sexta-feira, 27 de novembro de 2009

EU BALANÇO


Dona Peregrina Gomes Serra, viúva do mestre Raimundo Irineu Serra (1892-1971), fundador da doutrina do daime, está descontente com o que considera desonestidade da banda de rock Los Porongas.

Há mais de dois anos, o vocalista Diogo Soares esteve na casa dela. Foi pedir autorização para cantar trecho do hino "Eu balanço" nos shows da banda.

Dona Peregrina, dignitária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - Alto Santo, negou o pedido. A banda a desrespeita por intepretar trecho do hino de Irineu Serra sem autorização. Sequer menciona a autoria.

- Ele que faça música para a fuzarca dele, mas respeite a obra do meu velho - aconselha dona Peregrina.

Eu balanço

(Raimundo Irineu Serra)

Eu balanço e eu balanço,
E eu balanço tudo enquanto há.

Eu chamo o sol, chamo a lua
E chamo a estrela,
Para todos vir me acompanhar.

Eu balanço e eu balanço,
E eu balanço tudo enquanto há.

Eu chamo o vento, chamo a terra
E chamo o mar,
Para todos vir me acompanhar.

Eu balanço e eu balanço,
E eu balanço tudo enquanto há.

Chamo o cipó, chamo a folha
E chamo a água,
Para unir e vir me amostrar.

Eu balanço e eu balanço,
E eu balanço tudo enquanto há.

Tenho prazer, tenho força e tenho tudo,
Porque Deus eterno é quem me dá.

18 comentários:

Jonas Amado Araújo disse...

Estão brigando por isso? Eu que pensei que Calypso era o fundo do poço. Afe!

Alysson disse...

Ela deveria estar agradecida pela banda. Os Porongas tem divulgado o daime por todo o brasil. Acredito que este seria o desejo do mestre Raimundo Serra.

ALTINO MACHADO disse...

Alysson, você acha que sabe mais que a viuva qual seria o desejo do mestre Irineu?

Wesley Diogenes disse...

Altino! o chá produzido pelos índios foi permitido, opianaram ou obtiveram a autorização dos índios para tal uso de seu chá com rituais e novas crenças, ou respeitados? idiota como vc é, sei q vai excluir esse comentário, mas responda por si, teve aval dos índios para utilizar sua cultura totalmene distorçida em sua raiz primordial. Q tal fazer na ufac pelo menos as matérias de ética... sobre ética vc é mais anafalbeto, q um cego sem ler braille, sei q vc é covarde para publicar esse post, mas tenho certeza q lerá. abraços autodidata frustado.

ALTINO MACHADO disse...

Wesley, consta no seu perfil que você é seguidor deste idiota, analfabeto em ética e autodidata frustrado. Faça isso não, rapaz. Em tempo: o correto é distorcida e não "distorçida", conforme você pespegou. Vou pensar numa resposta enquanto você configura o seu teclado.

Luís Eduardo C. R. Valle disse...

Alysson, acha mesmo que a bandinha divulga a música pelo Brasil inteiro!?
Fala sério.
Penso que se por acaso mudarem as lideranças por aqui, coencidentemente a bandinha deixa de se apresentar pelo "Brasil inteiro" e volta a ficar pelas bandas de cá mesmo.
Acredita em Papai Noel também?

Paulo Góes disse...

Caro Wesley,
apesar de uma forma infeliz de se expressar você coloca uma questão interessante, ainda que essa possa ser definida como um "falso problema".

O fato do oni/ayahuasca provir da sabedoria indígena invalida qualquer outra forma de se usá-lo ritualmente?

Vamos então propor aos Guarani que processem os gaúchos pelo uso da erva mate!

Onde está a falsidade do problema? Que cultura primordial é essa a que você se refere? Seriam os kaxinawa os detentores primordiais desse saber? ou seriam os Ashaninka, Marubo, Matis ou Katukina? se você pesquisar verá que ainda que compartilhem um universo que nós chamamos xamânico, os usos (e, sobretudo, as concepções sobre esses usos) são bastante distintos.

Essa essencialização da idéia de cultura é um problema. Cultura estanque é cultura de museu.

Para não me alongar, quem seria o representante indígena que forneceria tal autorização? (e estou fingindo que desconsidero que mestre Irineu viveu um tempo bem menos burocratizado)

Paulo Góes

Egidio Pandolfo disse...

Prezados,
Creio que alguns comentários se afastaram da questão principal do post. A letra do hino é de autoria do mestre Irineu. Os herdeiros são os responsáveis por zelar por aquele patrimônio cultural. Eles dizem onde e quando a música pode ser veiculada. Dona Peregrina tem todo o direito de vetar uso do "Eu Balanço" pela banda "Los Porongas". A questão do uso do chá é uma coisa, direito autoral é outra totalmente diferente.
Abraços,

ViniciusBraga disse...

questao polemica. Afinal daime é ou nao droga ? que constitui religiao todos sabem. mas e se alguem criar uma religiao exaltando a maconha ou mesmo a cocaina ?? fica o questionamento.


abraços altino e continue o bom trabalho. Independente e direto.

Janu Schwab disse...

Que sinuquinha de bico essa, ein?

Esperança disse...

Meu apoio total a Dona Peregrina Serra. Ela, preserva com carimho e amor a doutrina deixada por seu marido, RAIMUNDO IRINEU SERRA. O grupo Los poronga que tratem de compor suas próprias músicas, (ou não são capazes?). Os hinos do MESTRE IRINEU, são sagrados,e não para ser cantados em palcos, sabe-se lá onde. É preciso respeitar.

Silene disse...

As composições só se tornam de dominio público depois de setenta anos da sua criação, portanto se a herdeira da obra não permitiu seu uso, o Diogo,meu amigo querido, errou.

sérgio de carvalho disse...

Até compreendo a necessidade de D. Peregrina em preservar a memória do mestre. porém, vejo com ótimos olhos a releitura dos versos através dos Los Porongas, cultura é assim mesmo, dinâmica e viva. Não acredito que o Mestre, no astral, está incomodado com isso, não acredito mesmo. Ele deve é estar amarradão na força da juventude reinterpretando seu hino.Que o poeta possa sempre ter a liberdade de ver olhos livres...
"Eu vejo um museu de grandes novidades..."

Bandeira disse...

Sem entrar na discussão se daime é ou não droga, mas os seguidores da doutrina enxergam o daime como algo sagrado e sublime, o que tornar-se banal na voz de Diogo Soares, que, ao invés de divulgar, difama a cultura acriana daimista.

Um daimista não sente orgulho ao ouvir os Los Porongas cantando "Eu Balanço" em seus shows, sente vergonha de ver sua crença sendo desrespeitada daquela forma.

Thiago Silva disse...

Caro Altino, ótimo post e muitos comentários sem noção. Não responderei a nenhum deles (apesar do ímpeto inicial ao ler cada um), pois são tão ignorantes que não merecem resposta.

Dei-me o trabalho de escrever só para render-lhe apoio contra insultos injustos.
Que a Paz de Deus te acompanhe e acalme todos os leigos críticos de plantão.

Homini Pax.

Bento disse...

Caro Altino, a confusão é só aqui embaixo...canta, não canta...isso é da era do dualismo. A era que se avizinha é de união.
Agora, se Dona Peregrina pediu...que tal o grupo ir lá no Alto Santo, beber o Santo Daime e...depois resolver se vai ou não cantar?
Paz na terra!

ALTINO MACHADO disse...

Comentário enviado pela atriz e produtora cultural Karla Martins:

"Olá Altino, aí vai a íntegra da postagem.


Altino, estive presente, aliás o Toinho Alves também, na ocasião em que o Diogo conversou com a Dona Peregrina, na verdade ele solicitava a inclusão da música no DVD dos Porongas e ela não autorizou por muitos motivos que ela citou. Alegou inclusive que o Ney Matogrosso quis gravar o hino "Lua Branca" e ela não autorizou. Na hora ela não proibiu de cantar, não usou esta palavra, porém recomendou que não cantassem, usando a expressão "depois essas coisas pesam pra mim" ou seja uma justificativa espiritual para a decisão, temos que entender as mensagens mesmo quando elas não são ditas claramente. Sei que os Porongas não usam para ofender, ao contrário certamente eles acreditam que reforça sua acreanidade, são jovens músicos que batalham por um espaço para divulgar seu trabalho dignamente e como qualquer pessoa são passíveis de erro. Acredito que eles respeitam Dona Peregrina e respeitam o daime, acho bom seu comentário que deve servir de alerta para eles para refletirem sobre o pedido dela.
Dona Peregrina é uma mulher ímpar, sem igual e de uma fortaleza inquebrantável. Merece ser ouvida e atendida por todos nós.


Antes de eu assinar não consegui mandar, se vc puder poste por mim, agradeço sua gentileza. Não estou nem conseguindo abrir o teu blog. Porém achei muita arrogância o Diogo falar que vê o Mestre sorrindo para ele, acho pouco sério e desrespeitoso, sintá-se a vontade para publicar. Respeito os meninos mas algumas coisas tem limites e principalmente as que envolvem questões espirituais tão delicadas.

Abraço
Karla"

Trabalhos deAlexandre disse...

Com Licença
Os hinos não existem para serem cantados em bares, shows onde a galera tá tomando todas, falando palavrão, se pegando, etc..., eles tem um contexto e uma força que devem ser preservados. A comunidade preserva isso, mas como eles podem preservar os hinos dos que não tem a noção e o respeito necessário? Direitos autorais?
É por isso que a Madrinha Peregrina afirma que pesa para ela. Acho uma atitude egoísta fazer o que estão fazendo, os hinos existem para um contexto específico, de oração e de trabalho espiritual, que não deve ser feito com bagunça e farra.
E mais, o Daime não é quem precisa de divulgação, mas parece que alguns artistas que querem se promover as custas dele.