quinta-feira, 10 de novembro de 2011

DOIS ARGUMENTOS FURADOS

Janu Schwab

Estranho é ver (com todo o respeito a autoridade constituída) a afobação do Governador do Acre, um Chefe de Estado, uma autoridade, se prestando a reproduzir as birras e mimimis de um bando irresponsável, retuitando xingamentos e impropérios de cegos partidários da causa da "hora mais certa" e arrivistas mil.

Hoje li cada uma: "esse povo é muito burro", "tem horas que odeio democracia", "isso vai atrasar o Acre", "voltar ao horário antigo é voltar ao tempo em que o Acre era atrasado" - essa última é uma pérola.

Na corrida do "farinha pouca meu pirão primeiro", "governador, me retuita", as pessoas são tão ingênuas (e ao que tudo indica, o Tião Viana também me pareceu ingênuo) que não percebem que falar que o Acre era atrasado antes da mudança do horário é jogar fora 10 anos de governos da Frente Popular.

Se o Acre era atrasado antes da mudança do horário, o que diabos a FPA fez pelo estado entre 1998 e 2008? Cadê o desenvolvimento? Eu, hein! O discurso é falho porque resulta de uma certa aflição em fazer valer uma ideia e fim de papo.

Olha, votei no #55 (e nessa frase o importante é o verbo votar), mas é de lascar ouvir coleguinha dizer que o novo horário é sinônimo de desenvolvimento. Isso é o mesmo que dizer que o "horário antigo é hora de Deus". Dois argumentos (com todo respeito ao Todo Poderoso) furados.

Janu Schwab é publicitário acreano em São Paulo

10 comentários:

Joema disse...

Nossa, parece coisa de menino birrento. Existe etiqueta online, quem nao tem paciencia para ler o contraditorio, que nao se meta nisso. Triste vindo de alguem que representa o estado do Acre e que deveria ser o primeiro a primar por democracia.

Excelente texto, e nao e pra variar, no seu caso.

Saudacoes,

Joema.

joaomaci disse...

Janu, o discurso é falho e em inúmeras ocasiões os que o proferem deslizam em contradições, entre outras coisas, porque no final das contas há realmente aqueles que saíram do atraso... mas seguramente não foram estes que engrossam os números da pobreza revelados pelo IBGE no último censo.

alisson disse...
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Paulo Cesar disse...

O governador é um almofadinha, autoritário e arrogante tal qual seu irmão Jorge Viana. Imagine se ele iria concordar com quem tece qualquer tipo de crítica ao seu governo e suas atitudes?

Certo mesmo é que o governo do Pt já cansou e é hora de mudar, pois o que havia de pior e azedo na oposição hoje canta e assobia do lado deles, os petistas. Preciso citar os nomes dos "anjinhos"?

Saudações amigo Altino.

alisson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Matthew Meyer disse...

Pois é, aqui na Califórnia temos atraso de mais ainda, 3 horas inteiras em relação a Washington e New York.

Acho que temos conseguido dar um jeito.

(Devo dizer que, mesmo assim, quando do inverno norteamericano, tem-se que acordar e sair no escuro para trabalhar ou ir à escola, e voltar à casa também no escuro, às 5 da tarde.)

Horário de Deus, horário do povo...o mais importante é que a população (e a oposição) tem conseguido usar esse episódio para mostrar que a FPA fala um discurso bonito de populismo que nem sempre cumpre. Bonito de ver.

alisson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Acreucho disse...

Se antes do "novo" horário o ACre era atrasado, então a Frente Popular está reconhecendo como incluso neste tempo os seus governos...

Pietra Dolamita disse...

Os imperadores não gostam de ser contrariado. Querem culpa a miséria que encontra-se a maioria da população do Acre com a desculpa do relógio, fusos.É o circo vai pegar fogo! E com certeza estarei no Acre para ver o incêndio.


Excelente posição Janu Schwab.

Lucas disse...

é exatamente isso que venho falando. vejo milhares de pessoas chorando e se lamentando nas redes sociais como se fosse o fim do mundo a volta do antigo horário. peralá! quer dizer que agora um estado precisa de um novo horário pra entrar no contexto de desenvolvimento? e antes então? é atirar no próprio pé dizer uma coisa dessas. penso que o desenvolvimento começa a partir de uma boa administração, capacidade de gerir e intervir, boas ideias e transparência e não um novo horário. a questão do fuso horário não é desenvolvimentista, nem religiosa, é geográfica. ponto.