariedade é que nos torna humanos. Sinceramente me estarrece festejar em meio à calamidade pública ao meu redor. Uma criança morreu com pneumonia pois estava em situação de risco à umidade da alagação e era asmática. Cada dia que passa nos distanciamos mais de valores éticos e morais básicos para se viver em sociedade. Muitos reclamam que a constituição prioriza a vida e a dignidade da pessoa humana mas não passa de teoria pois não é respeitada, mas se esquecem que esta não é lembrada pelos políticos e parlamentares deste país porque nós como cidadãos somos os primeiros a ignorar estes valores. O quão humanos ainda somos?

@MarcelFla disse...

Olá Mirla (peço licença para chamá-la assim), primeiro queria pedir desculpas a você, não foram suas palavras doces e gentis que desencadearam meu comentário, acho que em parte minha mágoa se dá pela ação confusa de certos líderes religiosos, que de uma certa maneira, tornam reféns os políticos desprovidos de caráter, que fazem de tudo para angariar mais votos, não só no Acre, como em todo Brasil.

Afinal, como dizem, o estado brasileiro é laico, mas não é ateu, o que em princípio já causa uma confusão.

Dito isto, poderia dizer que o Katrina foi muito pior aos americanos, causando prejuízos de cifras de mais de 2 bilhões de dólares, mas, eu entendo porque colocaste este exemplo, o ser humano pode por vezes ser frio e cruel.

Agora, sinceramente não acho que ir brincar o carnaval faria dos Rio Branquenses isto.

Eu mesmo, faço parte de um motogrupo com sede em Rondônia e filial aqui, os Gaviões da Amazônia, onde temos juntos instrumentos entre carros de carroceria, carrocinhas e botes, e o principal: Vontade de ajudar, e estamos prontos para atender qualquer necessidade da defesa civil, seja no carnaval ou não.

E se for realmente necessário cancelar o carnaval, que cancele, só espero que uma ação como esta seja feita por base em seus princípios Mirla, e não para atender os interesses destes políticos e pastores.

Um grande e fraterno abraço,

Beijos,
Marcel.

joaomaci disse...

Com todo o respeito às opiniões dos colegas, acho que a discussão vai além de se somos solidários, humanos, mundanos, egoístas, religiosos, dogmáticos, ou seja lá o que for.
Pra mim, é extremamente indignante ver esta situação todos os anos. Não precisamos assistir ao espetaculismo chulo das tv's locais, pra ter noção do quanto este problema afeta Rio Branco. São os caminhões circulando nas ruas com os pertences dos desabrigados, são os alunos (crianças) que não vão a aula, trabalhadores que faltam ao trabalho... pra citar algumas evidências.
Neste período vem à tona a incoviniente verdade das condições em que vivem milhares de pessoas nesta cidade. Há prejuízos materiais, perdas humanas, humilhações de todas as ordens.
E entra ano e sai ano, a atitude dos governantes é a mesma: aciona defesa civil, bombeiros, decreta estado de emergência, recorre aos ministérios em Brasília pra atender a emergência...
E ainda temos que suportar aqueles comentários estupidamente reacionários que dizem "quem manda fazer casa aí?"; ou "não adianta dar casa pra eles que eles vendem e voltam pro mesmo lugar". Francamente! Mesmo sabendo que isto não se resolve de um ano pro outro, fica claro que não é prioridade para as "autoridades" acabar com esta situação.

Bem-vindo! disse...

Correção:
Não foi o furacão Katrina,
e sim o furacão Charley,
que varreu do Golfo do México
até a Flórida.

Leia aqui uma boa reflexão sobre
o que significa o bem estar
de uma sociedade:

http://criticanarede.com/justica.html

Cds Sds
Mirla

LUÍZIO VIDEOREPÓRTER disse...

Varias pessoas estão sofrendo com a perda da moradia e seus pertences com a enchente do rio Acre em todo o estado. Diante desse cenário, assim vai ser o carnaval no ACRE. Enquanto uns se divertem outros choram. A Intransigência de alguns políticos que relutam no cancelamento do carnaval de Rio Branco, promete uma folia de desigualdade social. A estrutura de policiamento para dar segurança aos bairros alagados para evitar o saqueamento, vai estar na Amadeu Barbosa protegendo a bêbados, e a estrutura de socorro dando toda a assistência aos acidentes de trânsitos motivados por condutores embriagados, enquanto que deveria estar à disposição das vitimas da enchente. Como sempre, a classe média é mais assistida. O desabafo desta jornalista retrata muito bem a DESIGUALDADE. Veja!

http://www.youtube.com/watch?v=VN6Kr5jFogY&feature=player_embedded

Pietra Dollamita disse...

Tristeza! Ver que este problema nunca será resolvido. Com carnaval ou sem carnaval o Rio Acre e outros rios se vigam do homem, pelos abusos que sofrem.
E isso, nem os reis ou vassalos podem controlar, pq ainda não são Deuses. E se pensam que são, esta ai a prova que nada podem contra a mãe natureza e suas forças.

João disse...

Que a grande maioria não está nem ai isso é fato, cada um com seu cada um... Mas lá vamos nós pra 13 (13) anos de gestão da frente popular e todos os anos é sempre a mesma desculpa. Aconselho os amigos a dá um pulinho no parque de exposição, na seis de agosto, taquari e cadeia velha.

Altemar disse...

Banco do Brasil ag 0071-X CONTA 100.000-4.