terça-feira, 4 de outubro de 2011

RACHA COISA NENHUMA

Elson Martins

Numa breve entrevista ao jornalista Altino Machado, publicada no blog deste na edição de ontem, o petista Abrahim Farhat Neto, o Lhé, declara que seu pré-candidato a prefeito de Rio Branco é o deputado federal Sibá Machado. Ele esclarece também, com a naturalidade que lhe é comum, que as principais lideranças e os organizadores do partido no Acre não têm moral para “impor” candidato à base partidária, porque perderam as eleições na capital em 2010. Citou entre os perdedores o Carioca, pensador estrategista do PT, o ex-governador Binho Marques, o atual senador Jorge Viana...

Provavelmente sentindo cheiro de queimado, o jornalista o provocou:

- O governador Tião Viana também?

- Sim, todos eles, respondeu Lhé, sem bater a passarinha - Eles perderam as eleições no Estado todo. Ainda bem que o Orlei (Cameli) ganhou as eleições no Juruá...

- Mas então vai haver um racha grande, fissura? – indagou Altino.

- Não! Isso não é nada de racha, isso é democracia!

Claro, Abrahim sabe que a democracia é alimento básico do PT. Foi assim que o partido nasceu no Acre, no limiar dos anos 80, tendo que se defender do preconceito, da truculência policial, das ameaças generalizadas vindas dos homens do poder. Naquela época, os poderosos de todos os matizes viviam cumpliciados oferecendo garantias aos estranhos que chegavam de outras regiões do País para tomar conta das terras acreanas. Juntavam-se para expulsar famílias de seringueiros, ribeirinhos e posseiros, além dos indígenas que vivem na floresta.

Não fosse a Igreja, a Contag, alguns ativistas políticos de esquerda e também políticos com identidade regional, ia tudo para o brejo. Nas manhãs de domingo, famílias já desarrumadas e aflitas se juntaram no pátio do Colégio Meta, avenida Epaminondas Jácome, entre panelas com arroz e feijão, cartilhas da Igreja, cópias do Estatuto da Terra, palavras de resistência e cânticos religiosos. Assim nasceu uma nova política, com um novo partido.

Engana-se quem pensa que essa nova política morreu. O Acre de hoje é um Acre sobrevivente, muito melhor que o que existia naqueles tempos, e a transformação veio dessa força política cultural e histórica que se mantém viva nos seringais, nas beiras de rios, nos locais mais adentrados da floresta. Se ela deixar de existir, aí sim, o Acre também desaparecerá. Será outra coisa, outra sociedade, outro povo com novas escolhas de vida.

É claro que a cada eleição esta sociedade da floresta sofre ameaça contra sua identidade cultural e sua tradição. Por enquanto, entretanto, parece capaz de se defender identificando em seu meio o que precisa ser combatido.

O partido do Lhé tem um programa de governo que contempla o Acre inteiro. Há mais de duas décadas investiu na organização, na estrutura e no planejamento do estado produzindo mapas, juntando informações, ouvindo planos e sonhos comunitários.

Esse programa pode ser discutido, modificado ou ampliado, só não pode é ser ignorado, nem pelo candidato do Lhé, nem por outros nomes do PT ou da Frente Popular. Muito menos, por quem nem programa tem, e faz parte das ameaças contra o Acre.

O Lhé sabe disso. Acho que esse foi o recado que ele deu ao Altino Machado.

Elson Martins escreve no Página 20.

Meu comentário: O recado não foi para mim. Na verdade Abrahim Farhat pediu espaço no blog para mandar um recado aos caciques do PT no Acre. Apenas cedi o espaço que o Lhé diz ser negado na imprensa acreana a ele e ao deputado Sibá Machado. Parece que surtiu efeito. É provável que nesta semanas haja novas manifestações públicas de perfeita unidade no PT e na Frente Popular do Acre. Sibá Machado será neutralizado e isolado.

12 comentários:

João Francisco disse...

Altin, bom dia.

O Discurso do Jornalista do página 20, logo é jornalista do PT, é bem afinado com os lenga-lenga do governante atual, ninguém ama a natureza mais que nós acreanos do pé rachado, mas ele também poderia relatar no artigo sobre a geração de empregos, das gerações perdidas, jovens que tinham dez ou doze anos quando o PT assumiu hoje estão desempregados. Bem enquanto aquela turma que se reunia para tomar as terras dos seringueiros acreanos estão bem representados no âmago do governo, exemplos: O Orleir e Cesar Messias, o Narciso Mendes,os pecuaristas (fazendeiro é muito brega), no acre real é outra coisa, a igreja católica foi substituida pelo conservadores protestantes, o Edvaldo Magalhães e familia viraram capitalista, jornalistas estão na folha do governo,a familia vianov expulsou a Celia Pedrina do acre, as instituições estão sob controle oficial, um pouco de democracia faz bem ou não?

Altemar disse...

Me amarrei nos "Vianov"

Acreucho disse...

"...e faz parte das ameaças contra o Acre".
A coisa mais brega que se pode ouvir de quem tem a pretensão de ser um jornalista é o apoio à política do "bom e mau". Por sinal, jornalista apoiar qualquer facção partidária política já é uma coisa errada, jornalista tem que ser neutro e imparcial, a parcialidade deve ser deixada para os blogueiros como eu e outros apaixonados por política. Eu não faço parte dessa Frente que governa o estado com uma "ditadura" travestida de "pseudo-democracia" e não me considero do mal, nem sou uma ameaça ao Acre, muito pelo contrário, escolhi o Acre para viver e ter uma família e, inclusive para morrer, pois, não pretendo sair daqui. O PT do Acre nada mais é do que uma "Empresa", o Acre continua sendo a "Empreza", como o chamaram pela primeira vez. Os petistas "pé no chão" de outrora estão todos ricos ou melhor endinheirados, porque rico é outra coisa, os que não estão é porque são burros. Até acredito que o Sibá Machado esteja sendo fritado pelos próprios companheiros porque talvez tivesse boas intenções, como aconteceu com Marina, que foi desprestigiada a ponto de sair do PT, porque não pensava como eles. Como democrata nato, oposicionista por convicção, não aceito críticas de jornalistas que sejam assalariados do governo, cujas "opiniões" estejam escritas nos catecismos rezados pelo PT.

Enzo Mercurio disse...

O LHE é um homem que tem experiencia ... pode falar .
Agora o Sibá nao conheço quem é mesmo ?
Nasceu onde ?

Pietra Dolamita disse...

Cada um defende o seu pão, e o pão de cada um tem de ser defendido, não importando se este pão é um pão somente, ou um complexo de padaria.Em suma, cada um deve defender o seu: salários, cargos, etc...E viva a Democracia!

vilmar disse...

"O que me intristesse não é a imparcialidade da imprensa e sim quem acredita nela!" VB

Ninguém, nem a imprensa tem obrigação de ser imparcial, o que não podem é ser obscuras e hipocritas...

agora isso aqui...!?
"parcialidade deve ser deixada para os blogueiros" = "Como democrata nato, oposicionista por convicção, não aceito críticas"???

assim é a imparcialidade (obscura!)

Janu Schwab disse...

Bom, o Acreucho tem razão. Um tanto mais que a razão do jornalista do Página 20, que levanta um (já gasto) apanhado de meias verdades sobre a realidade do PT - sempre vinculada ao Acre.

Meias verdades. O que quer dizer que nada é uma verdade absoluta - que para ser absoluta precisa de outras tantas meias verdades, geralmente contrárias.

Façamos então como manda o roteiro: juntemos a meia verdade do jornalista do Página 20 com a meia verdade do blogueiro apaixonado por política que escolheu o Acre para viver - e morrer. O que temos?

Uma verdade absoluta que, independente de partidos, nos traz um Acre onde a população vive a mercê de grupos políticos e seus projetos de prolongamento de statu quo.

Um Acre onde não se produz com auto suficiência a ponto de desvincular a economia local da máquina pública, fortalecer o comércio e a indústria, e atrair investimentos/interesses estratégicos que não sejam apenas político-partidário.

A nova política que o jornalista cita com saudosismo não existe mais. E isso já foi discutido aqui e em outros cantos. Depois de mais de década no comando do estado, não há como aquela luta ser a mesma. A única luta da FPA é a de se manter no poder. E digo isso sem fazer julgamentos. Não agora.

É errado dizer que a luta da FPA é manter o Acre no caminho do desenvolvimento. Isso não é luta. É a obrigação de quem foi eleito pelos cidadãos para tal. Mas como fomos tão acostumados a nos contentar com pouco, quando algo está acima da média (que é baixa), aplaudimos. É carência pura.

O problema é que no Acre, o jogo político norteia a vida de todos. A política não se limita a bebericar um cafézinho ou comer um quêbe com você em época de eleição. Ela bate a sua porta, senta na sua casa e diz que "pra você vencer na vida" tem que entrar no eixo. Ou ao menos ficar calado.

Aí o fazer política se confunde com a gestão do que é Público. Os gerentes, técnicos e especialistas se lambuzam no fisiologismo e o maior desafio é lidar com o diz-que-me-disse e os rótulos de ser-ou-não-ser-como-nós, estar-ou-não-estar-conosco. Pra quem gosta do jogo, de bater no peito e brincar de ser militante, ok. E pra quem não gosta? Resta a alienação. Ou o "exílio".

Bom será quando o Acre chegar num ponto em que os conchavos, os quiproquos e tralalás políticos interferissem menos nas vidas dos acreanos. E que apenas os resultados das ações de gestão contassem para nós.

Que a política não nos constrangesse com suas indicações, com seus pedidos de votos/apoio em troca de um "carguinho" aqui e ali, com o pequeno poder de seus protegidos, com shows e exposições estrategicamente escolhidos ou rejeitados, com os jornais transformados em extensão de gabinetes e com portas fechadas para quem não concorda com isso tudo - seja um isso tudo de situação ou oposição.

Aí, rapaz, junte isso com o carinho que se costuma ter pela terra que a gente nasce ou escolhe pra morar e o Acre vai ser o melhor lugar para se viver na Amazônia.

Acreucho disse...

"...nos traz um Acre onde a população vive a mercê de grupos políticos e seus projetos de prolongamento de statu quo..."

Infelizmente Janu uma grande verdade...

eliomar m. disse...

É que o Vianov. Que saiu de um leitor do blog, é o mesmo que Wladimir Putin, Dimitre Nedvedev e principalmente do assassino Hitler. E os petistas de carteirinha ou não são submetidos à esse regime de semi escravidão politica.

Joema disse...

Texto bem escrito pelo jornalista, mas um tanto kitsch pro meu gosto.

Ainda prefiro os comentarios, pela contundencia de ideias.

Joema.

Almanacre disse...

O comentário do Janu Schwab mexeu comigo. É inteligente e parece, de fato, mais verdadeiro que o meu texto. Entretanto, continuo acreditando que nessa história recente do Acre - de 1970 para cá - tem coisas que transcendem análises apressadas, politicas ou não.O estado sofreu um choque, um soco no estômago durante o regime militar que financiou uma invasão de pseudos fazendeiros para derrubar a floresta, com os seringueiros dentro, transformando os seringais em pastos. Milhares de familias foram expulsas para as cidades acreanas ou para a Bolívia, e quando os trabalhadores começaram a resistir, tiveram seus lideres assassinados: Wilson Pinheiro, Chico Mendes, Ivair Igino...O PT do Acre nasceu dessa resistência e para chegar ao poder teve que lutar contra todos:governos, policia, justiça, jagunços, o crime organizado...Foram muitas as conquistas, mas os inimigos do Acre permanecen a postos, esperando a hora de contra-atacar. É fácil identifica-los no discurso, no descompromisso, nas ações eleitoreiras que confudem pessoas mal informadas e socialmente desarrumadas. Tenho sido, como jornalista, testemunha dessa história e temo as recaidas que tendem a minar aa forças da acreanidade. Temo pelo futuro do Acre, que imaginava ser possivel seguir um modelo menos mercadológico, menos capitalista. De qualquer modo, continuarei fazendo parte da resistência, cada vez menos como jornalista e mais como cidadão acreano, comum e indignado.

Julio Cesar disse...

Lhé, Lhé, toma cuidado se não o petista Duda Marques te dá uns cascudos.O "Lhé é meu amigo mexeu com ele mexeu comigo". Os "Vianov" morrem de medo dos cardeais petista de São Paulo duvido que façam alguma coisa contra o Lhé, ficaremos atentos.