segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

ANO NOVO

José Augusto Fontes

Ainda manhãs de velhas guerras
Ambições, motivos, interesses, desculpas
Tudo fácil de esquecer
Zerar o tanto querer ganhar e ganhar
Tanto incontrolável comandar e lucrar
Deletar, reiniciar o ciclo, florescer
Sem tomar ares e águas, seres e sonhos
O ano começa
E os meninos ainda seguem velhos

Velhas guerras e ambições
O ano é novo, os meninos crescem
Velhos olhos só enxergam lucros, domínios
Tudo possível de mudar
Salvar, ajudar, acordar, executar alegrias
Aposentar os velhos, os alvos, e amar
Os meninos crescem, o ano é novo
E ainda renascem velhos enganos

Velhos interesses, lideranças ilegítimas
Fácil desmascarar o querer dominar
Há melhores guerras para lutar
Fome, solidão, exploração, desilusão
Libertar acessos, sorrisos, alguma bravura
O mundo é de todo mundo
Aqui e lá, sem entregar a ternura
Ares e águas, nosso chão, nossa floresta
Não precisam de mísseis que apontam para o lucro
Ambições não despertam vida, há outras políticas
Seres, ares, águas, flora de novos motivos
Meninos, filhos, amigos, sonhos
Prazer e fazer acontecer
Para amanhecer com novos tempos
Com novos meninos.

José Augusto Fontes é cronista, poeta e juiz de direito

2 comentários:

joao disse...

Lindo e significativo poema, Zeaugusto.

Pietra Dollamita disse...

"e o cético inspetor indaga
e o asséptico escrivão descobre
que os meninos renascem das pedras
e trazem em si a marca dos anos."