segunda-feira, 26 de setembro de 2005

A CARAVANA DA FUMAÇA

Moisés Diniz (*)

Os governadores do Mato Grosso, Blairo Maggi, e de Rondônia, Ivo Cassol somam perto de 100 mil focos de queimadas, só neste ano. A presença deles em ato promovido pelo PPS hoje à tarde, no auditório da Secretaria da Fazenda, só reforça a tese de que o sonho dourado de Márcio Bittar e seus aliados é promover a rondonização do Acre. Ou a mato-grossização, se assim ele prefere.

Se o desejo da oposição é acabar com o projeto de desenvolvimento sustentável que está em curso no Acre desde que Jorge Viana e os partidos da Frente Popular iniciaram o Governo da Floresta, Bittar não poderia ter importado apoio mais perfeito: reuniu aqui o Rei da Soja e Prêmio Motosserra do Ano, Blairo Maggi, com o grileiro de terras e campeão de invasões em áreas indígenas, Ivo Cassol.

Da parte do também presente deputado Roberto Freire, presidente nacional do PPS, ouviu-se elogios a filiação de alguns vereadores do interior, mas não a justificativa da saída do partido do único deputado federal que ele tinha no Acre, Júnior Betão.

O destaque, porém, foi mesmo as presenças de Blairo e Cassol, politicando em Rio Branco como se nada tivessem com a fumaça que há dias sufoca nossas crianças e compromete a nossa qualidade de vida. Alguém precisava lembrar a Márcio Bittar que no dia em que nossos olhos arderam sob a mais densa camada de fumaça, os satélites acusavam 1.068 focos de queimada no Acre; 4.000 em Rondônia e mais de 20 mil queimadas no Mato Grosso.

Aqui, o Governo do Acre decretou situação de emergência e, em defesa da floresta, da saúde e do bem-estar da sociedade, não hesitou em pedir socorro ao Governo Federal, que prontamente se dispôs a ajudar no combate aos focos de incêndio. O trabalho tem sido intenso para manter a situação sob controle.

E o que têm feito os governadores de Rondônia e do Mato Grosso? A única manifestação sobre o assunto foi a de ontem, ou seja, os discursos vorazes contra o projeto de desenvolvimento sustentável, chegando ao absurdo do Rei da Soja afirmar que não se sente motivado a investir no Acre enquanto perdurar na política local “essa idéia de desenvolvimento sustentável”.

Sendo assim, é inevitável concluir que a disposição de acabar com a idéia de desenvolvimento sustentável é o que motiva o senhor Maggi a vir fazer política no Acre e, quem sabe, até financiar campanhas. Afinal, ele é um dos homens mais ricos do país.


Na verdade, o Acre deseja muito que empresas com responsabilidade social e compromisso ambiental venham investir aqui, porque antes da ganância de ganhar dinheiro a qualquer custo, vem a nossa responsabilidade com a geração atual e, principalmente, com as gerações futuras.

O povo do Acre é dono de uma identidade histórica e cultural da qual não abre mão por nada. Vive uma experiência peculiar que se estende há cem anos de relação com a floresta e com o meio ambiente, e nunca abdicou da luta em defesa de melhores condições de vida. Não precisamos de enlatados políticos e muito menos de soluções importadas para os nossos problemas.

A floresta sempre foi e continuará sendo o maior patrimônio do povo acreano, e qualquer experiência com o intuito de fortalecer a economia e melhorar o quadro social do nosso Estado passa pelo respeito à sustentabilidade.


Queremos desenvolvimento, sim. Mas com sustentabilidade econômica, social, política, cultural e ética! Queremos disputar espaço no mundo globalizado, mas não como copiadores de fórmulas ultrapassadas. Vamos concorrer com o que podemos ter de melhor, que são produtos florestais certificados.

O mais é aventura de quem não faz o menor esforço para entender a gente e as particularidades da realidade da Amazônia.

Marcio Bittar chegou ontem com a Caravana da Fumaça, mas os efeitos maléficos das políticas dos seus governadores chegaram bem antes. De toda sorte, seria injusto dizer que o governador Blairo Maggi, do Mato Grosso, o governador Ivo Cassol, de Rondônia, e seus prepostos no Acre não têm nenhuma afinidade com a floresta. Afinal, suas presenças em Rio Branco neste tempo de fumaça prova que são todos é cara-de-pau.

(*) Moisés Diniz é deputado estadual do PC do B

2 comentários:

Silva disse...

Tamos ferrado. Depois da caravana do mensalão, agora a caravana da fumaça.heheheheh.

Mário José de Lima disse...

Gostei do título: Caravana da Fumaça. E o que o Freire fazia pelo meio?