quinta-feira, 3 de julho de 2008

SOPA DE COBRA


Em 1966, o compositor acreano João Donato, 73, estava no Cabaña Resort Motor Hotel, em Palo Alto, na Califórnia (EUA), quando escreveu no verso de um cartão postal destinado à dona Lai, a mãe dele, que morava então na Tijuca, no Rio de Janeiro.

- Escrevi uma música chamada Tacacá e quando eu anuncio, eu digo que isto quer dizer "sopa de cobra"... e a turma gosta... ha! ha! - relatava João.

De passagem por Trípoli, Joãozinho, que está compondo uma música sobre o veneno do sapo cururu, explicou ao blog:

- Caetano Veloso conseguiu trocar o sexo da rã, imagina o que ele não faria com o tacacá.

Pois bem, anos mais tarde Caetano escreveu os versos definitivos da música Tacacá, que foi rebatizada como "Naturalmente":

(João Donato e Caetano Veloso)

Ter nada, nada para ter
Ter cada estrada para andar
Andar em cada para ser
Ter cada nada para dar
Ser gargalhada para rir
Ser a palavra para dar
Ser serenata para ouvir
Ser ser e nada para amar
Saber a calma para ir
Perder a pressa para estar
Perder o verbo para si
Saber o sonho para lá
Ouvir a rima dor
Cantar a nota para o céu
Achar a forma para a flor
Naturalmente para Deus
Ter nada, nada para ter
Ter cada estrada para andar
Andar em cada para ser
Ter cada nada para dar
Ser gargalhada para rir
Ser a palavra para dar
Ser serenata para ouvir
Ser ser e nada para amar
Saber a calma para ir
Perder a pressa para estar
Perder o verbo para si
Saber o sonho para lá
Ouvir a rima dor
Cantar a nota para o céu
Achar a forma para a flor
Naturalmente para Deus
Viva Belém do tucupi
Belém, Belém do tacacá
Belém, Belém do açaí
Belém, Belém do Grão-Pará

Ouça:





João Donato chegou à Líbia, mas a companhia aérea não entregou a mala de roupas dele. Teve que se arranjar com uma roupa típica do país. Aproveitou para trocar o boné. Leia histórias e entrevista de Donato na Rolling Stone.

Um comentário:

Unknown disse...

Sabe, Altino, a mala perdida é deculpa. Ele queria mesmo era experimentar a roupa que os líbios usam tranquilamente.