terça-feira, 30 de maio de 2006

MAGRO REPÓRTER



Montezuma Cruz

Na expectativa de um dia me encontrar com vocês, também lhes digo que esses encontros promovidos pelo Altino Machado trazem a inspiração para o momento e o futuro que se misturam. A lamparina que o Altino (que linda recordação, amigo!) comprou no comércio de Rio Branco e ilustrou o texto de reminiscências do Pena também fez parte da minha infância.


Naquela época, sem energia elétrica na cidadezinha em que fui criado, a lamparina e o lampião a gás decoravam as paredes de madeira da maioria das casas simples de Teodoro Sampaio (SP). Haja fuligem, haja querosene Jacaré!...

Cidade pobre, formada por nordestinos solidários, cresceu desse jeito, à luz de velas, lamparina e lampião. Tem uma das melhores águas potáveis do País. Meninos, abastecíamos a casa com latas de 20 litros, na única caixa-d'água local. Só mais tarde a situação melhorou.

Graciliano Ramos e dureza da vida, tema que o Pena expôs na palestra aos advogados; as dificuldades de acomodação de Ivone Belém ao chegar em Brasília; a arte do encontro patrocinada pelo Altino neste rico espaço de renome nacional e internacional, tão útil e imprescindível para acreanos, amazônicos e brasileiros.

Realmente, isso emociona a gente. Seres humanos frágeis e imperfeitos que somos, quando deparamos com textos que nos remetem a um pedaço do passado, conseguimos enxergar a longa estrada da vida (do jeito que Milionário e José Rico cantaram e cantam no rádio), e vemos o quanto caminhamos e ainda iremos caminhar.

Fico feliz ao sentir que Altino, Ivone, Pena, Saramar, Juarez Nogueira, e outros que entram nessa conversa têm objetivos comuns, entre os quais, o reconhecimento e a gratidão. Eu digo que também sou imensamente grato às pessoas que me proporcionaram ensino, alegria e souberam me advertir e aconselhar.Creio que devemos nos firmar em atitudes construtivas e ao mesmo tempo enérgicas e perseverantes.

Assim, na condição de magro repórter que circulou por um pedaço desse Brasil do Norte e ganhou tantos presentes, espero continuar merecendo novos presentes. Vocês, por exemplo, estão entre as pérolas que pretendo colocar sobre a cômoda do quarto e na estante da biblioteca — espaços valorosos num lar.

Antes de conhecer o Blog do Altino, eu já o imaginava capaz de promover o encontro (e reencontro) de pessoas com histórias tão bonitas. Quando leio, agora, o que vocês escrevem, consigo ver um pouco do coração e da mente de cada um.

O jornalista Montezuma Cruz foi repórter da Folha de S.Paulo, O Globo e Jornal do Brasil — em Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Porto Velho (RO) e São Luís (MA); O Estado de S.Paulo em Presidente Prudente e Ourinhos (SP); chefe de Redação da sucursal da Folha de Londrina em Foz do Iguaçu (PR). Editor de Internacional no Diário do Norte do Paraná (Maringá-PR). Editor do Porantim, jornal do Conselho Indigenista Missionário em Manaus (AM). Correspondente da Revista do Mercosul (RJ) na fronteira Brasil-Paraguai-Argentina. Foi assessor de imprensa do senador Amir Lando. É redator de Cidades no Jornal de Brasília.

5 comentários:

Jussara R. Araújo disse...

Puxa. Como anda esse Montezuma.
Eu me lembro do Montezuma em Maringá quando trabalhei na Universidade lá.
Que mundo pequeno Altino e como é bom ler o seu blog.

CLAITON PENA disse...

Sempre que estou em algum lugar, onde eu possa observar:

autoridades,
hierarquias,
mulheres empinadas,
homens imponentes,
estratificações sociais,

eu penso: essas pessoas não acreditam que somos todos filhos de Deus.

Meu amigo, Montezuma Cruz, foi quem me proporcionou refletir pela primeira vez, assim:

não temos culpa se nascem crianças sem pão. Mas todos temos culpa por não dar pão a quem passa fome. Pão e fome são metáforas, ou não.

Montezuma é um justiceiro. Sua arma poderosa é a indignação e a solidariedade.

Obrigado, amigo.

Pena.

Juarez Nogueira disse...

Ainda não conheço pessoalmente o Montezuma Cruz. Mas o nome, por si, já o apresenta, muito sugestivo, gente boa.
Abraço.

Saramar disse...

Altino, boa tarde.
A sua lamaprina é semelhante à de Aladin. Bastou você mostrá-la e as emoções transbordaram neste blog maravilhoso.
O belo texto do Montezuma também trata da beleza da gratidão e da amizade. Como foi lindo o que ele disse sobre as pérolas na penteadeira"! Fiquei emocionada, de novo.
É a mágica da lamparina de Altino.

Beijos

Caroline Rocha disse...

Nossa, que bacana a sua homenagem ao Monte. Estava procurando informações para fazer uma matéria sobre ele e encontrei o seu blog. Demais!! Atualmente o Motezuma mora aqui é Maringá, norte do Paraná. Mas já está vontando para as suas origens. Acabou de decidir voltar á Brasilia. Provavelmente lá pelo dia 20 ele já estava embarcando para mais uma aventura da sua aventuravel vida. Como um bom andante, ele está mais uma vez com o pé na estrada. Que o bom papai do céu continue abençoando-o. Sempre, nos aqui, em especial eu, Caroline Rocha, estarei torcendo muito para ele.
Monte foi e é uma referencia para mim como jornalista, amigo e "pai'. Afinal não são todas as estudante de jornalistas capazes de ser chamada de "Fia do Monte".kakakakakakakakakaka
Muito obrigado por tudo!!
Quem quiser falar com ele o email é monte@odiariomaringa.com.br
Beijos á todos...
Parabéns pelo texto..