sábado, 24 de junho de 2006

DONA JUSTA

Juarez Nogueira

Ao que parece, a Justiça Acreana dá com alguma celeridade a prestação jurisdicional. Assim seja, ad seculum seculorum.


Acá del mar, nas Minas, continua a lesma lerda: há de se ver que, no mesmo Juizado Especial, o qual trata das ditas causas de menor complexidade, há ano e meio rola e não desenrola uma ação que já ganhei. Mas ainda não levei.

Está lá, em grau de recurso para a Turma do próprio Juizado, naquela que chamo de fase contemplatória: o juiz contempla, mas não dá penada; o advogado contempla, a coisa adiada; as partes contemplam... o nada.

Isso é que é o pior: seja vítima ou réu, nada. Daí, ai, ai, vem essa decrepitude com a Dona Justa, a terrível certeza da impunidade, a sensação de que no país as leis são feitas por bailarinos para pernetas e de que a lei não é - com alguma exceção - a justiça e a justeza.

Por isso, Altino, pode comemorar duplamente: primeiro, o resultado; segundo, o fato de que pode dormir sem pesar a inquietação de ter que andar na lei, sem poder contar com ela.

Desculpe o "desabafo". Ah, hoje eu tô nos cascos. Vontade de mudar pro Acre... E aqui ainda estão vendendo/empurrando goela abaixo a imagem de Estado bem administrado. Sei, tô vendo...

O escritor mineiro Juarez Nogueira reside em Divinópolis.

Um comentário:

Saramar disse...

Altino, é sempre uma delícia ler os escritos de Juarez. Mesmo "nos cascos", reclamando com justiça da lerdeza da justiça, ele faz poesia.
Adorei.