sexta-feira, 10 de junho de 2005

MEU CARO AMIGO

Mário José de Lima

Um cigarro fumado sofregamente, a fumaça lançada para cima e pelo canto da boca e a tosse seca limpando a garganta formavam o tempo de uma parada em alguma fala sobre algum “causo” ou alguma conversa séria mesmo. Foram muitas as estórias que ouvi. Algumas, relatos bem humorados, às vezes hilariantes mesmo, lembranças acreanas, eventos envolvendo muitos e muitos velhos bons companheiros da juventude vivida em Rio Branco.

Viver no Acre – viver o Acre –, depois da formação universitária, fora decisão que resultara da abdicação de uma carreira bem sucedida em funções de procuradoria como membro de uma elite de profissionais do Direito numa metrópole, centro cultural do país, o Rio de Janeiro. No Acre, foi profissional requisitado e competente. O Acre ficou a dever-lhe o reconhecimento maior da sua trajetória e da sua qualificação profissional, quando lhe foi negada a nomeação para compor o Egrégio Tribunal de Justiça. Sobre isso, no entanto, pouco falava e quando falava evitava qualquer mágoa. Tudo bem, dizia, não deu por vontade de uma única pessoa. Afinal, fora indicado.

Muitas vezes, numa oportunidade em que dividíamos os espaços de trabalho, chegava sério – nessas horas o cigarro era queimado numa incrível velocidade – mantinha-se calado para, em seguida, chamar para conversarmos. Começava a conversa através de alguma questão, de alguma indagação. Sentia-me meio encurralado, nesses momentos. Afinal o que responder? Ele tinha consciência da minha admiração por sua extraordinária capacidade de organizar as idéias de forma rigorosamente lógica, além de ser muito bem informado sobre os mais variados temas. Seus textos, entretanto, eram marcados pela simplicidade. Nada rebuscado ou capaz de tornar opacos seus raciocínios. Era isso que buscava mesmo quando se tratava de um texto marcadamente técnico. Muitas vezes acompanhei seu trabalho na montagem de alguma peça numa máquina de escrever das antigas. Não usava borracha e o texto era produzido de uma única sentada.

Assisti, certo dia, uma determinada sessão do júri popular. Ainda não o conhecia de perto. Na abertura da fala da defesa, recitou, por cerca de uns vinte minutos, no original – ou seja, em inglês, um texto de Shakespeare. Ficamos todos, na sala do Tribunal do Júri, boquiabertos sem entender o que acontecia – muito menos o que ele dizia. Esse julgamento era resultado de um recurso na qual a sentença do juiz apoiava-se numa longa citação do Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós, que, segundo seu ponto de vista, nada tinha a ver com o caso julgado, assim como sua citação shakesperiana.

A nossa amizade avançou a ponto de um dia eu ser surpreendido por fazer-me seu confidente, num momento de alguma tensão. Faz algum tempo, tomei consciência de como esses momentos foram alguns dos mais importantes de minha vida. Isso se repetiu algumas vezes. Também, algumas vezes, instigado por algum dos artigos que publiquei em algum jornal de Rio Branco, procurou-me para conversas que se estendiam sobre política e economia. Nessas horas o ar sempre brincalhão cedia lugar para perguntas diretas. E nesse particular também sempre me surpreendia: era um ouvinte atencioso. Quando questionava, o fazia de forma simpática, não agressiva, posso até dizer respeitosa. Era exatamente o contrário do brincalhão que desmontava seus oponentes, nas rodas de gamão, do cafezinho ou em alguma redação de jornal onde havia sempre um espaço para seus textos bem humorados e marcados por uma ironia fina.

Naquilo que produziu para a imprensa diária ficou sua marca de cronista bem antenado: uma crítica bem humorada, uma ironia fina e muita, muita capacidade criativa na formulação dos seus textos. O Toinho lembrou num texto em seu blog – O Espírito da Coisa – de duas criações suas que marcam época: Madame Janete e a Balsa para Manacapuru. A balsa é a expressão do resultado eleitoral a assombrar candidaturas acreanas: a derrota. Na sua atuação jornalística compôs com Rufino Vieira, Foch Jardim, Edison Martins, Garibaldi Brasil, José Leite uma geração acreana de jornalistas a marcarem época.

Quando estive no Acre, no início de 2004, fui a Brasiléia, onde escolhera viver nos últimos anos. Fazia tempo que não nos víamos. Sua reação ao ver-me e forma como me cumprimentou ainda hoje me emocionam. Tinha sofrido um terrível acidente que lhe desfigurara o rosto e usava um tapa olho para poder usar o resto de visão que lhe sobrara. Abraçou-me, dizendo, “Mário, meu filho, quanto tempo... que bom te rever”. Puxou-me pelo braço para seu pequeno gabinete na Prefeitura de Brasiléia e ficamos um bom tempo conversando.

No dia seguinte, visitou-me na casa do meu pai. Nesta viagem, foi a última vez que vi meu pai, também, foi a última vez que vi meu amigo Aloísio Macedo Maia.

Hoje, dia 09 de junho, meu irmão Jesús Lima telefonou-me para avisar que Aloísio Maia dera por encerrada sua estada entre nós. Lamento não poder estar presente, nesse momento, para lhe beijar a fronte em despedida. Agora, estará ao leme, não mais de uma lancha, nem pelos rios da Amazônia, mas em alguma nau encantada, algo como uma belíssima caravela, com velas esfumadas pelos ventos eternos da nossa saudade imensa, cruzando os mares da eternidade.

Seus amigos, seus filhos, quem o conheceu estaremos todos mais tristes e nosso Acre, certamente, mais pobre, pela perda.

O SEMBLANTE DE LULA


Foto da capa do jornal O Globo, tirada ontem, durante a visita do presidente Lula à Plataforma P-47 da Petrobras, no Rio.

quarta-feira, 8 de junho de 2005

VELHA ÍNTEGRA E INTEIRA

Caro Altino,

em relação ao ocorrido no último domingo, que o Elson relatou no teu blog, queria fazer alguns esclarecimentos.

O nome da moça não é Socorro e sim Rosinha. Acho que quando eu falei com o Elson eu estava tão puta da cara que me enrolei toda. Nem conheço nenhuma Socorro ligada à questão de Educação Ambiental.

Quanto à questão das trocas da camisetas, há uma nova versão rolando: a de que uma de nossas instrutoras autorizou que fosse feita a troca.

Avisarei quando tiver isso esclarecido, mas queria lhe dizer que o mais grave nesta história, no meu entendimento, e conversei com várias pessoas sobre esta questão, .é que tão somente a proposta da troca é anti-ética.

Nós, da VERTENTE, trabalhamos há quase 3 anos lá na periferia, tres vezes por semana, com quase 50 crianças, desenvolvendo uma proposta que já teve o reconhecimento dos ministérios do Meio Ambiente e da Cultura.

Então deve ser sério aquilo que fazemos. A gente fica lá falando de florestania, propondo o despertar do sentimento de "pertença", da nossa acreanidade, desenvolvendo atividades com o lúdico e o imaginário das crianças, com os nossos mitos de nossa floresta tropical, como a cobra grande, bate-pau, mapinguary...

Mas quando chega na hora de apresentarmos o resultado do nosso trabalho, temos que colocar em nosso peito um monte de ursinho panda. Me poupe!

Quanto à agressão verbal "sai daqui sua velha", confesso que todo o meu espanto ficou por conta do ódio e da vemência com que a frase foi dita, carregada de preconceito, de desvalorização, de desqualificação da fala de alguém que, assim como eu, tem já os seus 54 anos.

É uma caminhada, a minha vida, da qual me orgulho ter chegado até hoje, íntegra e inteira, podendo olhar com tranquilidade, todos os dias, as pessoas de frente, de mente e coração abertos, de admirar os filhos que tenho, que conseguiram herdar de mim os mesmos princípios de honestidade.

Dignidade que meus pais me ensinaram ser Velha num país que tem que recorrer a um Estatuto para que todos os idosos sejam respeitados, minimamente, não é fácil. Mas ser discriminada e agredida por alguém que se posta de educadora ambiental, realmente é de me deixar bastante preocupada

Há também uma nova versão de que eu teria tentado "enforcar" a tal jovem Rosinha. Seria cômico se não fosse trágico, mas gostaria de dizer que há muito tempo aprendi a lidar com este meu lado agressivo.

Foram cinco anos de análise e agora quase três meses de acupuntura. Transferi toda a agressividade do meu braço para minha lingua, .da qual inclusive muitos tem medo. Todos sabem que ninguém, quando quer realmente bater ou "abarcar" como se diz aqui, não ameaça. Bate e pronto.

Mas fica aqui o desafio para que seja apresentada uma, ao menos uma pessoa que possa ser testemunha de tal fato do enforcamento ou da tentativa enquanto do incidente grave, agressivo, do qual fui vítima. Posso apresentar como testemunha todas as crianças do projeto, os coordenadores, os apresentadores do show, que para muitos acabou se transformando em "Desencantos da Floresta".

Um grande abraço. Manda cópia pro Elson

Beijos desta velha que lhe respeita

Célia Pedrina

TRANSGENIA


Faço um esforço danado para deixar em paz o pessoal da redação do site Notícias da Hora, ops!, Erros da Hora, mas não tem jeito.

Eles apresentam hoje a deputada Naluh Gouveia como "ex-guerrilheira do MR-8". Meu Deusu! E ainda fazem referência aos "petistas orgânicos".

O chargista Gean Cabral, não deixou passar batido:

-Com certeza existem petistas transgênicos, que merecem ser estudados pelos cientistas políticos.

JORNAL DO BRASIL


O companheiro Lula ignora limites
Augusto Nunes

Há limite para tudo, repetiu há meses o deputado federal Fernando Gabeira. Ele ainda era filiado ao PT quando pronunciou a frase. Convidado pelo ministro José Dirceu para um encontro no Planalto, chegou na hora marcada. Depois de 90 minutos de espera, achou melhor voltar para casa. Há limite para tudo.

A lição não é nova. A frase é diariamente repetida por milhares de brasileiros. Por que inspirou tantas manchetes nos jornais? Porque as quatro palavras foram pronunciadas por um político. Na voz do habitante de um mundo em que a esperteza e a conveniência rasa prevalecem sobre princípios éticos e morais, a declaração de Gabeira soou como uma novidade e tanto.

Hoje no PV, ele continua a praticar com naturalidade o convívio dos contrários. Talentoso, sensível, conhecedor do universo que habita, Gabeira não se espanta com alianças que implodem amizades antigas ou acordos entre antagonistas históricos. ''Não há nenhum amigo que não possa virar inimigo nem um inimigo que não possa tornar-se amigo'', dizia Getúlio Vargas. Mas ele sabia que há limites.

A crise que resultou no suicídio do presidente atestou a impossibilidade de se buscar alguma trégua entre, por exemplo, Getúlio e seu arquiinimigo Carlos Lacerda. A troca de ofensas entre governo e oposição fora longe demais, atingira a honra e a alma dos combatentes. Ultrapassara fronteiras sem volta.

Tais reflexões emergem da contemplação de fotos que mostram o presidente da República sorrindo ao lado do senador Renan Calheiros. Ou por declarações de Lula que absolvem liminarmente o deputado Roberto Jefferson de acusações passadas, presentes e futuras. O poder subtraiu a Lula o senso do limite.

Ele certamente não esqueceu um dos mais vergonhosos momentos da história republicana: o programa de Fernando Collor no horário eleitoral gratuito que apresentou ao país uma mulher chamada Miriam, mãe de Lurian, filha de Lula. A exumação da história já era uma abjeção. Mais abjetas seriam as falas de Miriam.

Ela seguiu o roteiro traçado por assessores de Collor, aprovado pelo bando de íntimos que incluía dois deputados: o alagoano Renan Calheiros, futuro líder do governo na Câmara, e o fluminense Roberto Jefferson. Lula conta que nunca se sentiu tão humilhado quanto naquela noite. Enquanto mergulhava no pesadelo em São Bernardo, Collor sorria em Brasília com o espetáculo inverossímil.

Ao lado do chefe, também Renan distendia, satisfeito, a musculatura do rosto de professor secundário nomeado sem concurso. Perto deles, um Jefferson então obscenamente obeso sacudia o corpanzil nos momentos mais ultrajantes. Era o fim de Lula, celebrou o bando collorido quando o programa terminou. Não era.

Lula chegou ao Planalto já cavalgando uma aliança entre partidos dissonantes. No poder, não demorou a constatar que teria de conviver com personagens sem acesso a lares respeitáveis. Mas ninguém imaginou que, em junho de 2005, Lula teria em Renan Calheiros, agora na presidência do Senado, o maior aliado na luta para sepultar a CPI que ameaça Roberto Jefferson.

Não se esqueça do que viu naquela noite, presidente.

Fonte: Jornal do Brasil

terça-feira, 7 de junho de 2005

AUTOCENSURA

A competência da imprensa do Acre acaba por fragilizar o governo estadual diante daqueles que usam exagerada dose de oportunismo para alardear a existência de censura no Estado.

Não existe hoje nos quatro jornais diários de Rio Branco nada a respeito do que se passa em Brasília, a partir da entrevista do deputado Roberto Jefferson, que denunciou ontem, em entrevista ao jornal Folha De S. Paulo, a existência de mensalão de R$ 30 mil que o PT paga aos parlamentares da base aliada.

Nem o independente jornal O Rio Branco, do dublê de político Narciso Mendes, demonstrou interesse pelo assunto. Apenas o jornalista Leonildo Rosas, na coluna Poronga, do jornal Página 20, escreveu um "dedim" fantasioso de prosa. Diz ele:

- Há um cheiro muito grande de golpe no ar. Seria insano afirmar que esse odor vem dos quartéis. Os golpistas dificilmente chegariam a esse ponto. Mas não resta a menor dúvida de que as forças ocultas da política nacional se movimentam na sombra para apear o presidente Lula do poder.

Vou torcer para que daqui a mil anos nenhum desavidado tente saber, a partir dos arquivos dos jornais do Acre, o que aconteceu ontem em Brasília.

Agora só falta o senador Geraldo Mesquita Jr. (PSOL-AC) voltar a ocupar a tribuna do Senado para acusar o governador Jorge Viana e o secretário de Comunicação Aníbal Diniz de cercearem a liberdade de imprensa no Acre na tentativa de evitarem a queda do governo petista.

segunda-feira, 6 de junho de 2005

HUMILHAÇÃO!



Elson Martins

Era 11 da noite quando a professora Célia Pedrina me telefonou, ontem, indignada e humilhada com a experiência que viveu no Parque da Maternidade, local escolhido pelo Governo do Acre para a festa de encerramento da Semana do Meio Ambiente.

Como presidente da organização Vertente, Célia montou o grupo musical Som da Floresta com meninos e meninas de 8 a 13 anos, de famílias da periferia de Rio Branco.

Ao todo são 40 crianças envolvidas com o projeto. Elas se apresentam sempre nas atividades culturais do governo estadual e têm revelado boa harmonia musical. Chamam atenção também pelos instrumentos criativos que elas mesmas construíram com materiais retirados da floresta.

Desta vez, porém, ao subir ao palco da concha acústica Jorge Nazareth, a meninada foi avisada de que teria que trocar suas camisas (uniforme do Som da Floresta) por camisas do WWF, a organização internacional com representação no Acre e certamente uma das patrocinadoras da programação da semana.

Célia opôs-se à troca de camisas com veemência, mas a pessoa que coordenava a festa e que representa o setor de Meio Ambiente do governo estadual, de nome Socorro, não aceitou seus argumentos. Pior: tratou Célia Pedrina de “velha chata” e a expulsou do palco.

Em respeito às crianças, Célia deixou que vestissem a camisa do WWF e se apresentassem, como sempre, encantando a platéia. Mas a atitude da representante do Governo a deixou doente. Célia Pedrina, que tem 10 testemunhas da humilhação que sofreu, poderá até processar dona Socorro com base no Estatuto do Idoso. Ou não?

Creio que todos nós acreanos fomos agredidos com o que aconteceu no Parque. E não apenas dona Socorro, como o Governo do Estado e o WWF, devem pedidos de desculpas à Célia Pedrina e aos povos da floresta.

domingo, 5 de junho de 2005

NITROGLICERINA PURA!

Notas do blog do jornalista Ricardo Noblat:

Vem bomba!
A Folha de São Paulo de amanhã publicará extensa entrevista do deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB. Quem conhece o conteúdo dela garante que é nitroglicerina pura.
Há cerca de duas semanas, Jefferson havia ameaçado: "se eu sentar naquela cadeira [a de uma CPI dos Correios] vão comigo o ministro José Dirceu, Delúbio Soares [tesoureiro do PT] e Sílvio Pereira" [secretário-geral do PT].
O governo está assustadíssimo.

Vem bomba! O destino da "mesada"
Em sua entrevista bombástica à Folha, Roberto Jefferson concentra suas revelações em Delúbio Soares, o tesoureiro do PT. Diz ele que a "mesada" obtida nas estatais é repassada ao PT, não ao PTB, por intermédio de Delúbio.
Roberto Jefferson poupa, apenas, o presidente Lula.
A Folha vem com três páginas sobre o escândalo de corrupção: duas com a entrevista de Roberto Jefferson e uma expondo todo o escândalo.

Vem bomba! Lula foi avisado
Em encontro com Lula no ano passado, o deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, contou que Delúbio Soares, tesoureiro do PT, pagava mesadas a partidos - entre outros, o PT, o PP e o PL.
Lula chorou na ocasião, segundo Jefferson afirma na entrevista que a Folha de S. Paulo publicará amanhã. E mandou que ele repetisse a história para os ministros José Dirceu, da Casa Civil, Aldo Rebelo, da Coordenação Política, e Antonio Palocci, da Fazenda.
Jefferson fez o que Lula mandou.

O que levou Jefferson a abrir o bico
Jefferson viu na reportagem publicada hoje pelo O Globo e que o deixa mal a impressão digital do PT. Por isso resolveu falar à editora da coluna Painel, da Folha de S. Paulo, Renata Lo Prete.
Seguem trechos da reportagem de O Globo assinada por Gerson Camarotti:
"O presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), adotou uma estratégia de ocupação de poder no governo Lula. Em vez de lutar por ministérios com visibilidade política, preferiu funções técnicas e conseguiu montar uma rede em cargos do segundo escalão, principalmente nas estatais.
Os afilhados políticos de Jefferson ocupam ao menos oito cargos importantes, responsáveis pela gestão de cerca de R$ 4 bilhões anuais. Além dos implicados nos escândalos dos Correios e do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), dois outros indicados por Jefferson para a Delegacia Regional do Trabalho no Rio e para a Infraero foram investigados pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União.
Na contabilidade foram excluídos dois cargos que já não estão sob controle do deputado: a diretoria administrativa dos Correios, que era ocupada por Antonio Osório Batista, afastado em maio depois de denúncias envolvendo a estatal; e a Superintendência Regional Leste da Infraero, que foi comandada por Juarez Lessa, exonerado em 2003.
A preferência de Jefferson por cargos técnicos foi explicitada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações da reforma ministerial. Numa conversa no Planalto, em março, Jefferson disse que não queria um ministério e que estava satisfeito com a representação do PTB no primeiro escalão, o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia. Mas cobrou agilidade na distribuição de cargos federais nos estados.
A estratégia surtiu efeito: há dois meses ele passou a controlar o comando do IRB, com Luiz Appolônio Netto, cargo também cobiçado pelo PP, e a poderosa vice-presidência de Logística da Caixa Econômica Federal, com Carlos Alberto Cotta.
Segundo um ministro petista, em troca do apoio do PTB, Jefferson passou a controlar cargos em estatais e postos-chaves do Executivo. O ministro diz que é uma aliança arriscada, mas que, em um governo de coalizão, não há outra saída."

ASSALTO E TIROS NA IGREJA

Conversava hoje à noite com meu amigo Braz Cunha, que mora numa casa em frente de uma igreja, em Porto Velho, mas tivemos que interromper o papo, a pedido dele, por causa da violência que impera na cidade.

Enquanto conversávamos, bandidos invadiram a igreja da paróquia São José Operário para roubar o dízimo. Antes de fugirem sem ser identificados, balearam o padre Cláudio Avalone com dois tiros, que o atingiram no fígado e baço.


-A minha filha ouviu três tiros e minha mãe saiu correndo para ajudar a socorrer o padre, que está fora de risco. Porto Velho é cada dia mais violenta e quase todas as igrejas já foram assaltadas - relatou Braz mais ou menos uma hora e meia depois. Ele faz parte da minoria nativa de Rondônia.

Recentemente, a partir de cruzamento de dados do Censo IBGE de 2000 com os registros de óbito do Ministério da Saúde, de 2003, o Ipea calculou a probabilidade de um cidadão ser assassinado em cada um dos 5507 municípios brasileiros.

Os maiores índices de homicídio estão concentrados nas regiões metropolitanas, mas não nas capitais. Dos 20 municípios mais violentos, apenas quatro são capitais: Recife (10ºlugar), Vitória (16º), Maceió (18º) e Porto Velho (19º).

Existem no Acre alguns bobinhos que consideram Rondônia paradigma de desenvolvimento regional. Mas nenhuma cidade acreana figura até agora no ranking das cidades mais violentas do país.

- O padre Cláudio é novo aqui na paróquia. Sei que ele trabalhava com uma tribo indígena aí do Acre - acrescentou Braz.

Segundo o site Rondoniagora, a Polícia Militar informou no final da noite deste domingo, que o padre Cláudio Avalone, da Igreja São José Operário, na Zona Sul de Porto Velho, foi atingido por dois tiros, um no braço esquerdo e outro na barriga, mas não corre risco de morte. Também foi atingido no assalto, ocorrido no início da noite, Waldson Vilton de Moraes com um tiro na perna esquerda. Foram dois os assaltantes, que fugiram levando cerca de R$ 800.

Rondônia é o fim.

sábado, 4 de junho de 2005

LULA COM FHC


Jorge Viana sugere encontro do
presidente com o tucano e diz que
é preciso trocar a agenda da Praça
dos Três Poderes pela do povo

• Nasceu em Rio Branco, em 20 de setembro de 1959
• Engenheiro florestal, sempre se dedicou às causas ecológicas
• Foi prefeito de Rio Branco e governador do Acre duas vezes, eleito em 1998 e reeleito em 2002, quando teve 63,6% dos votos, no primeiro turno
• É irmão do senador Tião Viana (PT-AC)


Mino Pedrosa e Ricardo Miranda

Ele governa o Acre, um Estado a três mil quilômetros de Brasília, mas está bem perto do coração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o cacife dessa proximidade afetiva que muitos desejam, mas poucos realmente têm, o engenheiro florestal Jorge Viana (PT), 45 anos, fala sem rodeios quando o assunto é seu velho companheiro, o presidente da República. O governo Lula, acredita Viana, trocou a agenda do País, as prioridades do povo, pelo que chama de Agenda da Praça dos Três Poderes, que vive para resolver emergências, como a perda da presidência da Câmara e a CPI dos Correios. Para recuperar a agenda real, recomenda, o presidente precisa colocar seus auxiliares para percorrer o Brasil. “Os ministros estão muito presos a Brasília. Tem que ter um choque, pôr os ministros dentro do País”, defende.

Conselheiro de Lula nas horas mais difíceis, Viana, que não gosta do título de confidente, tem dito ao presidente que, antes de resolver as crises com a base aliada, o governo precisa resolver seu problema com o PT. Jorge Viana lamenta a criação da CPI dos Correios, critica o que chama de “peemedebização” dos partidos e defende um encontro do presidente Lula com seu antecessor Fernando Henrique Cardoso. Apesar do “fator São Paulo”, acha, PT e PSDB são mais parecidos que a maioria das legendas. “Esse é um caso malresolvido”, arrisca. Governador do Acre desde 1999, Jorge Viana foi um sopro de renovação num Estado que já teve governador assassinado – Edmundo Pinto, em 1992 – e político preso por eliminar seus adversários a golpes de motosserra – o ex-deputado Hildebrando Pascoal. Nesta entrevista a ISTOÉ, ele fala sobre o sopro de mudanças que ele e toda a sociedade ainda esperam do governo Lula.

ISTOÉ – Onde o PT está errando?
Jorge Viana – Naquilo que éramos tidos como craques: na política. Não tenho nenhuma dúvida de que do ponto de vista geral do governo estamos indo bem. Naquilo que parecia que não errávamos, que éramos bons, estamos errando. Estamos gastando tempo de menos com a política. Do jeito que é o desenho institucional do País, temos que montar um grupo grande dentro do governo para cuidar da relação com o Congresso, com os governadores, com os prefeitos. Dentro do governo, se faz pouco-caso disso. As conseqüências são terríveis, como se viu na eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Também estamos muito presos a uma Agenda da Praça dos Três Poderes. Isso é um equívoco.

ISTOÉ – Como um presidente que conhece o País de ponta a ponta, que criou as Caravanas da Cidadania, pode ter ficado refém da Praça dos Três Poderes?
Viana – Há uma diferença enorme entre o presidente Lula e a equipe dele. O presidente tem um perfil, é o brasileiro que mais conhece o Brasil, falou para todo mundo que era para andar por este país, governar a partir do Brasil, e não de Brasília. E o que vejo, a cada dia que passa, é cada vez mais Brasília, mais Praça dos Três Poderes, quando deveria ser o contrário. Os ministros estão muito presos a Brasília, mais até do que o presidente Lula. Isso é ruim para o País e para o nosso governo. Tem que ter um choque, pôr os ministros mais dentro do País.

ISTOÉ – O presidente Lula se tornou um refém da burocracia de Brasília?
Viana – Eu não diria o presidente Lula, ele é muito inquieto, mas o governo, sim, está amarrado nessa Agenda da Praça dos Três Poderes. E, pior do que isso, é uma agenda das urgências, e não das importâncias. Tem um risco muito grande quando se é governo: há urgências todos os dias. Mas urgências nem sempre são coisas importantes. Coisas importantes para o País e para o próprio governo estão sendo deixadas de lado por emergências que não são a agenda do povo.

ISTOÉ – O que deveria estar na agenda do País e está de fora?
Viana – O presidente Lula já me disse que neste ano queria estar discutindo grandes projetos, como a Transposição do Rio São Francisco, o Plano de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, como consolidar uma presença econômica sustentável no Centro-Oeste. E se dedicando a discutir a geração
de empregos e o aumento do crescimento. O Brasil devia estar crescendo o
dobro do que está.

ISTOÉ – O presidente esperava mais desse terceiro ano de mandato?
Viana – O terceiro ano é o melhor ano de qualquer governo. Não era para estar sendo contaminado pela política eleitoral no nível que está. Até por culpa do próprio PT. É um erro o PT estar fazendo a eleição do Diretório Nacional agora, nesse calendário de maio até setembro. Não somos mais aquele partido na oposição, que tinha tempo de sobra. Estamos no governo, nosso recurso mais escasso é o tempo. Estamos agindo do mesmo jeito que agíamos na oposição. Por que continuamos com esse rodízio de líderes? Estamos agora disputando uma copa do mundo da política. Não é hora de ficar testando. Ainda não conseguimos conciliar ser oposição e ser governo. Aliás, não encontramos ainda nem o ponto de como conciliar o partido com o governo. Para mim, o partido não tem que discutir, tem que ser cúmplice do governo. Não tem sentido, toda vez que surge um problema, ficar todo mundo com a mão na cabeça para saber se vai ter unidade do PT no apoio ao governo. Isso não dá para discutir. Tem que ter unidade e ponto. Não podemos desperdiçar este ano. Ano que vem é o ano da reeleição.

ISTOÉ – O sr. defende linha dura com os rebeldes?
Viana – Isso não resolve nada. Não se pode chegar num braseiro e ir espalhando a brasa. Nosso projeto não é de quatro anos, é um projeto de país, que não tem data para terminar. O PT nasceu para isso. Está na hora de uma repactuação entre PT e governo, sem deixar de fora os companheiros que têm uma posição diferenciada. Na hora em que o PT conseguir fazer isso, vamos poder chamar o PCdoB, o PSB, os partidos que são históricos aliados. E depois rediscutir um pouco que aliança temos que fazer diante de um quadro partidário tão complicado. Estamos vivendo uma espécie de “peemedebização” dos partidos. Do PCdoB ao PFL, todo mundo está vivendo isso. O PT, que tem a responsabilidade de ser o líder desse conjunto de forças políticas que governa o País, tem que arrumar a casa. Defendo um diálogo entre o Palácio do Planalto e o partido, fora do calendário normal do partido, uma agenda nova entre o presidente (do PT, José) Genoino, o presidente Lula e alguns ministros. Precisamos assumir o papel de ser governo. Essa CPI dos Correios não é um problemão para nós, nosso problema começa lá atrás.

ISTOÉ – E por que o governo atuou para evitar a CPI?
Viana – A oposição está tentando antecipar 2006. E nós estamos caindo nessa armadilha. A CPI é um instrumento sério e já foi muito útil ao nosso país. Não pode ser alvo de antecipação de eleição, para tentar botar obstáculo para o governo, fazer chantagem – isso serve para os dois lados, seja o pessoal da oposição, sejam aliados que vêem numa ameaça de CPI a oportunidade de barganhar algo. Nosso governo tem a chance de desmistificar isso agora. Todo mundo fala que CPI a gente sabe como começa, mas não sabe como termina.

ISTOÉ – O governo sabe como essa CPI termina?
Viana – Não sabe, mas o governo está tranqüilo. Não podemos ter medo disso. Esse foi um caso de polícia: um funcionário de carreira pedindo dinheiro. Esse cidadão (Maurício Marinho) já era para estar preso.

ISTOÉ – O PT se igualou aos demais partidos nos métodos para governar?
Viana – Temos que pensar bem qual a estrutura partidária que temos hoje. O PT é uma minoria, 90 em 500 deputados e não conta com todo mundo na hora de votar. O PCdoB tem nove deputados. Na hora de mostrar apoio, três votam para um lado e seis para o outro. O povo brasileiro não pode continuar tendo essa estrutura partidária. Está passando da hora de termos uma grande e profunda reforma política. Ela talvez não atenda aos interesses de alguns que estejam ali dentro do Congresso, mas atende aos interesses do País.

ISTOÉ – Enquanto isso, o PT tem que governar com o PTB de Roberto Jefferson, o PP de Severino...
Viana – Este país vive uma situação esquisita que é essa disputa entre PT e PSDB. Esse é um caso malresolvido. A situação de São Paulo contamina a política nacional de forma equivocada e impede que os dois se aproximem. O País não pode continuar vivendo uma situação em que as disputas eleitorais de São Paulo são transferidas para todo o País. Com esse confronto entre PT e PSDB, não resta saída: quem estiver no governo vai ter que estabelecer alianças com forças políticas conservadoras. Deixamos de estabelecer um diálogo com o PSDB e nos aproximamos de partidos que estão atrás do PSDB. Em muitas ocasiões, o PT deu um tratamento muito correto para o governo FHC. Em outras, exageramos na dose. O PSDB não tem o direito de cometer os mesmos erros do PT na oposição. Defendo um diálogo diferenciado com o PSDB.

ISTOÉ – O sr. defende uma aproximação com os tucanos?
Viana – Antes do caso Waldomiro (Diniz), Lula defendia essa aproximação. Depois, isso foi esquecido. No Acre, fiz aliança com o PSDB e estou feliz. Não gosto de deixar para o segundo turno uma aliança que pode ser feita no primeiro. Sou um aliancista. O próprio Fernando Henrique devia assumir um papel menos militante e mais de ex-presidente. “Peru bêbado” é coisa de militante. Lula poderia chamá-lo para ter uma conversa objetiva. Quem sabe aí começaria uma relação nova com o PSDB.

ISTOÉ – O presidente não está muito distante da coordenação política?
Viana – O Ministério da Coordenação Política foi muito adequado para a época em que foi criado. O ministro José Dirceu estava sofrendo um golpe, foi ferido, e criamos uma Coordenação Política. Eu gosto muito do ministro Aldo (Rebelo), mas acho que ele não dá conta. Nem o Aldo nem ninguém. Defendo um redesenho da estrutura de decisão dentro do Palácio do Planalto. Eu criaria uma Coordenação de Gestão de Governo. Com o próprio presidente tendo mais tempo para isso. Não estou pedindo para trocar o Aldo, acho um equívoco o PT ficar pedindo o cargo dele. A Coordenação Política é do governo e esse governo não é do PT, é de um conjunto de forças políticas. É preciso gastar mais tempo com a política. O maior erro é desprezar a política, desprezar o Congresso.

ISTOÉ – O sr. é um conselheiro do presidente Lula?
Viana – Eu não aconselho o presidente, eu me aconselho com ele. Mas tenho tido algumas conversas muito sinceras com ele.

ISTOÉ – Lula será reeleito?
Viana – O presidente Lula me ensinou que só vale a pena buscar a reeleição se você tem algo importante e diferente para fazer num segundo mandato. O presidente Fernando Henrique foi um exemplo de desperdício do segundo mandato. Somos diferentes. Não vamos colocar a reeleição como um caso de vida ou morte. Quando for discutir a reeleição, Lula deveria fazer – eu, se fosse ele, faria – uma série de exigências para o PT e os aliados. O presidente Lula é o maior patrimônio que temos. Não temos o direito de arranhar sua biografia. O cenário hoje é muito favorável, mas eu não descuidaria disso. É só lembrar da (Luiza) Erundina, da Marta (Suplicy), do Cristovam (Buarque)... Eleição é eleição, é ganhar ou perder. Não tem negócio de já ganhou. Se ficarmos andando de salto alto, trabalhando a política no varejo como estamos fazendo, podemos estar colaborando para o risco de o Lula perder.

ISTOÉ – Alguns artistas e intelectuais têm manifestado seu desencanto com o governo Lula. O escritor João Ubaldo Ribeiro tem escrito, em seus artigos no jornal O Globo, que se arrependeu do voto em Lula. O sr. acha que há um desencanto geral com o governo?
Viana – Não, mas essa aparência existe. O presidente Lula, que sempre teve uma ótima relação com os intelectuais, artistas e bons pensadores deste país, tem que mudar sua agenda. Temos que adotar a Agenda do País. A Agenda da Praça dos Três Poderes não inclui o Ubaldo, o Leonardo Boff e muita gente boa. O presidente Lula gosta de ouvir. Deve fazer encontros com essas pessoas que são aliadas do País, que não têm outro interesse a não ser o melhor para o Brasil. A armadilha da Agenda da Praça dos Três Poderes coloca figuras como João Ubaldo na posição que está, distante.

Fonte: IstoÉ

quinta-feira, 2 de junho de 2005

FAWCETT E PLÁCIDO DE CASTRO


O paleontólogo Alceu Ranzi, o jornalista Elson Martins e eu fomos até o município de Senador Guiomard no final da tarde de quinta-feira. Ranzi, que mora em Florianópolis e está de passagem por Rio Branco, queria falar com o prefeito Celso Ribeiro a respeito da sugestão que fez para que o nome da cidade volte a ser Quinari.

Ele nos revelou que está concluindo um artigo sobre o livro "Exploration Fawcett" cuja primeira edição ocorreu em 1953 e foi reeditado em Londre em 2001. Ele adquiriu um exemplar da nova edição e o artigo vai tratar do encontro que Fawcett teve com Plácido de Castro no seringal Capatará em 1907.

- A nova edição de "Exploration Fawcett" traz uma foto histórica (acima) de Plácido de Castro, que não vi na primeira edição. Ela foi tirada pelo explorador inglês, que relata perplexidade com o fato dos cães do caudilho conseguirem sobreviver apesar da infestação por tanta sarna - observou Ranzi.

Percy Fawcett, que trabalhou no Ceilão para o serviço secreto britânico, foi contratado pelo governo da Bolívia, que precisava demarcar suas fronteiras. Topógrafo, ele chegou na América do Sul em 1906, indicado pelo Foreign Service ( Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido).

Fawcett andou pelos Andes e pela Amazônia boliviana e brasileira nas expedições de 1906/1907; 1910; 1911 e 1913 . Na expedição de 1914 , partindo de San Inácio, na Bolívia , penetrou em território brasileiro . No antigo Guaporé (hoje Rondônia) presenciou os funerais de um índio na parte oeste da Serra dos Parecis. Segundo seus relatos, teria visto o espírito do morto .

O coronel Percy Fawcett esteve com o coronel Plácido de Castro um ano antes do comandante da Revolução Acreana ser assassinado. Fawcett, que acreditava na existência de várias cidades perdidas, desapareceu misteriosamente nas terras brasileiras .

A foto tirada por Fawcett talvez seja a única na qual Plácido de Castro aparece em pé. Clique sobre a foto para vê-la ampliada e conferir que o caudilho era tão baixinho quanto o governador Jorge Viana.

DEDO NO SUSPIRO


No século passado, precisamente em 1991, a família Melo, do ex-governador Flaviano Melo, o jornalista Sílvio Martinello e o radialista Roberto Vaz decidiram tirar de tempo o jornalista Elson Martins da composição societária do jornal A Gazeta.

Martins então decidiu vender a casa e o carro para ir viver no Amapá. Mas o jornalista Suede Chaves, um dos que ajudaram Martins a fundar o jornal Varadouro, se mostrava inconsolável com a decisão. Ele teve então a brilhante idéia de mediar um encontro de Martins com o empresário Narciso Mendes, dono do jornal e TV Rio Branco.

O plano de Chaves consistia em fazer com que Martins aceitasse a direção do jornal. E lá se foram para a mansão de Mendes, que usava apenas cueca para esconder as partes pudendas daquele corpo esquelético ao recebê-los.

A conversa foi breve em razão da objetividade do empresário, que disse com carregado sotaque potiguar:

- Elson Martins, o jornal é seu. Você assume a direção e eu não vou me meter em nada para influenciar a linha editorial.

Chaves, que sonhava se tornar o secretário de redação, olhou e sorriu feliz para o amigo. Mas a felicidade foi breve. O empresário caminhou até a porta e chamou três seguranças que estavam na varanda da casa. Quando os homens entraram na sala, ele arrematou:

- Elson, eu só quero fazer uma exigência para usar o jornal no momento adequado. Meus seguranças já estão avisados, mas vou repetir, na sua presença, a ordem que dei: quando vocês encontrarem por aí o jornalista Sílvio Martinello, aquele barbudinho da Gazeta, é para trazê-lo até aqui. Nós vamos pegá-lo, enfiar um cabo de vassoura na bunda dele e tirar fotos para que sejam publicadas no jornal.

Assustado, Martins conseguiu sinalizar ao Chaves para que tirassem o time da mansão do empresário. Martinello foi avisado e se livrou de ser espetado porque inventou uma viagem ao Recife.

Esse é o empresário que clamava ontem por liberdade de imprensa num evento organizado pelo Sindicato dos Jornalistas, que contou com a presença do secretário de Comunicação Aníbal Diniz. O fato é que ninguem citou um caso sequer de censura durante o debate.

Dos empresários de comunicação no Acre, Narciso é o único que independe do governo, mas sua TV e o jornal não dispõem da menor capacidade e credibilidade para apurar e publicar os supostos casos de corrupção na administração estadual que seu proprietário alardeia tonitruante em conversas de esquina.

Seus dois veículos, que estão prestes a fechar, reduziram a agressividade por dois motivos: o excesso de ações judiciais por conta do conteúdo injurioso e porque o empresário no fundo sonha que o governo, o maior cliente da mídia, possa enfim tirar o dedo do suspiro.

Triste fim para o dono de um jornal que redigiu a manchete "PT sequestra empresário Abílio Diniz", que previu o assassinato de Chico Mendes e fotografou o corpo dele crivado de chumbo e para quem demitiu e agrediu fisicamente o jornalista Antonio Alves por ter escrito que é uma insanidade alguém substituir a floresta por pasto.

Narciso, que abria com pontapés as portas dos gabinetes de governadores para ditar o preço que o erário deveria pagar na farra de suas empresas, agora está sem mandato e sua companhia é recusada por antigos aliados.

Detém as virtudes de estar sempre aberto ao debate ou bate-boca e de se desfazer facilmente do rancor que nutre por seus desafetos. Além disso, é o melhor redator de seus dois veículos de comunicação.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

REUNIÃO DE MADEIREIROS

Empresários madeireiros do Acre e Rondônia reúnem-se nesta quinta-feira 2, em Rio Branco, para discutir vantagens e desafios do manejo e certificação florestal e conhecer o novo sistema passoa-a-passo de implementação dos mesmos.

O selo verde FSC, que tem os mais elevados padrões ambientais e sociais, bem como as técnicas mais modernas para a produção florestal, é reconhecido mundialmente. A demanda do mercado por produtos certificados, tanto no Brasil quanto no exterior, é maior do que a oferta.

Os madeireiros interessados na atividade legal, moderna e responsável estão preocupados com sua imagem e querem se diferenciar daqueles que agem de forma predatória e ilegal. Eles também querem garantir não apenas os nichos mais valorizados do mercado atual como ter acesso ao mercado futuro propiciado pelo sistema produtivo conforme os padrões sustentáveis do FSC.

O QUE: I Ciclo de Palestras sobre Manejo e Certificação Florestal, uma alternativa sócio-econômica-ambiental para a Amazônia. O evento, que dura o dia inteiro, vai discutir temas como o manejo florestal de baixo impacto, a certificação florestal FSC (Forest Stewardship Council) e o sistema passo-a-passo para implantação do manejo e obtenção do selo verde FSC. O evento está dirigido aos empresários madeireiros do Acre e Rondônia

QUANDO: Quinta-feira, 2 de junho de 2005, das 8h30 às 12h

ONDE: Auditório da FIEAC, na Av. Ceará 3727, Bairro Floresta, em Rio Branco

QUEM: O evento é promovido pela Assimanejo - Associação das Indústrias de Madeira de Manejo do Estado do Acre em parceria com FIEAC, Promanejo e WWF-Brasil

Mais informações:

Regina Vasquez, assessora de Comunicação do WWF-Brasil, tel.(61) 9286-7724

Estevão Braga, coordenador de Desenvolvimento de Mercados do WWF-Brasil, tel 68 3224-8357 e (61) 8165-6817 - e também no evento

Assimanejo - tel (68) 3223-0598