quarta-feira, 16 de março de 2005

COISA BONITA

Editoria do jornal Página 20 acertou ao publicar hoje a reclamação dos sanitaristas Manuel Cesário e Raquel Rangel Cesário, da Universidade Federal do Acre, seguida de explicações do repórter Juracy Xangai, que é acusado pelos dois pesquisadores de ter plagiado o artigo “Infecção bacteriana rumo ao Brasil” na reportagem Nova doença surgida no Peru pode chegar ao Acre”.

Leia a resposta do Juracy Xangai:

Caros senhores

Esclareço que as informações divulgadas na edição do Página 20 do dia 13 de março, que é citada por vocês como “pirataria”, foram colhidas de várias fontes, dentro e fora da internet, até porque o conhecimento científico, felizmente, não é privilégio de um ou outro.

Outro princípio básico das sociedades democráticas como a nossa é o da informação que deve ser levada aos interessados, o que não estava ocorrendo ao ser mantido em sites visitados por poucos, enquanto os seringueiros e campesinos, expostos a essa moléstia, só tomariam conhecimento dela quando estivessem irremediavelmente contaminados.

Reconheço ter acessado seu artigo, o qual teve valia não maior do que os demais visitados, no entanto, até por ser acreanista, evitei citar fonte que, em pleno gozo da Florestania que nos orgulha, teima em classificar pejorativamente o Acre como “fim do mundo” - verbete que o bom senso desprezaria em qualquer texto.

Reafirmo a informação de que haverá nesta quinta-feira, dia 17, uma reunião do Mini-MAP Saúde, em Iñapari, onde a criação de uma barreira sanitária para tentar conter o avanço da Bartonelose em direção ao Acre será tema central. A informação é do próprio secretário estadual de Saúde, Cassiano Marques, que reputo autoridade suficientemente bem informada e autorizada a falar sobre o assunto.

Também informo que tivemos acesso a um CD contendo os resultados das últimas pesquisas realizadas no Peru, bem como uma série de outras publicações que nos foi repassada pela Secretaria de Saúde do Acre.

Uma das virtudes da ciência é a derrubada de teses antigas pelos novos conhecimentos. Felizmente, as novas conclusões podem até parecer contraditórias, mas, felizmente, é um sinal de que estamos evoluindo no caminho do controle desse mal que ameaça a todos.

Era de se esperar, no mínimo, que pessoas do meio científico agissem cientificamente em pelo menos dois pontos. O primeiro seria usar um simples telefone para tentar saber de onde vieram informações por elas ignoradas - até porque não são fonte única de saber -, ao invés de afirmar, aos quatro cantos, que fulano ou cicrano pirateou textos de quem quer que seja.

A segunda opção é a de que poderiam ter prestado um serviço à sociedade, se, discordando das informações, tomassem a providência de, usando seu direito de resposta, tão explícito na Lei de Imprensa, chamar repórteres e oferecer informações detalhadas à população sobre um mal mortal que espreita nossa gente. A verdade, como dizia Sócrates, tem um brilho tão intenso que impede as pessoas de vê-la. Já a vaidade cega o espírito. (Juracy Xangai)

Um comentário:

Altino Machado disse...

Xangai, permita-me observar:

É equívoco de sua parte afirmar que o Scientific American Brasil é site visitado por poucos, pois ele certamente supera em alguns milhares os 500 e poucos exemplares das edições diários do Página 20;

Acho descabido afirmar que evitou citar a fonte porque é acreanista e está "em pleno gozo da florestania que nos orgulha". O Acre é o fim ou o começo do mundo? Às vezes acho que ambas as opções estão corretas. Assim como às vezes acho que nem existe.

Bem, quem lê a reportagem e não o conhece é tentado a julgá-lo um renomado cientista em saúde pública.

Embora você seja paulista e agora se declare acreanista gozando da florestania, isso não pode ser usado como argumento para atropelar as regras elementares do jornalismo.

Você não citou nenhuma das fontes, sejam elas pertecentes à internet ou não. Erro gravíssimo que induzia o leitor a considerá-lo expert em bartonelose.