terça-feira, 27 de outubro de 2009

O NOVO JORNALISMO ACREANO

Josafá Batista

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (Sinjac), Marcos Vicentti, anunciou hoje em entrevista ao programa Boa Tarde Rio Branco a realização de um evento público para discutir um "novo jornalismo"; algo capaz, segundo ele, de adequar-se "ao novo momento que o Acre vive atualmente".

Taí uma coisa que não pretendo perder (como diz a Beth Passos, "nem sob tortura!"). Entre outras questões, quero saber o que é esse "novo momento" e quais as suas implicações REAIS para a vida das pessoas: sem desconsiderar a beleza dos nossos novos, verdes e belos monumentos e praças, a miséria, o desemprego e a violência não só se mantém nos mesmos espaços da cidade como também dispararam em intensidade!

Que novo momento é esse que não tem implicações práticas na vida da maioria das pessoas?

Obviamente isso tem a ver com o tipo do jornalismo que se pratica hoje, não só no Acre como no resto do país: diferentemente da velha concepção positivista, a História não é escrita por "grandes homens" e suas "grandes realizações". A História é escrita por processos sociais, sendo tais processos ao mesmo tempo manifestos e ocultados ao longo da sua realização.

Não é por acaso, por exemplo, que o PROCESSO do desgaste da política tradicional acreana tenha produzido as novas lideranças políticas que governam no Acre atualmente, assim como não é coincidência que essas lideranças lutem para ocultar o seu próprio desgaste ao colocar-se, na própria imprensa, como a quintessência final, a realização da História da política acreana - e nesse processo costumam inclusive negar fatos históricos concretos, como rebeliões de presidiários, corrupção, violência urbana, negociatas com os barões da nossa mídia etc.

Curiosamente o mesmo processo é seguido por muitos críticos (ou supostos críticos) desta trajetória. Altino Machado e Toinho Alves, só para citar dois intelectuais orgânicos dessa nova fase histórica, fazem crítica ao poder no exato tom que os atuais donos desse poder usam para criticar os donos - antigos - do mesmo poder.

Altino e Toinho - e há outros - não se colocam como atores de um processo social, não reconhecem que a crise do jornalismo sintomatiza uma crise de um sistema inteiro.

A crise da nossa imprensa é mero sintoma da crise de comunicação social.

A crise não é de informação, de notícia. A crise é de expressão, da - falta de - debate, da percepção muito clara da população de que este tipo de jornalismo atual só transmite um único tipo de visão da sociedade: a visão dos proprietários, dos salvadores de coisa alguma, dos coronéis de barranco high-tech ávidos pelo tilintar do erário público em seus bolsos sem fundos...

A origem da crise é até meio óbvia: não pode haver comunicação social se os meios de produzi-la são restritos a meia dúzia de comerciantes da informação.

A solução para as crises, a da imprensa e a da comunicação, não é outra senão a democratização dos meios de comunicação. É o controle social das empresas que produzem a ação comunicacional, e com elas o próprio ato de comunicar.

Absurdo? Absurdo é alguém desconhecer hoje em dia a origem suja das pomposas empresas de comunicação que atuam no Acre hoje, todas erguidas sobre camadas de dinheiro público, e portanto social.

Portanto, a César o que é de César, a Deus o que é de Deus, e ao povo o que é do povo!

Josafá Batista escreve no Blog do Josafá

11 comentários:

Rosangela Barros disse...

Boa noite, Altino!

Ótima informação desse "novo jornalismo", creio que aí deve-se acrescentar a preocupação com história de vida das pessoas que fazem parte desses processos sociais, que obscuramente estão submersas à história oficial dos fatos e creio: deve ser um dos motivos da “crise na nossa imprensa”, como você bem disse, Caro, Josafá: “A História é escrita por processos sociais”, mas num país anti-democrático! Como vamos conviver com uma imprensa volta para as informações investigativas da realidade dos fatos?

Rosangela Barros disse...

Boa noite, Altino!

Ótima informação desse "novo jornalismo", creio que aí deve-se acrescentar a preocupação com história de vida das pessoas que fazem parte desses processos sociais, que obscuramente estão submersas à história oficial dos fatos e creio: deve ser um dos motivos da “crise na nossa imprensa”, como você bem disse, Caro, Josafá: “A História é escrita por processos sociais”, mas num país anti-democrático! Como vamos conviver com uma imprensa volta para as informações investigativas da realidade dos fatos?

Acreucho disse...

Não há crise na imprensa acreana! Na realidade, nem há "imprensa acreana". Não há como criar "um novo jornalismo", se o "velho" praticamente não existe. O que temos por aqui são "orgãos de comunicação "dadores" de notícias", praticamente "leitores de realeses", ninguém se arrisca a uma opinião, a uma crítica séria e contundente, a uma cobrança para com as autoridades. "Jornalistas" fazem entrevistas "água com açucar" com as mais altas autoridades do estado, sem cobrar nada, sem deixá-las numa sinuca de bico, sem pressiona-las, sem perguntar o que o povo quer saber.
Que novo será esse que Marcos Vicente quer apresentar? De repente, nossos jornalistas e repórteres irão se rebelar e começar a fazer as perguntas certas? Coisa nenhuma, é apenas chaveco. A coisa mais difícil de se conseguir no Acre é um emprego. Há mais "jornalistas" do que leitores para suas letras. TV, rádio, jornais impressos, jornais virtuais, até blogs são patrocinados, diga-se de passagem, à peso de ouro pelo governo, claro que só irão falar coisas boas desse governo. O Rio Branco, quando o Narciso era da oposição estava praticamente falido, agora está recuperado. Mas, quem manda lá dentro são os realeses do governo. Não sou jornalista, se o fosse, pela minha linha crítica, morreria de fome. Porque criar o "novo jornalismo" se não existe "nem o velho"? Jornalismo é algo muito diferente de simplesmente "formar-se em jornalismo". Jornalista tem que ter isenção, posição, opinião e liberdade de expressão.

Valterlucio disse...

Sinceridade? Eu nem ambicionaria um NOVO jornalismo. Me contentaria com UM. Seja lá qual for.

Rosangela Barros disse...

Caríssimos, acreditemos que Marcos Vicente deve está pensando num jornalismo revolucionário onde as verdades dos fatos possa prevalecer sem a interferência do poder governamental! Já imaginou o jornalismo acreano sendo destaque nacional! O Acreucho só arrasa com a imprensa acreana, mas essa decadência da imprensa é brasileira... Como no Acre vai ser diferente?

Michele disse...

Vc deveria criar era um jornal p venderem portas de escolas, suas criticas sao 10! é realmente isso q ocorre aqui em Vianopolis

Francisco Dias disse...

Acessem este link http://www.maskate.com.br/
Esse tem uma metralhadora giratória onde ninguém escapa, prefeitos, vereadores,deputados ,senadores,governador, comparo ele com o Altino.

Josafá Batista disse...

Altino, obrigado pela reprodução do texto; agradeço também a todos pelos comentários e quero dizer que eles acabam confirmando a provocação do meu texto: a crise não é da "imprensa", da profissão, apesar de ter se alastrado a ela. A crise é de participação, de possibilidade de expressão pública (exatamente aquilo que os blogs proporcionam hoje, daí a sua enorme audiência).
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O segredo do sucesso dos blogs é justamente conceder um pouco mais desta participação, e portanto de democracia comunicativa, a quem quer que esteja interessado em discutir.
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Mas isso não resolve todo o problema. A forma de comunicação social que usamos hoje não funciona mais exatamente porque não dá conta de uma sociedade participativa. O chamado "jornalismo" que temos hoje é uma invenção muito apropriada para uma sociedade normatizada e submetida à vontade de uma única classe social que estabelece valores e deveres para todos.
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É óbvio que isso gerou um problema, que a imprensa costuma enxergar como "notícias": violência interpessoal, miséria, egoísmo etc. No entanto, e como era de se esperar, agora a sociedade não suporta mais e exige a possibilidade de expressar-se livremente e sem tolhimentos.
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Onde, hoje, as pessoas podem expressar-se publicamente sobre os temas da vida pública? Onde conseguem expressar suas idéias, seus medos, suas dúvidas, suas opiniões, enfim?
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Ora, se é justamente a participação social que produz a democracia, o fenômeno que tolhe esta participação fere de morte a própria democracia. E podem crer: tem muita gente interessada nisso...

Acreucho disse...

Minha cara Rosangela, "eu não arraso com a imprensa acreana", são os governantes petistas que arrasam com ela, mantendo-a debaixo do tacão da sua bota, humilhada, obrigando-a a ser subserviente pelo poder econômico que exercem. Numa coisa você tem razão, isso é uma epidemia nacional. O PT mete e colher em todo lugar! Porque não aqui? Cabe a nós, democratas, nos rebelarmos e não aceitar a ditadura petista.

Rosangela Barros disse...

Bom dia, Acreucho!

Eu concordo em muito com suas palavras!... É por essas e outras que eu estou a navegar em outros mares!... Mas a falta de democracia na comunicação acreana está, também, nas nossas origens, tão enraizada que só uma revolução para possibilitar a democratização plena da comunicação!
Os Petistas são apenas meros reprodutores de um sistema caduco e defasado do fazer político!

Parabéns ao Josafá, belas palavras que nos dão ânimo para ir vivendo e falando democraticamente!

Anônimo disse...

O problema não é da imprensa, é da imprensa!!!

Jornalista tecnicista, só faz matéria pré-determinada pelo patrão, ora pela convicção de quem querem favorecer, ora pelo “bom contrato firmado”. Neste caso não em questão a boa informação e só fazem pela conveniência. Pelo outro lado só fazem questão de atacar, não estão nem aí em prestar informação de valor, atacam pelo contrato não firmado... É lamentável!

Briga de informação só fica entre os profissionais da imprensa, pois o “povão” não esta nem aí pelas opiniões dos intelectos pseudos formadores de opinião, o povão quer mesmo é Telejornais mostrando corpos desovados em beira de estradas, visinho que esfaqueou visinho e acidentes de transito mostrando veículos por cima de motocicletas.

Com tanto jogo de informação uns prós e outros contra, perdeu-se o valor de acreditar na imprensa.