sexta-feira, 6 de outubro de 2006

TV GLOBO NO ACRE

Para a minissérie Amazônia – De Galvez a Chico Mendes, de Glória Perez, que vai ao ar em janeiro, a TV Globo ergueu, às margens do rio Acre, duas cidades cenográficas que reproduzem o mesmo local, porém em épocas distintas do final do século XIX.

Uma delas é Puerto Alonso, cidade batizada assim, em janeiro de 1899, pelos bolivianos que retomaram a região até então povoada por brasileiros, mas que meses depois viria a se chamar Porto Acre.
A segunda cidade cenográfica foi reproduzida para ilustrar o desenvolvimento da antiga Puerto Alonso, após a chegada do espanhol Luiz Galvez que, no dia 14 de julho de 1899, proclamou o Estado Independente do Acre e nomeou o local de Porto Acre.

A produção, que mobiliza um grande elenco, centenas de profissionais de várias áreas, figurinos e cenários ricos em detalhes, está sendo realizada no estado do Acre para ilustrar parte da história do povo acreano que será contada na minissérie, que tem direção geral de Marcos Schechtman e direção de Marcelo Travesso, Pedro Vasconcelos, Roberto Carminati e Carlo Milani.


As cidades projetadas pelos cenógrafos Mário Monteiro e Juliana Carneiro foram construídas numa área de mais de dois mil metros quadrados em apenas um mês. No Acre, foram contratados cerca de 270 profissionais para trabalhos em carpintaria, marcenaria, alvenaria, limpeza e vigilância.

Todas as edificações foram produzidas com material da região. Roxinho, maçaranduba, cumaru de ferro são algumas das diferentes espécies utilizadas no projeto, que utilizou 500 metros cúbicos de madeira, retirados de uma área de manejo florestal. Panos de palha de ubim e de jaci, com trançado especial, fiel à arquitetura da época, forram os telhados das casas e estabelecimentos. A equipe de cenografia também se esmerou para conseguir materiais verdadeiramente desgastados pelo tempo, como lonas velhas e telhas de zinco antigas.


Como o porto da cidade era um dos locais mais importantes da época, por causa da entrada e saída do látex, sete barcos e quatro canoas foram adaptados para as cenas que mostram a movimentação comercial no rio Acre, a chegada e a partida de personagens importantes como Galvez (José Wilker) e José de Carvalho (Juca de Oliveira). Ao todo, foram produzidas duas mil pélas de borrachas cenográficas - forma em que o látex é armazenado para ser vendido. Parte das pélas fica na alfandêga e outras 400, na beira do rio, reproduzindo o costume da época do ciclo da borracha, quando as peças eram colocadas na água para facilitar o transporte, ao serem manejadas por varões. Como toda a mercadoria entrava pelo porto e passava pela alfândega, a produção de arte encomendou mais de mil sacos de juta para ilustrar a circulação dos produtos.

A cidade cenográfica de Porto Acre é composta pelo palácio de Galvez, cinco casas, alfândega, hospedaria, “Instrucção Publica” (escola), “Departamento de Estatística”, “Departamento de Polícia” (delegacia), armazém, igreja, “Junta de Hygine” (hospital) e marcenaria, somando ao todo 15 edificações. Com 81 pilares de tronco de árvores de diferentes espécies e cerca de quatro mil metros de pano de palha de ubim trançados para a sua cobertura , o castelo de Galvez se destaca entre as construções não só pela sua magnitude e excentricidade, mas também por sua localização estratégica, no alto da cidade. A residência do presidente do Acre é rústica, porém rica em detalhes da arquitetura moura, que remetem à origem espanhola do aventureiro de Cádiz. Estas minúcias podem ser observadas nas treliças das janelas e portas e na decoração.

Puerto Alonso, a cidade de Porto Acre meses antes das mudanças realizadas por Galvez, era mais primitiva e simples. Por isso, a cidade boliviana era formada apenas por duas torres, alfândega, um cruzeiro e pelo “destacamento boliviano”, local onde os soldados bolivianos descansavam. Nesta cidade, por causa das cenas de guerra, também é possível encontrar quatro trincheiras cenografadas com, pelo menos, 400 sacos de arroz de palhas.

Após uma pesquisa extensa e minuciosa, a produção de arte, comandada por Ana Maria de Magalhães, impressionou historiadores e cidadãos acreanos pela fiel reprodução de tudo que era usado na época na região. Para a composição interna e externa dos ambientes, a equipe de produção de arte encomendou aos artesãos locais e às tribos indígenas a fabricação de objetos de cena.

Na cidade de Porto Acre e Rio Branco, foram produzidas as moringas, porongas (lanterna artesanal muita usada no seringal), garrafas de barro com pinturas específicas, entre outros artefatos. Os índios confeccionaram os jamaxi (cesto do ombro), arcos e flechas usados em cena pelos personagens de origem indígena. Muito utilizadas para o transporte de carga, as carroças e cangalhas também foram produzidas na região.


Para recriar o cotidiano da cidade na época, diversos animais foram necessários. Além de cavalos, mulas, bois, cabras, carneiros, cachorros, porcos e galinhas, animais silvestres, como araras, micos, veado roxo, jaguatirica e cacatua, deram o colorido amazônico às cenas.


Mais de 50 malas e baús, além de quatro caminhões, saíram do Rio de Janeiro rumo ao Acre com parte do material de cena encomendado pela produção de arte. Foram reproduzidas as balanças do século XIX, que pesavam a borracha; as machadinhas usadas para a extração do látex da seringueira; armas e facões, que serviam para a segurança do seringueiro, entre outros objetos. Do Rio de Janeiro também foram levadas mais de 15 bandeiras, sendo 10 só do estado do Acre.

No dia-a-dia da cidade cenográfica trabalham mais de 270 pessoas, além da figuração. Viajaram do Rio de Janeiro cerca de 150 profissionais, das equipes de direção, produção, figurino, produção de arte, cenografia, caracterização, efeitos especiais, técnica e o elenco. No Acre, foram contratados mais de 120 profisionais que apóiam as equipes, como motoristas, cenotécnicos, bombeiros e barqueiros, entre outros. A figuração foi toda selecionada na região e chega a contabilizar, em cenas específicas, mais de 500 pessoas – a média diária é de 150 figurantes.

O texto foi enviado pela Central Globo de Comunicação. Crédito das fotos: TV Globo/ João Miguel Jr.

5 comentários:

Anônimo disse...

Altino, boa noite.

Que coisa monumental! Imagino quantas cidades do Brasil nãoserão menores que esta cidade cenográfica. Deve ser emocionante assistir dos bastidores a minissérie nascendo do nada.
Os acreanos estão de parabéns, pela visibilidade que terão no mundo inteiro a partir disso.
beijos

Anônimo disse...

As fotos com aquelas cenas de guerra são mais bonitas. Mas tudo bem...
Ah, e segunda feira tende a ser um bom dia no Aquiry...
inté,
Wal

Anônimo disse...

Se você está acompanhando os bastidores. Publique as conversas dos cablocos sobre isso tudo aí!
Val-André Mutran
Brasília

Anônimo disse...

Caro Altino, beleza de trabalho! De longe, acompanhamos a mobilização e empenho de toda a equipe na construção da cidade cenográfica, desde o nascimento, desse maravilhoso trabalho da Glória Pérez. Peço licença para falar de uma pessoa que estou conhecendo e, diga-se: muito admirando o seu trabalho. Sendo amigo e vizinho de uma autêntica "acreana", Graça Souto, irmã do compositor e cantor SÉRGIO SOUTO, passei a conhecer um pouco do seu trabalho, memorável trabalho... Grande defensor das suas raízes, poeta da música que traduz com amor e patriotismo à terra natal, os costumes do povo e da cultura acreana. Em se tratando de uma produção que mostrará ao país, ricos detahes da história, que ainda são desconhecidos por grande parte dos brasileiros, nada mais justo do que a presença do compositor Sérgio Souto, que, com certeza, enriquecerá mais esta
bela empreitada da Glória; respeitando, claro, o talento do nosso João Donato; os dois farão uma parceria e tanto na trilha sonora dessa minissérie... (Amalri Nascimento - Nascido no RN, radicado no RJ).

Anônimo disse...

GRANDE ALTINO. Fico muito contento pelo Acre, por todos Amigos que deixei aí. Morei nessa TERRA FANTÁSTICA, durante 5,5 anos, meu filho mais novo nascei aí em 1994, tenho muita recordação daí, dos amigos, Chico Santiago, Celso Caiteti a Lusa, o Roberto da Princesinha, o Dito JF, O Tiãozinho, o Dr. Pedrão são muitos é impossivel falar de todos, peço desculpas. Ainda este ano quero dar um pulinho ái. Estou morando em Maringá-Pr, minha terra natal, mas o Acre também é minha terra.

Um Grande abraço a todos e curtam a Minissérie, pois voces merecem.

Carlos A. Paranhos
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