quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

BELO MONTE

Campanha contra hidrelétrica no Pará tem bancos como alvo



O Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) lançou nesta quinta-feira (8) uma campanha contra o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, tendo como foco os correntistas do Banco do Brasil, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander. O tema da campanha é “Belo Monte: com meu dinheiro não!”.

O objetivo é incentivar a sociedade brasileira a pressionar bancos públicos e privados a não participarem do financiamento da hidrelétrica, projetada em um dos trechos de maior biodiversidade no Rio Xingu.

O MXVPS espera que os clientes cobrem diretamente dos bancos para que não se envolvam com Belo Monte, “sob risco de perder contas e de prejudicar irreversivelmente a sua imagem”.

A campanha consiste em, a partir do site do MXVPS, enviar e-mail aos bancos manifestando reprovação contra a utilização de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) , por meio direto ou via repasse de outras instituções, para financiar o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte.

O MXVPS é um coletivo de organizações e movimentos sociais e ambientalistas da região de Altamira (PA) e das áreas de influência da hidrelétrica.

O movimento, que conta com o apoio de mais de 250 organizações locais, estaduais, nacionais e internacionais, agrega entidades representativas de ribeirinhos, pescadores, trabalhadores e trabalhadoras rurais, indígenas, moradores de Altamira, atingidos por barragens, movimentos de mulheres e organizações religiosas e ecumênicas.

Segundo o MXVPS, Belo Monte, assim como todas as grandes obras do PAC, depende financeiramente de um enorme empréstimo do BNDES para se viabilizar. O banco, que prometeu financiar 80% da obra, no entanto, não pretende assumir sozinho os riscos da operação. Boa parte dos recursos poderá ser transferida para outros bancos, privados e públicos, que deverão assumir parte dos contratos.

- Como grande parte dos recursos do BNDES advém de fontes como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o PIS/PASEP, é, em última instância, o dinheiro do trabalhador brasileiro que poderá viabilizar a usina - assinala uma uma nota do MXVPS.

Veja a mensagem que está sendo enviada aos bancos

“Como correntista do […] e cidadão brasileiro venho manifestar minha reprovação que os recursos do BNDES sejam utilizados, por meio direto ou via repasses de outras instituições, para financiar o Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu.

Esse empreendimento é caracterizado por graves violações de direitos humanos, irregularidades no processo de licenciamento ambiental e incertezas sobre sua viabilidade econômica, conforme já alertaram renomados cientistas, lideranças indígenas e organizações da sociedade civil, a exemplo da recente notificação extrajudicial assinada por mais de 150 entidades, enviada em outubro deste ano.

Estou ciente que o governo federal, o consórcio empreendedor Norte Energia e o BNDES estão em busca de bancos que aceitem financiar Belo Monte. Como ainda não fui informado claramente quais instituições participarão do financiamento de Belo Monte, na qualidade de cliente e cidadão brasileiro solicito mais transparência sobre essas informações, bem como manifesto minha reprovação neste financiamento por entender que ele é totalmente incompatível com os compromissos de responsabilidade social e ambiental assumidos pelas instituições que os Senhores representam.

Caso realizado, este será o maior financiamento da história do BNDES, um banco público cujo dinheiro advém, em grande parte, do FGTS, do Fundo de Amparo ao Trabalho e do contribuinte brasileiro. Como cliente e correntista dessa instituição, e como contribuinte brasileiro reafirmo minha reprovação a qualquer participação no financiamento de uma obra marcada pelo desrespeito aos direitos das populações locais e às leis do nosso país.

Sendo assim, solicito respeitosamente que a diretoria desse banco se manifeste imediatamente, no sentido de assumir um compromisso público e definitivo de não participar direta ou indiretamente do financiamento de Belo Monte.

Atenciosamente”

4 comentários:

M. Salera disse...

As pessoas na região amazônica se queixam muito por não ter notoriedade no cenário nacional. Mas sinceramente, não entendo essas queixas porque toda vez que há uma iniciativa de se desenvolver a região, aparecem críticas. Assim fica difícil. Ou se quer progresso e integração com o país, ou se quer viver no anonimato e abandono como toda boa floresta deve ser. Decidam-se.

padilha disse...

Belo Monte é uma vergonha nacional!

Chegam ao cúmulo de deturpar as falas do procurador Felício Pontes para incriminá-lo. Aqui não estamos falando de "progresso", estamos falando é de financiamento do capital internacional em detrimento do nosso ambienete e de nosso povo. Falar e admitir que o tal "progresso" vale mais que as pessoas é simplesmente ridículo e criminoso. Logo, quem defende o "progresso" para poucos em detrimento de todos é, no mínimo criminoso.
Os construtores de Belo Monte deveriam ser julgados por crimes contra a humanidade. Afinal, também nós somos moradores dessa grande casa chamada planeta terra.

Bom trabalho

Lindomar Padilha

Altemar disse...

Pelo amor de qualquer coisa.
Quem V. Sas acham que emprestou para privatizar, por exemplo, as Teles (hoje Oi, Vivo Embra e etc.), as siderúrgicas, as mineradoras só pra citar alguns, com uma pequena diferenca: o serviço prestado por TODAS já conhecemos, também sabemos o Valor (dos mais caros do mundo), e sabemos pra onde vai o lucro. Mas ninguém se lembra quando VENDERAM as de energia, e o pior é que nem contam pros descendentes, ficamos NO ESCURO - tenho 44 e lembro muito bem.
Queremos ser 1o ou 3o mundo? Acho que não vem ao caso, queremos ser brasileiros donos de nosso país e responsáveis por nossa grandeza e parte integrante do nosso destino como nação, o BraSil é NOSSO (não se escreve com Z). Leiam mais, pesquisem mais, vão nas entrelinhas, é minha humilde sugestão.

M. Salera disse...

Tá certo Sr. Padilha. Acredito que melhor que isso seria entrarmos todos nas caravelas, voltar pra Portugal, devolver o Brasil para os índios com um enorme pedido de desculpas e na bagagem levarmos as multas do Ibama pros portugueses por mais de 500 anos de desmatamento e crimes contra o meio ambiente, principalmente na região sudeste, que por "coincidência" é a mais desenvolvida do país.