sábado, 19 de fevereiro de 2011

FALHAS NA DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA NO ACRE

POR ROBERTO FERES

Na última quinta-feira (17), quando cheguei em casa para o almoço, constatei que o automatizador do portão da garagem não funcionava.

Realizei um teste inicial, limitado a poucos conhecimentos de eletrotécnica, e verifiquei que um fusível de 5A, localizado na placa de circuitos, estava queimado. Adquiri um novo fusível e substitui o defeituoso. Porém, ao ligar o sistema (disjuntor bifásico no quadro de distribuição), o fusível queimou novamente.

Acionei então a assistência técnica, que diagnosticou o problema e consertou o equipamento, felizmente por um valor irrisório de R$ 30,00. Caso houvesse queimado o conjunto, isso teria custado R$ 1.100,00.

Soube posteriormente, nos contatos com a vizinhança, que no mesmo momento do problema no automatizador do portão, outros equipamentos queimaram em residências servidas pela mesma rede externa. Hoje, com mais tempo, analisei os dados transferidos ao meu computador doméstico por um nobreak que tenho instalado (trifásico, 5KVA). Veja o quadro abaixo com o log de dados da manhã do sinistro:


Note que entre as 10h36min47seg e as 11h3min44seg, portanto em menos de uma hora, houve nove eventos de desligamento e religamento da rede elétrica. São panes como aquela de quinta-feira que danificam os equipamentos elétrico-eletrônicos com os quais contamos tanto no dia-a-dia.

Para esta análise não contei com dados sobre a qualidade da energia disponibilizada, principalmente em relação às variações de tensão da rede (o log dessas informações para o período analisado havia sido apagado).  Ilustrativamente, mostro na tabela abaixo os resultados obtidos para o dia seguinte ao sinistro referentes à voltagem recebida da concessionária na entrada no equipamento.


Num dia quando não ocorreram distúrbios notáveis na vizinhança e o log de dados do nobreak não acusou nenhum desligamento, a variação entre a tensão mínima e a máxima ofertada pela concessionária (medidas a cada 2 minutos) foi de quase 10% em relação à voltagem média. Embora estejamos acostumados a variações dessa magnitude em Rio Branco, há que se considerar que é um valor alto para ser assimilado pelos circuitos elétricos em geral.

E não dá para se dizer que é um problema localizado na rede da minha rua. Outras vezes já tive a oportunidade de analisar dados de variação da energia em outros pontos da cidade e obtive resultado bem mais discrepantes.

Hoje em dia, ao que pude me informar, quando um equipamento elétrico é queimado por falha na distribuição de energia, a companhia de eletricidade ressarce os danos ao consumidor com certa facilidade. Entretanto, considerando a máxima econômica de que “não existe almoço grátis”, esse ônus é certamente redistribuído na conta de cada um. Ou não?

Roberto Feres é engenheiro civil, perito da Polícia Federal

2 comentários:

Evandro Ferreira disse...

Roberto, notei que aos poucos você está de volta à blogosfera - mesmo que indiretamente. E sempre com contribuições relevantes.

Está na hora de reviver o "Andando pela cidade"!

Evandro

Ângelo Maykel disse...

É meus camaradas o Feres é o cara.