sexta-feira, 5 de maio de 2006

FOTOS DO ACRE ANTIGO



É difícil não passar horas a fuçar os arquivos do acervo do IBGE disponibilizado em meio digital na web. Destaque para o arquivo fotográfico ilustrativo dos trabalhos geográficos de campo.

Funcionários do IBGE percorreram a Amazônia e formaram um acervo extraordinário para quem agora queira conhecer parte do passado de centenas de cidades da região.

Do Acre, por exemplo, existem 150 fotos de Rio Branco, Xapuri, Brasiléia, Feijó, Cruzeiro do Sul e Tarauacá, sendo que os originais ou as cópias de boa parte delas não existe no Estado.

Criada a partir da fusão das bibliotecas do Instituto Brasileiro de Estatística e Instituto Brasileiro de Geografia, a Biblioteca do IBGE possui um acervo com cerca de 50 mil monografias, 1150 títulos de periódicos, 20 mil mapas e cartas, 100 mil documentos sobre divisão territorial do Brasil, 110 mil fotos, entre outros.


Desse acervo, 2769 fotografias de diversas cidades da Amazônia estão disponíveis e podem ser copiadas livremente.

Aquela foto, lá em cima, é do prédio da Imprensa Oficial do Acre. Na esquina dele se formou o cruzamento das avenidas Ceará e Getúlio Vargas, o mais movimentado da cidade. Quando foi construído sequer existia rua na frente ou no lado, pois estava fora do limite urbano de Rio Branco.

Outro dia, um insano publicou algumas fotos antigas do Acre no site do governo com a advertência de que era proibido tirar cópia do material.

Quanto mais cópias existir de fotos do patrimônio público, mais estarão a comunicar e menor será o risco de desaparecimento.

Clique aqui para acessar o arquivo fotográfico do IBGE.



Nesta foto de 1950, tirada a partir de uma das janelas do Palácio Rio Branco, aparece o jardim que existia nos fundos do prédio e o escritório da Radional (atual Teatro Hélio Melo). Adiante, no canto esquerdo, o inesquecível Grupo Escolar Presidente Dutra, demolido pelo mau humor do ex-governador Geraldo Mesquita; no centro, a praça e o Hotel Chuí (sede atual da Prefeitura) e, no canto direito, o quartel da extinta Guarda Territorial do Acre.

As casas Araripe e Baptista e a agência do Banco do Brasil na Av. Epaminondas Jácome, o centro comercial de Rio Branco, em 1949.







Vista área do centro de Rio Branco em foto de Américo de Mello, provavelmente de meado dos anos 70.









O garbo do tuxaua kaxinawá em foto de Tibor Jablonsky.


















Inundação do Rio Acre em novembro de 1949 em três localidades do Segundo Distrito da cidade e vista parcial da Rua 1º de Maio.







Maternidade Bárbara Heliodora, que originou o Parque da Maternidade.











Navio Benjamin que o Governo quer adquirir para atracá-lo perto do Mercado Municipal revitalizado. Jorge Viana foi gerado por Wildy e Sílvia durante viagem para Belém no Benjamin.

13 comentários:

Davi Sopchaki disse...

Eu também adoro ver fotos antigas! É legal comparar a evolução da cidade.

Evandro Ferreira disse...

Altino, por onde anda Américo de Mello? Nunca vi uma foto dele. Já sabemos um pouco da história dele, agora so falta a foto dele, que tanto forografou o Acre.
E o acervo da casa fotográfica "Araújo", quem possui? Vale um post, um artigo sobre os proprietários dessa casa onde foram revelados grandes momentos da nossa história.
Evandro

Altino Machado disse...

Caro Evandro,

eis aqui a foto do Américo de Mello, que tirei em fevereiro de 2003. É lamentável que o poder público não tenha demonstrado até agora o menor interesse no acervo que o Américo possui e que correr o risco de se perder como tanta coisa já se perdeu no Acre. Quem quiser saber mais a respeito desse fotógrafo, basta clicar aqui.

Rebecca disse...

Altino,

já visitei o seu blog e gostei muito. Estarei sempre visitando! Trabalho há anos com indígenas no México. No Brasil, me dediquei muito tempo ao movimento negro. Trabalhei junto ao Dojival, cuja foto você tem no seu blog. Aliás, temos mais alguma coisa em comum: por pura coincidência, meu nome completo é "Rebecca Altino Machado Lemos Igreja", ou seja, tenho o seu nome! Quando vi seu email pensei que fosse de alguém da minha família.

Abraços

Rebecca

Raimunda disse...

Adoro o Scre, cada vez que vou visitar fico mais encantada com as mudanças. Quando vim do Acre para Rondonia em 1976, era completamente diferente de hoje que onde era estrada hoje é quase centro ´`a exemplo da Estação experimental.Como evoluiu.

sergio alves disse...

ola nos nao somos donos da terra mas sim ter um direito de posse por um tempo indeterminado,estao destruido as florestas e mata ciliar dos rios e corregos e nascentes vamos todos morrer pelo egoismo.os fasendeiros que se diz da terra o egoismo do capitalismo servagem so lembra de buscar riquesas mais um dia seus filhos e netos vão morrer o seu dinheiro não vai servir de nada

Norma Rezend disse...

Estou maravilhada nessa viagem virtual q acabei de realizar visitando seu flog ... Me reportei a terras q não conhneço e somente agora me bateu a curiosidade e o interesse em conhecer um pouco mais ... Como não tenho oportunidade de viajar o meu PC me mostrou mais um pedacinho do nosso país ... q pena q o homen não tenha sã consciência do prejuízo q causa a nossa tão maravilhosa terra

Ricardo M. Alves disse...

Olá Altino seu blog esta ótimo sou de Porto Velho -RO ,mas gosto muito do Acre, atualmente moro em Maceió-Al, trabalho na área de jornalismo também mas que me levou a entrar em contao com vc é que meu pai que também era jornalista trabalhou muito em prol tanto do estado de Rondonia como também pelo estado do Acre,temos fotos antigas do relato de viagem que eles fizeram.

Heróis esquecidos - Abnael Machado
01/09/2006

Naquela tarde de 15 de Junho de 1963, por volta das 16 horas, a Praça Jonathas Pedroza no centro da cidade de Porto Velho, encontrava-se repleta de gente de todos os bairros, das localidades mais próximas, de Guajará-Mirim e Rio Branco/AC, que ali se reuniu em demonstração de incentivo e apreço ao jornalista Vinicius Danin do jornal Alto Madeira e
do jornalista Milton de Jesus Alves, diretor da Rádio Difusora Guaporé, apresentando-lhes as despedidas e lhes augurando sorte e êxito no empreendimento que lhes propuseram realizar, ir a Brasília/DF, percorrendo a BR 29 (Brasília – Acre), então, apenas mais uma estrada de serviço atravessando a pujante Floresta Amazônica, seguindo a rota da linha
telegráfica implantada pelo Marechal Rondon, via tráfego interceptado por caudalosos rios, transpostos através de balsas, improvisadas pontes de madeira e pinguelas, extensos atoleiros, sem os imprescindíveis pontos de apoio, postos de abastecimento, oficinas e hotéis tornaram-se em perigo so desafio aos motoristas de caminhão que se aventuram a percorrê-la no trecho Cuiabá/MT – Porto Velho/RO, em viagem com duração de até três
meses, dependendo do período de estio ou chuvoso.
Os dois empreenderiam viagem programada usando como veículo uma Vespa M-4, na qual pretendiam alcançar Brasília., tendo por objetivo primordial solicitar em nome do povo de Rondônia, Acre, Mato Grosso e Goiás, ao Presidente da República, João Goulart, seu compromisso de não paralisar a construção da Rodovia, por ser esta de importância vital para o desenvolvimento do norte de Mato Grosso, Rondônia e Acre, conceder verbas
especiais para a melhoria e a consolidação da via permanente, assegurando ou fluxo normal e regular de seu tráfego. Levaram os intrépidos expedicionários, mensageiros das reivindicações do povo de Rondônia e da Amazônia Ocidental, um memorial assinado pelas autoridades locais, pelos representantes da Associação Comercial, Maçonaria, Rotary Club e outras. Ao longo do percurso até Brasília, seria assinado pelos moradores que encontrasse.
Levavam um exemplar do livro “Terras de Rondônia”, ainda não publicado, em cuja página 81, o autor destacava a importância da construção da BR 29, se prolongando até Lima/PERU, tanto de ordem econômica para acesso e conquista dos mercados dos países vizinhos (Bolívia, Peru, Equador e Chile), além do mercado asiático, como também de ordem estratégica em relação à integração da Amazônia, livro que seria junto com o memorial entregue ao Presidente da República.
Desde sua idealização, o projeto dos dois jornalistas contou com o apoio de todos os segmentos da sociedade rondoniense, do interior e de outras cidades chegavam mensagens de estímulo, visto a construção dessa rodovia ser uma realização sempre acalentada e reclamada pelo empresariado, pelo povo em geral, por primordial para romper o isolamento e propiciar o desenvolvimento regional. O empresário Luiz Malheiros Tourinho,
representante da Companhia de Seguros Eqüitativa, doou a cada um dos expedicionários, um título de seguro contra acidentes no valor de Cr$ 1.000.000,00 (um milhão de Cruzeiros). A Rondomarsa, que vendera a Vespa M-4 por Cr$ 100,00 (cem cruzeiros), recebeu apenas a primeira prestação, dispensando o pagamento das outras, tendo em vista a grande repercussão da viagem, servindo de inestimável propaganda publicitária para o
mini-veíulo.
Realmente, a viagem seria um fasto histórico inédito, no deslocamento por via terrestre, em estrada de serviço, quase uma simples picada em densa floresta, realizada por dois viajantes, em pequeno veículo de duas rodas (Vespa), sem contar com nenhum apoio. O euforismo na praça era contagiante, a banda de música da gloriosa Guarda Territorial enchia o ambiente com os acordes dos dobrados militares, às 17 horas, sob foguetório, os expedicionários deram início à sua aventureira viagem, aplaudidos pelo povo.
Viagem fantástica de mais de 5.000 km pela Amazônia Acidental, Centro Oeste e Sudeste, chegando os expedicionários pilotando sua minúscula vespa, sucessivamente em Cuiabá, Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, atravessando densa floreta, dormindo ao relento, enfrentado os riscos de contraírem doenças tropicais, ataques de índios e de animais ferozes, além de defeitos técnicos da vespa. Aventura jamais registrada nos anais rodoviários do continente americano e provavelmente do mundial.
Em Cuiabá, foram recebidos pelo Governador de Mato Grosso, o qual lhes entregou um documento de apoio às reivindicações do povo de Rondônia dirigido ao Presidente João Goulart. Prosseguindo viagem, em Goiânia foram recebidos pelo advogado Olavo de Castro, porto-velhense, redator do jornal “4º Poder”, sendo apresentados ao Presidente da Fundação Estadual de Esporte, que os alojou por conta no Hotel Ártemis, havendo o governador do
Estado Mauro Borges, os recepcionado com um almoço no Palácio do Governo, do qual participaram o secretariado, vários políticos, sendo-lhes entregue pelo governador um documento igual ao supramencionado, também com o mesmo destinatário.
Em Brasília, foram recebidos por uma patrulha rodoviária comandada pelo Inspetor Latorraca, que os acompanhou até o Brasília Palace Hotel, sendo recepcionados pelo Deputado Federal de Rondônia Renato Barralho de Medeiros, que custeou todas as suas despesas na Capital da República e os acompanhou à audiência com o Presidente do Palácio da Alvorada, para a entrega do memorial do Povo de Rondônia, endossado pelos Governadores do Mato Grosso e Goiás em documento firmado em nome de seus governos. No memorável, eram solicitados recursos financeiros de Cr$ 8.000.000,00 (oito milhões de cruzeiros), que o próprio Presidente elevou-os para Cr$ 17.000.000,00 (dezessete milhões de cruzeiros), com liberação imediata, como também o remanejamento do pessoal do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens/DNER, encarregados na BR 29, de Brasília para Cuiabá de Porto Velho.
Era coberta de pleno êxito a missão dos jornalistas Vinicius Danin e Milton Alves de Jesus, assegurando o prosseguimento da construção da rodovia BR 29 (atual BR 364), responsável por relevantes transformações sócio-econômica, político-administrativa e cultural.
O Jornal “A Crítica”, de Brasília, publicou sobre os dois, “os dois viajantes que hoje são os personagens de uma página da história do desbravamento do interior brasileiro, contam-nos que ainda se tem muito que fazer pelo Brasil. Viajaram mais de 5.000 km quilômetros sem encontrar quaisquer moradias”.
Sempre pilotando sua vespa, seguiram co destino ao Rio de Janeiro, aonde chegaram em 19 de Agosto de 1963. mantiveram contato com Dibran, representante da vespa M-4, foram entrevistados pela TV continental, pela Rádio Globo e Jornal O Globo. Receberam convite pessoal do Governador Ademar de Barros, para visitar a capital paulista, na qual foram por este recepcionados e alvos de homenagens de vários segmentos sociais. Porém, na inauguração oficial da pavimentação asfáltica que consolidou plenamente a BR 364, os heróicos pioneiros não foram lembrados nos discursos proferidos. Permanecem no limbo do esquecimento, os dois heróis aos quais tanto deve Rondônia.
A Academia de Letras de Rondônia rememora seus épicos feitos realizados com riscos da própria vida, sem visar nenhuma vantagem pessoal, mas tão somente servir aos interesses maiores do povo da Amazônia Ocidental e de Rondônia.
* Abnael Machado de Lima é ex-professor de História da Amazônia na Universidade Federal do Pará.
Abnael Machado de Lima
Abnael Machado de Lima 3221 3454

Rua Rui Barbosa, 691
Arigolandia - Porto Velho - RO - CEP: 78902-240

C. Alexandre disse...

Olá amigo,

Sou Carlos Alexandre, gostaria de saber mais sobre o Navio Benjamin.

Pois, salvo engano, ele foi um marco histórico na minha família, levando à ser umas das conceituadas em Belém, e foi o mesmo que a fez desmoronar. Vi a matéria com muita emoção, não cheguei a conhecer o meu avô, pois desencarnou antes do meu nascimento.

Quando possível arrumarei fotos e historias sobre o navio.

Um forte abraço.

jmichael disse...

O Navio Benjamin , segundo um grande amigo do Blog Do Rocha está parado, para não dizer jogado, em uma bahia na cidade de Manaus.
Quem atravessa a ponte dos Educandos (em Manaus, consegue vê-lo em um estaleiro sem utilidade alguma. Um lindo navio a vapor.
Tomara que o Governo do Acre consiga comprá-lo para restaurá-lo e dar uma nova vida a esta embarcação.
Abraços aos irmãos acreanos.
Veja o link: http://jmartinsrocha.blogspot.com/2011/05/navio-benjaminfez-historia-no-acre.html

Eloi disse...

Altino, essa foto do navio Benjamim é de que ano e qual a fonte? abraço. grato.

Eloi

ALTINO MACHADO disse...

Não sei.

jmichael disse...

Benjamin é um lindo navio a vapor que, sempre que posso, o vejo ali, enferrujado mas bonito, em Manaus no aguardo de sua volta pra casa, o Acre.
Torço para que um dia este navio volte pra casa e seja restaurado com todo glamour que possui.
Abraços.