sexta-feira, 8 de maio de 2009

A CÉLULA

Kemis Viana


Mil perdões aos ecumênicos de plantão, pois talvez o que tenho para dizer aqui não seja das coisas mais agradáveis aos ouvidos dos novos cristãos superpops que vêm tomando conta do cenário. Desculpem-me, mas é que o desdobrar dos acontecimentos acabam por revelar novas facetas para situações até então inertes aos nossos olhos quase sempre inocentes e livres de malícia.

Já há pelo menos um ano que um curioso frenesi tem se formado quase em frente à minha casa, numa ruazinha de típica de um subúrbio riobranquense. A vizinhança aqui sempre foi tranquila, tirando os eventuais bafafás característicos de um lugar onde as residências foram construídas uma juntinha da outra, com uma cerca ou um muro entre elas. O fato é que numa escala crescente, aos poucos o burburinho e a barulheira foi se tornando uma constante nos fins de tarde e noites à fora da nossa ruazinha. Mas quem são estes misteriosos elementos que tanto incomodam a vizinhança, com suas correrias, gritarias e cantorias no meio da rua? Como diria minha mãe: Que furdunço é esse?

- Calma, mãe! É a célula!

A célula, pelo que entendi, do alto de meu restrito conhecimento religioso moderno, é uma espécie de círculo de fiéis, encabeçado por um representante da dita igreja, ao qual intitulam líder (de célula, imagino). O líder, tal qual um gerente de empresa de eletrodomésticos, tem a árdua tarefa de aumentar o lucro, digo! De arrebatar o máximo de gente, mesmo que seja um monte de cabeças-ocas (caso do meu bairro), para engrossar o caldo que compõe a bendita célula. Ou seja, bussiness to bussiness e o negócio tem que prosperar.

Sinceramente, não entro nem neste mérito de ética empresarial aplicada ao mundo religioso. Para mim, quem quiser investir seus dízimos ou rendimentos em prol de uma coisa que lhe proporcione algum benefício espiritual ou incremente sua fé, que o faça. Mas o cerne da questão aqui não é este. O problema está na indução que se esconde por trás desta cortina. Senão, vejamos.

Alguns meses atrás, nesta mesma célula, uma garota, de não mais que 13 anos, assídua frequentadora dos cultos, saiu grávida. O pai também é da célula, e o casal provavelmente concebeu a criança em um dos alegres happy hours que sempre ocorrem depois que a célula acaba, em algum cantinho escuro da rua (lembram da barulheira que falei no início do texto?). A criança já nasceu e passa bem. Pudera, foi entregue para adoção a uma família próxima. E a referida garota, ao que parece, já anda à procura de um novo bucho. Não falta a uma célula e nem tão pouco às brincadeirinhas de beira de cerca.

Quanto ao líder, bem, o líder construiu um belo sobrado de dois andares, onde por sinal são realizadas todas as barulhentas reuniões de célula, normalmente às quartas ou quintas-feiras, à noite. Além de incomodar a vizinhança com seus hinos xaropes e "zuadentos", sempre acompanhados em coro pelos jovens que frequentam o local, ainda serve de ponto de encontro para o alvoroço em que se converte a rua, após o fim da reunião.

E o líder, como age diante disso tudo? Assiste compassivamente a todo aquele "frejo", como se tivesse cumprido a maior de suas missões e ignorando que, por causa dele, a vizinhança está incomodada. Vez ou outra, para dar aquele apoio, aparece um outro boy do senhor, num carrão tunado, roda de liga-leve, maior pinta de play, e com o som nas últimas. Som gospel, é claro. Se junta aquela rodinha em torno do carro, do mesmo jeito que acontece no 14 Bis. Só que neste caso, o piseiro é golpel, não confundam!

Enfim, apreciável esta nova configuração de igreja, onde tudo continua torto do mesmo jeito, mas sob o pretexto muito conveniente de que está tudo sendo feito em "nome do senhor".

Glória, irmão!

Kemis Viana escreve no blog Cronicamente Inviável

15 comentários:

zalmelo disse...

Ao sr. Kemis Viana!
Sou cristão Evangélico "de berço". Nasci e fui criado dentro de uma Igreja Evangélica, e nos meus 24 anos de vida entendo que aprendi bons costumes e conceitos baseados na palavra de Deus, que dentre vários princípios, me ensinou que não se julga uma classe de pessoas por um único Exemplo.
Sr. Viana, ao lêr seu artigo, consigo identificar sem complicações o método usado por minha Igreja para cresciemnto da mesma, ou seja o método de células.
Mas também ao lêr seu artigo não posso deixar de comentar suas palavras (desculpe a expressão) ignorantes (partindo do conceito que ignorância é o desconheciemnto de algo) a respeito do modelo de células, e e as respeito dos novos cristãos que têm surgido.
Não me cabe aqui discutir o modelo de células, nem explicar como ele funciona pois não é o foco, e creio que vôcê não está interessado em aprender. Mas tenho apenas dois pedidos a lhe fazer: 1. Respeite os cristão novos ou antigos porquê usar de um meio de comuniaçãe para criticar ou detonar religião é uma covardia sem tamanho pois você não critica só teu vizinho que lhe pertuba com som alto, mas também toda uma população de pessoas sérias que fazem a Obra de Deus de maneira correta.
Ou já pensou que se saísse uma notícia de um repórter ou blogueiro drogado e estuprador nós fôssemos enquadrar todos da profissão nessa classe?
Logo, como alguém que expressa opiniões publicamente, aprenda a ser mais comedido nas suas palavras e a não generalizar pessoas por um mau exemplo de perto da sua.
Enquanta uma vizinha sua está gravida existem centenas de pessoas que estão tendo suas vidas mudadas e abandonando o mundo das drogas, vícios e crime inclusive em nossa cidade. A igreja é o maior centro de recuperação de pessoas, mas isso ninguém quer falar. E quanto ao líder, não me lembro de existir em minha religião o voto de pobreza ou miséria, e mais uma vêz lhe digo que como alguém que expressa opiniões públicas você deveria primeiro verificar qual a fonte de renda da pessoa em questão, já que a célula é dirigida por pessoas comuns como eu que trabalho todos os dias para ganhar meu salário e gastar COMO EU BEM ENTENDER e ninguém além de Deus e da Receita Federal a qual declaro meus impostos religiosamente tem nada a ver com isso.
2º pedido: Tente lêr a bíblia em alguma hora vaga, lá você irá encontrar muitos conselhos sábios como por exemplo: "Até o tolo se passa por sábio quando fica calado" Provérbios 17:28.
Sem mais... Israel Melo

aa disse...

Amigão!
em todo lugar existe Joio e Trigo
não esqueça, em todo lugar!
Olha um exemplo de uma pessoa que tem o carater de Deus: O JOGADOR KAKA
ABRAÇOS AMIGÃO!

Carlos Bentes disse...

kkkkkkkkkkkkkk, pior que eles ainda acham que vão para o ceu, só se tiver ceu la no meio da terra, o povo gosta mesmo é de ser besta

Carlos Bentes disse...

kkkkkkkkk tem besta pra tudo nesse mundo, povo gosta mesmo é de ser besta, vão estudar !!!

Vingador disse...

Bem,
No campo juridico acredito que a Constituição dá pleno direito a liberdade religiosa.No campo social que é o enfoque que foi dado aqui pelo senhor(a) Kemis Viana, nunca é demais lembrar que existem casas na periferia que não têm paz não somente por causa de uma célula, existe uma "boca", uns caras dando um pega no baseado, e são poucas as famílias que não têm uma adolescente grávida em casa.
Com certeza a gravidez delas não foram fruto de uma reunião em células. Existem tantas coisas a serem combatidas que uma célula de alguns "lunáticos" torna-se insignificante, proteste contra as "bocas" os assaltos os assassinatos cometido por menores de idade, a desagregação familiar...Essas coisas sérias deixe os "lunáticos" que não fazem mal a ninguém a não ser a eles mesmos, pois mesmo com o som alto é melhor eles do que um vizinho marginal ou um traficante. Já tive os dois e sei do que estou falando.

Vingador disse...

Bem,
Carlos Bentes não querendo seu curriculo, mas vc é formado em que mesmo?
Seria bom você não só ter um diploma mas aprender a ser tolerante com os "irmãos malucos" tem coisa pior nesta vida. Um abraço.

Edson disse...

Cuidado Carlos e Kemis Viana, a Promotora Gilcely, está combatendo a discriminação religiosa com rigor. Caso achem melhor mudem para um lugar onde tenham como vizinhos traficantes e assaltantes, pelo visto para vocês isso é melhor. E lembrem intolerância gera intolerância. Como diz o adágio "os incomodados é quem se mudam"

Federal disse...

O pior erro de um raciocínio, seja de cunho jornalistico ou qualquer outro, é usar uma
situação isolada para generalizar.
É o erro de lógica mais básico
e inadmissível para alguém que quer
publicar textos na web.
Aconselho ao Kemis, se quer mesmo ser um
bom redator, aprimorar sua técnica.
Cordiais saudações.

Zépescador disse...

O mais correto é deixar cada um na sua. O problema é que essa cambada de crentes gosta de mostrar ou induzir as pessoas para a sua crença e terminam perturbando a ordem. Um dia cada um de nós descobrirá que a religião não está fora, e sim, dentro de nós mesmo, aqui e agora.
O que eles fazem não é diferente de: aleluia, dois pratos de farinha e um na cuia!

Zépescador disse...

Essa cambada de gente gosta de mostrar explicitamente sua crença (0 que é um equívoco). Mas como estamos numa escola, um dia cada um de nós, aprenderá que a religião está dentro de cada um de nós mesmo, aqui e agora, e não fora.
Esses que perturbam a ordem nada são diferentes de: Aleluia, dois pratos de farinha e um na cuia!

vilmar.boufleuer disse...

o sr. kemis tem razão!

E, Edson, pede pra tal promotora cumprir sua função e acabar tb com a bagunça e gritaria q acontece na concha acústica, do parque da maternidade. A vizinhança tb tem direito a sua liberdade e ñ tem q engolir a religião dos outros à força, ñ acha?

Edson disse...

É o direito de ir e vir, e também de saber que o meu termina quando o teu começa. Claro, minha crença não pode ser empurrada goela abaixo dos outros. No entanto sempre preferi o barulho de uma igreja ao de um bar, aquele tem hora para parar, este não. Já no caso do barulho salvo engano é com a Semeia (órgão municipal). O direito coletivo sempre suplantando o particular. É o caso de denunciar no órgão competente e cada um se adeque à lei, seja igreja, seja bar, seja casa particular.

Edson disse...

Curioso é que um show de música de qualquer estilo, na Concha Acústica não causa celeuma. Já um CULTO RELIGIOSO...

Janu Schwab disse...

Acho que não é caso isolado não, companheiros. Façam fé de que a "lógica empresarial e marqueteira" que toma conta das religiões hoje em dia (Padre 'bonitão e sedutor' líder de vendas de discos + igrejas evangélicas abarrotadas de arruaceiros)deturpa tudo aquilo que está n'O Livro ou, se preferirem, na Palavra de D'us. A ordem de 'quanto mais melhor' não corresponde com a lógica da qualidade. Ao meu entender a idéia das células era de obter um contato mais aproximado com o fiel, tendo em visto que nos cultos oficiais, a coisa segue um roteiro mais amplo. Agora, deem licença a opinião do blogueiro. E se alguém for trigo, que ao menos aponte o joio, ora. Religião pra uns é ópio. Pra outros é salvação. Agora respeito é uma coisa só e o cidadão tem todo o direito de achar ruim ter a vida perturbada seja por som gospel ou sertanejo (já existe sertanejo gospel?). Desrespeito é ruim de qualquer jeito, seja secular ou não. Valhame! Mazel Tov!

Azenilda disse...

Que falta faz o conhecimento e a sabedoria...Pobre gente!!!!!!!