sábado, 30 de novembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Rio Moa e o furo Japiim


Na foto anterior, que fiz a partir da ponte existente na localidade conhecida como Recordação, aparecem (veja) um barco e algumas canoas. Nesta foto aérea, que fiz na tarde desta sexta-feira (29), aparecem duas pernas do mesmo Rio Moa, além do barco e canoas.

Explico: acima, na Volta da Aurora, que demorava em média três horas para ser percorrida, no começo do século passado, o coronel Mâncio Lima usou homens brancos e da etnia poyanawa para abrir um furo (desvio) que foi denominado de Japiim, que é o “rio” que banha atualmente o município de Mâncio Lima.

O único igarapé que desagua no Japiim é o Boca da Onça, uma bifurcação onde quem não conhece pode errar o caminho durante a viagem. Ou seja, o furo Japiim sai do Moa e volta ao Moa.

Mas a Volta da Aurora permanece e é temida por causa dos seus jacarés e sucuris gigantes.

Para atender apelos do governo do Acre, a Petrobras foi a única empresa a arrematar em leilão um bloco na Bacia Sedimentar Acre-Madre de Dios com a intenção de explorar petróleo e gás nesta região.

Rio Moa, Cruzeiro do Sul



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Igarapé Preto de Cruzeiro do Sul

Em Cruzeiro do Sul, o exuberante balneário da cidade nunca contou com a devida atenção do poder público e da população. Lixo e construções inadequadas agridem a paisagem. É explorado por uma iniciativa privada irregular, que tira proveito comercial, mas não demonstra o menor zelo. Para garantir a sobrevivência do Igarapé Preto é necessário preservar a vegetação das suas margens até a sua chegada no local do banho, o que não tem sido respeitado pelos proprietários de terras.

Padeiro

Na zona rural de Mâncio Lima (AC), por causa da presença do fotógrafo, a dona da casa se escondeu ao receber o pão

Abajur


Vou passando pelas ruas onde vivi os melhores dias de minha infância e adolescência, em Cruzeiro do Sul (AC), e chama a atenção a quantidade de casas simples ornamentadas com flores dessa planta.

Parei para perguntar o nome quando avistei Aldenira Palhoça, de 74 anos, zelando o jardim dela.

- Não sei o nome, meu filho. Eu chamo de abajur porque parece um abajur - explicou.

Petrobras vai explorar gás a 10 metros de terra indígena no Acre


O bloco AC-T-8a arrematado nesta quinta-feira (28) pela Petrobras dentre os nove blocos que foram ofertados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) durante a 12ª rodada de áreas de petróleo e gás, localiza-se no município de Mâncio Lima (AC), na fronteira com o Peru, nos limites diretos de duas terras indígenas e do Parque Nacional da Serra do Divisor.

A Petrobras promete realizar um investimento inicial de R$ 12 milhões, mas existe parecer da Fundação Nacional do Índio (Funai), enviado em junho deste ano à ANP, que trata dos limites do bloco em relação a linha demarcatória das Terras Indígenas.

Os limites do bloco AC-T-8 estão a 10 metros da Terra Indígena da etnia Poyanawa e a 39 metros da terra da etnia Nukini. As duas Terras Indígenas encontram-se em processo de qualificação e reestudo visando a ampliação de seus limites.

- O governo do Acre, suas ONGs e sua imprensa, medíocres que são, sempre afirmaram que os territórios indígenas não seriam afetados. Fomos caluniados e atacados por falarmos a verdade, quando afirmávamos e continuamos afirmando que os territórios indígenas seriam e serão sim afetados. Entidades ligadas ao ambientalismo e ao indigenismo também estão sendo utilizadas para defender essa insanidade- disse o indigenista Lindomar Padilha, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Na 12ª rodada de áreas de petróleo e gás oito blocos não receberam oferta. A rodada oferta um total de 240 blocos exploratórios terrestres com potencial para gás natural nas bacias do Paraná, Parnaíba, Acre-Madre de Dios, Sergipe-Alagoas, Parecis, São Francisco e Recôncavo totalizando 168,3 mil km quadrados.

A Funai anunciou que vai aguardar o término da 12ª rodada para que possa ter um panorama dos blocos leiloados e das Terras Indígenas incidentes junto a estes blocos.

A Funai informou à ANP que existe sobreposição de bloco exploratório na Bacia do Paraná, com a Terra Indígena Xetá, atualmente em estudo.

No parecer enviado à ANP, a Funai ressalvou existência de reivindicações fundiárias por identificação de áreas e reestudo de limites das seguintes Terra Indígenas: Kraolândia (Bacia do Parnaíba); Utiariti, Rio Formoso e Cidade de Pedra (bacia dos Parecis); Poyananwa, Campinas/Katuquina, Nukini e Kaxinawá da Colônia Vinte e Sete (Bacia do ACre), além de nove registros de reivindicações constantes na Bacia do Paraná.

A Funai alertou à ANP sobre a presença de índios isolados na região dos blocos exploratórios da Bacia Sedimentar do Acre, “o qual não recomenda que qualquer atividade de exploração de petróleo ou gás ocorra nos limites sul da Terra Indígena Vale do Javari, sob os afluentes da margem esquerda do Rio Ipixuna, em distância menor de 25 quilômetros”. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Edvaldo Magalhães nega o que declarou sobre disputa por vaga no Senado

Nota distribuída pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Serviços, Ciência e Tecnologia do Acre, Edvaldo Magalhães:

"Tudo que tenho é minha trajetória de militância política, sempre no PCdoB. Fui sindicalista e depois deputado estadual por mais de 12 anos. Sempre procurei me pautar pela coerência e pelo respeito aos outros, especialmente aos aliados de luta. Com humildade, posso afirmar que sou um dos fundadores da Frente Popular do Acre, que segue representando o melhor projeto para o presente e para o futuro do nosso estado.

Fui surpreendido por um comentário [veja] descabido no Blog do Altino Machado, me atribuindo declarações que não prestei. Quem me conhece sabe que a nota não traduz o meu comportamento e muito menos o meu jeito de tratar questões políticas, o que sempre faço com seriedade e respeito.

Conversei informalmente com o senhor Altino Machado, ontem, no aeroporto de Cruzeiro do Sul. A tradução que ele publica da nossa breve conversa é, no mínimo, fantasiosa. Ele também foi injusto e maleducado em relação a mim e a minha esposa, Perpétua Almeida.

Quanto a questão eleitoral de 2014, o PCdoB já tomou decisão em conferência estadual do partido pelo fortalecimento da Frente Popular, apoiando a natural candidatura à reeleição do governador Tião Viana e lançando o nome da deputada Perpétua Almeida como pré-candidata ao Senado.

Está clara a posição do PCdoB pela construção da candidatura de Perpétua ao Senado no campo da Frente Popular. Trabalhamos para unir e fortalecer nossa tradicional e renovadora aliança, com o PT tendo Tião Viana como candidato ao Governo e todos os partidos da coligação participando democraticamente da elaboração da proposta da FPA, da campanha e da execução do nosso projeto no parlamento e no executivo.

Qualquer ilação diferente disto é fruto de desinformação ou serviço sujo para prejudicar o ambiente de entendimento na Frente Popular.

Edvaldo Magalhães

Rio Branco, 27 de novembro de 2013"

Meu comentário

Logo após Edvaldo Magalhães ter dito o que disse, sem pedir para que sua opinião não fosse publicada, comentei as declarações com Itamar de Sá, dirigente do PT em Cruzeiro do Sul, que também estava na sala de desembarque. Caso o secretário tivesse pedido para que o ponto de vista dele não fosse publicado, eu teria sabido respeitar o que nós, jornalistas, chamamos de "off". Quando nos despedimos Magalhães acrescentou: "Você ainda vai escrever muito sobre isso". Agora é a consciência dele e a minha. Jornalista amigo de fonte nem sempre dá certo. E ainda fui considerado mal-educado por insinuar que o casal é dono do PCdoB no Estado. Aliás, recomendo a leitura da nota "É pegar ou largar", sobre o que a deputada Perpétua Almeida declarou a respeito do mesmo assunto ao colunista Nelson Liano, do site AC 24 Horas.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

PCdoB pode abandonar a Frente Popular do Acre, diz Edvaldo Magalhães

Encontrei o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Serviços, Ciência e Tecnologia do Acre, Edvaldo Magalhães. Ele é casado com a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC). Digamos que o casal é dono do PCdoB no Estado.

Questionado sobre a disputa no Acre por uma vaga no Senado, Magalhães não pediu segredo:

- Só resta uma opção ao PT: desistir da candidatura do senador Anibal Diniz e apoiar a candidatura da Perpétua ao Senado. A candidatura dela é pra valer, irreversível. É uma decisão da direção nacional do partido. Caso o PT nos impeça disso, vamos entregar os cargos que ocupamos no governo, abandonar a Frente Popular do Acre, e a Perpétua vai disputar o Senado apoiando outro candidato ao governo.

Guajará (AM)

A 16 quilômetros de Cruzeiro do Sul (AC), vista aérea de Guajará (AM), município localizado, em linha reta, a mais de 1,6 mil quilômetros de Manaus. Ambos banhados pelo Rio Juruá, que é, em extensão, um dos maiores do planeta.

Cumpra-se a lei

POR MARCIO BITTAR

Nas últimas semanas, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados está debruçada sobre dois assuntos que incendeiam a pauta política da mídia nacional: O corte nos supersalários do Tribunal de Contas da União e a cassação dos mandatos dos parlamentares condenados no julgamento do mensalão.

Mesmo estando temporariamente afastado das minhas atividades no Parlamento, em virtude de grave enfermidade na família, fiz questão de informar, oficialmente, à Mesa Diretora, sobre o meu posicionamento. Em minha opinião, os dois assuntos convergem para uma mesma solução, que é o cumprimento da lei.

No caso dos altos salários de alguns Ministros do TCU, a Constituição Federal, em seu artigo 37, inciso XI, é muito clara, afirmando que o limite máximo de remuneração em qualquer poder da Federação não poderá ultrapassar o subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo nos limites, quaisquer vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza.

Logo, por uma questão de isonomia, temos a obrigação de cumprir a legislação em todas as esferas do governo, sob o risco de incorrermos em crime de improbidade administrativa.

Quanto aos parlamentares condenados no julgamento do mensalão, a resposta à pergunta sobre a manutenção, ou não, dos mandatos, encontra-se, também, na legislação. Uma vez que já foram emitidas as ordens para execução da sentença penal, e os réus já foram recolhidos para cumprimento da pena, não cabe à Câmara postergar a sua decisão. Como manter o mandato de um parlamentar que está privado do requisito mínimo da cidadania ativa, que é a liberdade?

Além do mais, toda estrutura da Câmara, tais como gabinetes, verbas, funcionários, são destinadas ao deputado para o pleno desenvolvimento da atividade parlamentar, que se encontrará, evidentemente, tolhida pela sentença penal de privação da liberdade.

Não podemos conviver com pesos e medidas diferentes nem determinar nossos atos pelo corporativismo. Em um estado democrático de direito, como é o caso do Brasil, as respostas aos dilemas estarão, sempre, na lei.

Então, que se cumpra a lei.

Marcio Bittar é deputado federal pelo PSDB-AC, primeiro secretário da Câmara dos Deputados e presidente da executiva estadual do PSDB-AC

Salas da Biblioteca da Floresta permanecem fechadas por falta de manutenção


Podem comprar bolo, vela e cantar parabéns. Faz um ano, segundo usuários, que as salas de leitura e multimídia da Biblioteca da Floresta permanecem desativadas por falta de manutenção do aparelho condicionador de ar.

Trecho de um esclarecimento enviado ao blog, no final de abril (leia), de autoria do diretor da biblioteca, Marcos Afonso, para quem não faz um ano.

- Nossos usuários compreendem a situação. Estamos, sim, providenciando a resolução do problema com o devido cuidado e atenção do Governador Tião Viana e da nossa Fundação de Cultura. Por sermos éticos, devemos seguir os caminhos normais e legais para a questão. Agradecemos o entendimento de todos e esperamos reabrir integralmente tão logo possível - escreveu o diretor.

domingo, 24 de novembro de 2013

Tapurus na democracia

POR RONNEY SILVA DE ARAÚJO

Aconteceu esta semana em Rio Branco mais uma edição do festival de cinema Pachamama. O chamado “cinema de fronteira” me chamou a atenção por dois aspectos. O primeiro, inevitável, foi a presença de uma figura tipicamente brasileira: o cineasta e ator José Mojica, popularmente conhecido como “Zé do Caixão”. Ouvi, atentamente, a uma entrevista concedida por ele na rádio governamental. Ironicamente um questionador nato como ele na rádio “chapa branca”. No momento em que falou que o verdadeiro terror não seria propriamente um cemitério na madrugada, mas a corrupção dos políticos, percebi a aflição na voz do locutor-apresentador. A entrevista foi encerrada rapidamente.

Ocorre hoje, no Acre, algo que instiga minha consciência: um grupo político, dito de esquerda, após mais de dez anos no poder, manipula ostensivamente as mídias. A ponto de chegar ao cúmulo do ridículo de haver nos quatro jornais diários em circulação, manchetes com a mesma foto e, não raro, a mesma construção textual.

Jornalistas são demitidos de suas emissoras ou redações por produzirem matérias que desagradam aos mandatários. Certa jornalista de emissora de TV foi publicamente chamada atenção pelo governador, em pessoa, por ter noticiado... um latrocínio.

O recente episódio dos “tapurus” nas marmitas do Hospital das Clínicas, de triste lembrança para o jornalismo acreano e para a própria democracia, levou-nos a todos a reflexões sobre as relações de poder e a informação.

Como pode um governo, democraticamente eleito e, portanto, portador do mandato outorgado pela coletividade para, em nome dela, governar, tentar manipular a informação de maneira tão despudorada?

É evidente que a defesa da qualidade e da lisura devem ser suas preocupações primeiras, mas reunir a imprensa para, antes de qualquer investigação formal e confiável, anunciar que se trata de uma sabotagem! E pior, lançar suspeitas sobre os repórteres que noticiaram o fato!

As provas, até que apareça outra versão, foram rapidamente destruídas. Será que o Instituto de Criminalísticas realizou exames antes que as marmitas fossem, todas, atiradas ao lixeiro? Será que aqueles pacientes, que ali estavam naquela noite de sexta-feira, estavam todos mancomunados, prontos a tomar parte de uma “conspiração da oposição”?

Será que questionar as coisas, hoje no Acre, será sempre e inevitavelmente “coisa de quem não ama o Acre”? Será que centenas de pessoas perderam a vida durante a Ditadura Militar, de triste lembrança, para termos esse arremedo de democracia? Onde o que busca a verdade é o subversivo. Onde aquele que questiona uma ação governamental, bancada com dinheiro que nos é arrancado na marra com essa carga tributária imoral, é o errado, é o chato questionador que precisa ser silenciado de qualquer modo.

Repito o que afirmei em texto produzido meses atrás acerca da PEC 37: o momento é grave. Grave porque nossos valores democráticos estão sendo açoitados em praça pública e nós todos, ainda deslumbrados com as pontes, com as passarelas e com os parques, estamos que como anestesiados. Tal qual o “Mito da Caverna”, nossos olhos viram a “luz” das obras brilhar sobre as “trevas” da lama e do esquecimento e realmente acreditamos que eles são os nossos salvadores. Que sem eles o Acre e os acreanos morrem de fome e de sede. Que só eles sabem fazer bem feito. Que todos os outros são ladrões e mentirosos. Que quem não está com eles, está contra o Acre e os acreanos. Será?

Outra coisa que me chamou a atenção no festival foi o lançamento do documentário feito por cineastas paulistas, denominado “O Acre existe”. Além de toda carga emocional que esse título tem para nós acreanos, cujos ancestrais vieram para o Acre em busca de algo melhor do que tinham em suas terras natais, ainda temos que aturar a pseudo centralidade do Brasil no eixo Rio-São Paulo. E ainda temos que ouvir nossos representantes eleitos, com nosso voto, para não só representar nossa vontade, mas sobretudo, nossos valores, dizer que temos de alterar nosso fuso horário “para não atrasar o Acre”. Como se a proximidade do horário com Brasília ou com Rio e São Paulo fosse nos trazer “desenvolvimento”!

Novamente tentam direcionar nosso senso e nossa razão. Será que, para nosso desencanto, não estão surgindo “tapurus” em nossa jovem democracia?

Ronney Silva de Araújo é servidor público, graduado em história e acadêmico de gestão de recursos humanos

PT depende de militância sem ‘camisa com medo de peido’

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

- Menino, tua camisa está com medo de peido.

Foi assim que a Elita, filha da dona Nêga, nossa vizinha lá no beco, em Manaus, saudou minha passagem em frente à sua casa no meu primeiro dia de aula, há 60 anos, quando era eu ainda analfabeto. A expressão criada pela sabedoria popular era muito usada, pelo menos no Amazonas, para denominar uma camisa muito curta. Eis o que eu queria dizer: foi essa "camisa com medo de peido" que vários amigos meus do PT vestiram depois da prisão de Dirceu, Genoíno e Delúbio.

Por que este modelo medroso de camisa? No meu caso, é fácil explicar. Sem dinheiro para comprar a farda do Colégio Aparecida - calça marrom e camisa branca - minha mãe fabricou, ela própria, o uniforme, em uma antiga máquina de costura Singer que tinha pedal gradeado de ferro, gabinete e gavetas. Para isso, transformou os restos de uma batina velha do meu tio, mas o pano era insuficiente e a camisa ficou acima da cintura, deixando meu umbigo de fora. Nunca mais esqueci a gozação da Elita.

E no caso do PT, qual o receio? Na abordagem das recentes prisões, alguns companheiros vestiram simbolicamente a camisa do PT, mas um modelo curto, deixando a descoberto o bumbum, que ficou mais por fora que umbigo de vedete. Eles juram de pés juntos que Dirceu, Genoíno e Delúbio são inocentes, foram injustiçados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), podem ser considerados presos políticos e devem ser tratados como heróis e mártires. Em consequência, execram o presidente do STF, Joaquim Barbosa, como alguém "vingativo", "ressentido" e "mesquinho". Esse é o resumo da ópera.

Dirceu crucificado

Confesso que aqui, neste espaço semanal, tenho me omitido pela mesma razão que levou o Dedé, hoje no Cruzeiro, a não querer jogar neste sábado contra o Vasco, seu time do coração. Não sou um craque como o zagueirão, mas fui presidente do PT-AM e delegado ao encontro nacional em fevereiro de 1980, no Colégio Sion, quando votamos o programa, o estatuto e o plano de ação do partido. Por isso, me recuso a fazer coro com vozes, algumas delas tenebrosas, que se rejubilam com este episódio. Acho que um PT enfraquecido não é bom para o Brasil.

A prisão de Genoíno, a quem admiro, me dói pelos sonhos compartilhados. No entanto, me dói igualmente a reação irracional de companheiros que, de camisa curta, defendem o indefensável. Zombam de nossa inteligência. Intimidam. Um sindicalista, com formação católica, chegou ao cúmulo de dizer num exagero exorbitante que "Dirceu foi condenado, como Jesus, por ousar desafiar os poderosos". Juro que ele escreveu isso: tem registro e testemunhas. O "argumento" me foi repetido nesta quinta-feira por um amigo com quem casualmente encontrei no Aeroporto de Confins.

- Isso é uma heresia. Quando morrer, você vai pro inferno - eu lhe disse, brincando, mas ele não gostou. Acrescentei que esta não era uma forma eficaz de defesa dos condenados pelo STF, além de expô-los ao ridículo. Argumentei:

- A comparação é descabida. Dirceu foi condenado não por haver lutado contra a ditadura há quase meio século, mas pelo que fez recentemente, quando, deslumbrado, já estava no exercício do Poder. O Crucificado nunca esteve no poder, não comprou votos do Grande Sinédrio, não nomeou os membros da Suprema Corte Judaica, não escolheu Caifás, Pilatos, Herodes e Dias Tóffoli. A comparação só seria pertinente se o crucificado fosse outro, aquele a quem Jesus de Nazaré prometeu: "Em verdade, em verdade te digo, que hoje mesmo estarás comigo no Paraíso".

Mas muitos petistas, felizmente, não vestiram a "camisa com medo de peido", escolheram outro modelo.  É o caso de um dos fundadores do PT, ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro do Lula, Olívio Dutra, para quem Dirceu, Genoíno e Delúbio não são presos políticos: "Com todo o respeito que essas figuras têm, mas não é o passado que está em jogo, é o presente, e eles se conduziram mal" - disse o bigodudo gaúcho.

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, embora declarando que estava "de coração sangrando por companheiros presos", reconheceu que "o PT foi induzido a práticas condenáveis de corrupção por conta do financiamento privado de campanha".

A salvação do PT depende agora de militantes capazes de fazer autocrítica e não daqueles que, de camisa curta, querem legalizar uma prática condenada por lei e pelo programa do Partido. Esses últimos estão mais comprometidos com o aparelho partidário do que com os destinos do Brasil. Quando questionados, tentam desqualificar quem pensa diferente deles, acusando-nos de "janista", "udenista", "moralista", "inocentes úteis".

Medo de pagar

Desde sua fundação, o PT lutou contra a corrupção e ganhou o apoio da parte sadia da nação. Agora, que pela primeira vez na história do país banqueiros são presos por crimes financeiros, alguns militantes acham isso uma arbitrariedade, porque junto com os banqueiros foram punidos também sócios do núcleo político. É estranho que militantes fanáticos busquem desmoralizar o STF, cujos membros foram em sua maioria nomeados por Lula e Dilma por seus méritos profissionais. Trata-se de um tiro no próprio pé, que compromete o avanço da democracia.

Parem com isso! Henrique Pizzolato não é um exilado político, é um foragido da Justiça. Chega a ser patético afirmar que Dirceu é um preso político, quando se trata de um político preso, e aqui a ordem dos fatores altera o produto. O Brasil não vai acabar porque transgressores da lei foram encarcerados. Não é correto falar de "golpe". Essa história que anuncia "depois de mim, o Delúbio" não se sustenta. Quem errou, tem que pagar pelo que fez. Afinal, quem tem medo de pagar, não come.

Os condenados não foram a quadrilha de banqueiros e o núcleo político que com ela operou. O pecador não interessa, mas o pecado sim. O que se condena, mais do que pessoas, é um tipo de prática que não podemos aceitar, justificar e defender. Reconhecer isso nos dá força moral para lutar por uma reforma política e para cobrar julgamento do valerioduto do PSDB em Minas Gerais, que contou com a participação de Eduardo Azeredo, causando prejuízos de R$ 3,7 milhões ao Estado de Minas Gerais.

Denúncias pipocam sobre a corrupção no governo paulista em licitações do setor metroferroviário, envolvendo políticos do PSDB e do DEM que receberam propinas de várias empresas. As vozes tenebrosas, oriundas do fundo das cavernas, que demonstraram júbilo com as prisões de Genoíno, Dirceu e Delúbio, agora se calam. Como cobrar a apuração desses crimes, se, como eles, usamos "camisa com medo de peido" e exibimos medo de algo muito mais consistente do que uma mera ventosidade?

sábado, 23 de novembro de 2013

Exploração de gás de xisto no Acre não é bem assim, deputado Marcio Bittar

POR GABRIEL SANTOS

Tenho acompanhado com certa preocupação, o lobby que o deputado federal Márcio Bittar (PSDB-AC) tem feito em favor da exploração de gás de xisto na Bacia Acre-Madre de Dios, que será licitada no fim deste mês.

O deputado apresentou o gás de xisto como uma verdadeira salvação para os problemas sociais e econômicos do Estado e, para isso, cita o verdadeiro alavancamento econômico que a comercialização do gás tem feito nos EUA, além de acusar de ambientalistas alarmistas, aqueles que veem com ressalvas as explorações.

Infelizmente, nós não estamos no deserto do Texas, onde a legislação é forte, a fiscalização é cabal e a propriedade privada é sagrada. Estamos no Acre, no meio da Floresta Amazônica, cercados por águas - superficiais e subterrâneas -, mato, bichos, populações indígenas e ribeirinhas.

Segundo a Revista Galileu, o gás de xisto é, basicamente, “metano preso numa camada profunda de rochas’’. Que para extraí-lo, as petroleiras lançam mão de um processo controverso, o fraturamento hidráulico, que usa muita água, produtos químicos e detonações subterrâneas. Esse procedimento, pode causar lesões gravíssimas ao meio ambiente, como a contaminação de grandes lençóis freáticos. Esse risco, fez com que países como a França, proibisse o procedimento, e Holanda declarasse moratória à exploração.

A rápida movimentação política em torno do tema no Brasil, sem maiores avaliações, fez com que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Academia Brasileira de Ciências pedisse a suspensão temporária do leilão.

Por isso, caro deputado, a questão não é tão simplista como o senhor propõe. Além disso, não são meros “ambientalistas alarmistas’’ que estão preocupados com o tema, a sociedade científica de um modo geral, demonstra receio.

Além do embate acerca dos impactos sócio-ambientais, discute-se que ganhos são este para o Acre que poderiam levar todos nós a assumirmos este risco.

Como pretenso candidato ao governo do Estado, tem-se que mudar o discurso predatório, deputado, que é muito visível em suas falas. O “governo da floresta” falhou ao tentar hipocritamente introduzir uma economia sustentável no Estado, mas isso não significa que precisamos desistir desse tipo de desenvolvimento que alia a sustentabilidade com o progresso.

A economia do Acre mudará quando se mudar a postura, quando se potencializar a produção do setor rural com investimento em tecnologia para não se precisar desmatar, a economia muda quando a educação básica e profissional for acessível e possuir o mínimo de qualidade para todos, muda-se a realidade econômica de um Estado não apostando as fichas em apenas um modo de se desenvolver e demonizando os demais, tratando tudo da maneira politiqueira que se tem costume por aqui.

Não precisa-se fazer também, uma tentativa que é muito conhecida nessas bandas, de desqualificar o interlocutor para poder sair vitorioso no debate.

Menos certezas, mais dúvidas, menos pontos finais, mais interrogações. A sociedade anseia por mudanças de postura, éticas e de gestão, portanto, cabe àqueles que pretendem gerir, se adaptar a esse novo panorama.

Gabriel Santos é acadêmico de direito no Acre

Destaque para mensgem do professor Oswaldo Sevá:

"Olá Altino.

Espero que estejas bem, e os teus também.  Continuo leitor frequente dos teus blogs e me deparei com um texto do deputado Marcio Bittar azeitando a chegada do "fracking"para extrair gás de xisto, falando em alarmismo, ignorância etc., e por outro lado, acreditando nas propagandas da oil industry.  Há poucos dias o Correio da Cidadania postou um artigo com um teor bem distinto, relatando com detalhes como é feita a tal perfuração hidráulica e os problemas e conflitos que vem ocorrendo nos EUA e outros países. O Correio mexeu no titulo e colocou uns intertítulos que eu não colocaria. Assim, se você achar oportuno, prefiro que reedite o meu original que tem uma ilustração a mais, e publique.

Abração

Oswaldo Sevá
"
 

Leia artigo de Oswaldo Sevá:

Indústria do Gás de Xisto é nova frente de riscos exploratórios e conflitos

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"O Acre existe" estreia em Rio Branco


O filme de 115 minutos estreia nesta sexta-feira (22), no Cine Recreio, em Rio Branco, às 21 horas, no 4º Festival Pachamama – Cinema de Fronteira. Os exemplares do livro, de Paulo Silva Jr., serão vendidos a R$ 20. A entrada para a sessão de estreia é gratuita, mas é necessário chegar com pelo menos uma hora de antecedência. Clique aqui para conferir a programação completa do festival, que termina no domingo (24).

Leia mais:

Com documentário, cineastas paulistas "provam" que o Acre  existe

terça-feira, 19 de novembro de 2013

"Se foi sabotagem foi por dentro da cozinha", diz paciente de hemodiálise sobre marmitas com vermes servidas em hospital



Após tomar conhecimento da repercussão das reportagens sobre marmitas com larvas, servidas aos pacientes de hemodiálise, no Hospital das Clínicas do Acre, um deles, Auro José Rodrigues, ficou revoltado com a atitude de alguns aloprados do governo do PT que tentaram criminalizar como sabotadores os jornalistas Lenilda Cavalcante, Ray Melo e Altino Machado.

O paciente decidiu revelar ao radialista Willamis Franca, da Rádios Boas Novas, tudo o que viu e ouviu na noite de sexta-feira (15), feriado nacional da Proclamação da República. Ele chegou a telefonar para a TV Gazeta e argumenta que “se não denunciar, não vai”.

Auro Rodrigues procurou o radialista, apresentador do programa “O povo no rádio”, ao ouvir a notícia de que os jornalistas estavam sendo acusados pelo governo do Acre de sabotagem contra o hospital e que a repórter Lenilda Cavalcante havia sofrido AVC na noite de segunda-feira (18) ao depor na Delegacia de Combate ao Crime Organizado por causa das marmitas com larvas.

O paciente aproveitou a oportunidade para mencionar a utilização de "agulhas cegas" nos pacientes e as "goteiras" no prédio. Além de Franca, o repórter Ray Melo, do site AC 24 Horas, participou da entrevista.

- Se foi sabotagem foi por dentro da cozinha. Como é que um jornalista vai sabotar comida assim, se a gente viu tudo, tapurus, muito antes dos jornalistas chegarem? E não tem só eu de testemunha disso, não. Jogaram as marmitas no lixo - disse Auro Rodrigues, que, em sua absoluta simplicidade, desconstrói em alguns minutos a imagem da saúde de primeiro mundo do governo estadual.

Carne de frango

Tendo em vista que o frango comprado pelo governo estadual é o de pior qualidade, aquele prestes a vencer, por ser mais barato, vale a pena a leitura a seguir:

"Em se tratando de saúde pública, achei por obrigação, contribuir com algum tipo de informação que possa ser coerente com os fatos apresentados. Veja bem, tenho experiência no armazenamento de frango, e posso afirmar que o frango, como qualquer outro alimento congelado, tem que ter um rigoroso controle na cadeia de refrigeração.

Uma vez havendo quebra nesta cadeia, por qualquer motivo, seja falha no armazenamento e/ou até mesmo na sua manipulação, o frango não volta a congelar. Se tal fato ocorrer, é inevitável que haja o comprometimento do produto. No caso especifico do frango, o processo de apodrecimento da carne, inicia do osso para fora.

Ao longo do tempo que trabalho com o produto, já ví varias vezes casos parecidos com o episódio apresentado, e em todos, há a interferência da Vigilância Sanitária que em toda as oportunidade, recolhe o produto.

Para comprovar o que eu falo, é só ir em qualquer rede de supermercados que se preze, lá eles não recebem o frango ates de checar com o termómetro a temperatura. Caso a temperatura esteja alterada, eles devolvem a carga, pois se receber, a perda futura do produto será inevitável, pois, a carga não voltará a congelar novamente, comprometendo sua qualidade.

Em uma cozinha com uma demanda grande como é a do caso especifico, é compreensivo que problemas como estes possam ocorrer, muito embora, não seja aceitável, pois, é um problema de saúde pública.

Uma constatação: se o produto, tiver sido fritado, ainda em processo de degelo, é possível sim que a temperatura, não atinja a parte óssea do produto, podendo sim ser possível que os bichos não fossem atingidos. Faça o teste, compre uma coxa c/sobre coxa de frango congelado - não espere o processo de degelo acontecer por completo e frite-o. Logo após rápida fritura, separe a carne do osso e constate o que eu estou falando, é possível que o osso ainda esteja gelado.  Veja bem, se a carne foi bem cozida, para depois ser frita, as chances diminui, no entanto não anula a possibilidade.

Por favor só estou contribuindo com informações importantes. Solicito que não divulgue o meu nome e apague este e-mail após sua leitura. Não quero nenhum tipo de problema envolvendo meu nome".


Leia mais no AC 24 Horas.

Exploração do gás de xisto e desenvolvimento

POR MARCIO BITTAR

Está marcada para os dias 28 e 29 de novembro a 12ª Rodada de Licitação da Agência Nacional do Petróleo de 240 blocos englobando 7 bacias sedimentares entre o Acre e São Paulo, todas com potencial para gás natural. 10 empresas já depositaram garantias para ter o direito a fazer lances no leilão, e dentre as 7 bacias o valor mais alto estipulado foi o da bacia Acre-Madre de Díos, cuja garantia custou R$ 2,4 milhões, valor pago apenas para participar da licitação.

O bloco licitado no Acre é um marco na exploração do “shale gas” ou gás de xisto, que é um tipo de gás natural encontrado dentro de formações de xisto argiloso,  Mas essa excelente notícia para o Estado do Acre e para o Brasil não foi recebida com alegria por todos os setores. No último dia 13, um grupo de organizações, capitaneadas pelo Greenpeace, realizaram um seminário em São Paulo para tratar sobre “os impactos socioambientais da exploração do gás de xisto no Brasil”.

Não pude participar do seminário, mas mandei uma assessora e os relatos que recebi foram preocupantes. Instalados bem distantes do Acre, em auditório de um confortável hotel, situado na rua mais cara de São Paulo, ambientalistas chegaram à conclusão de que é preciso declarar moratória em relação ao gás, impedindo a exploração desse hidrocarboneto no Brasil.

Ora, há estudos da ANP apontando que o Brasil possui reservas de gás xisto em terra de 500 trilhões de pés cúbicos, um volume maior que as reservas do pré-sal. Seria insano abrirmos mão dessa riqueza e da geração de empregos oriundas da sua exploração.

Graças à exploração desse hidrocarboneto nos Estados Unidos estão passando por uma revolução tecnológica que está barateando enormemente o preço do gás e do petróleo, permitindo a reindustrialização do país. Com a chamada “revolução do xisto”, as previsões apontam um crescimento mais forte do Produto Interno Bruto (PIB), maior geração de empregos e mais receitas para os cofres públicos.

Sabemos que o gás xisto é mais barato que a gasolina e que a sua queima é menos poluente que o carvão, o que pode significar um novo fôlego à indústria brasileira, dependente do caro gás boliviano. Entretanto, por trazer uma forma relativamente nova de extração do gás (o “fracking” ou fraturamento hidráulico da rocha), há um terreno fértil para os discursos alarmistas, baseados no absoluto desconhecimento dos reais efeitos no meio ambiente e sobre a emissão de gases de efeito estufa.

Devemos combater a ignorância com estudos e pesquisas. O Reino Unido, que hoje importa 50% do gás que consome, optou por essa abordagem, solicitando à Royal Society e à Royal Academy of Engineering uma análise dos riscos do fraturamento hidráulico. Os estudos concluíram que os riscos oriundos da extração do gás de xisto podem ser geridos de modo eficaz e que a propagação das fraturas dificilmente poderia contaminar os aquíferos. Com base nisso, o governo britânico liberou os poços de gás de xisto e anunciou um pacote de incentivos fiscais para acelerar a produção, aliando a isso um programa de monitoramento dos poços.

Enquanto o Brasil inicia seus passos no caminho da exploração do gás, já com forte oposição dos ambientalistas, a empresa Chimera Energy, do Texas, anunciou que está licenciando um novo método de extrair gás de campos de xisto sem contaminar fontes de água, usando o chamado rompimento seco, que elimina todo e qualquer líquido. Há outras tecnologias utilizando propano em gel em vez de água, permitindo que o propano volte a ser um gás no fim do processo podendo ser bombeado para fora, deixando os eventuais aditivos no poço – o mesmo que se faz ao ferver água salgada e deixar o sal para trás.

Esse é o caminho para nosso desenvolvimento, com doses generosas de tecnologia e de estudos, de forma a permitir a exploração das riquezas do nosso subsolo sem colocar em risco a natureza.
A perspectiva de criar um ciclo de desenvolvimento no Acre não pode ser barrada por propagandas alarmistas. Precisamos de saídas que tirem o nosso Estado da situação de letargia econômica que resulta em 74 mil famílias acreanas totalmente dependentes do programa Bolsa Família.

Precisamos de alternativas realistas de geração de emprego e renda, pois, conforme constatou o Banco Mundial, os projetos em florestas implantados até agora não conseguiram elevar o padrão de vida da nossa população.

É importante entendermos que na equação da sustentabilidade, o ser humano, vivendo dignamente, deve ser a constante e não uma mera variável.

Marcio Bittar (PSDB-AC) é deputado federal, primeiro secretário da Câmara dos Deputados e presidente da Executiva Estadual do PSDB.

S.O.S Lenilda Cavalcante

Apelo de Manoela Ferreira, companheira da repórter Lenilda Cavalcante, que sofreu AVC na noite de segunda-feira, quando prestávmos depoimento na Delegacia de Combate ao Crime Organizado, por causa de reportagem sobre marmitas com larvas servidas no Hospital das Clínicas do Acre aos pacientes de hemodiálise. Clique aqui e leia meu depoimento. Lenilda permanece na UTI, não tem reagido a estímulos do lado esquerdo do corpo, fala com dificuldade, demonstra perda de memória e indaga a todo instante o que aconteceu.

Veja:

“Estou muito triste. Não sei como pessoas conseguem viver como abutres, em função da desgraça alheia, sem se contentar com o que têm. O muito se torna pouco, as verdades tornam-se mentiras, a vida das pessoas ao redor dos gananciosos torna-se um nada, entulhos, lixos, podridão, pedra no caminho, que precisa ser retirada, demolida, acabada, não importa se vai machucar alguém, doer, ou simplesmente mutilar. O que realmente importa é que o obstáculo possa não atrapalhar mais.

Mas não se enganem: Lenilda Cavalcante, a pessoa que vocês estão querendo destruir, tem nome e sobrenome, é raçuda, guerreira, corajosa e nasceu sem o dispositivo do medo. Ela é uma pessoa de coração grande, humana, e não tem dinheiro que mude essa forma de vida. Tenho muita fé no meu Deus Todo Poderoso que em pouco tempo Lenilda estará de volta às ruas, cumprindo a missão que ela escolheu na vida: expor à sociedade, com espírito crítico, a realidade do Acre.

Nesse momento estamos passando por uma tremenda turbulência. O povo do Acre sabe que Lenilda Cavalcante foi demitida da TV Gazeta, em junho de 2013, sem motivo plausível, e até hoje está lutando na Justiça do Trabalho, que seria para amparar o trabalhador, mas, nesse caso específico, continuamos enfrentando um jogo de ping-pong encerrar. As audiência marcadas, os juízes ficam passando o caso de um para o outro, sem resolver absolutamente nada. Agora, como se não bastasse, a empresa se moveu contra a funcionária por suposto abandono de emprego.

Todo mundo sabe o que realmente aconteceu, mas Lenilda Cavalcante continua sem receber nada do que de direito dela. Até mesmo o FGTS, que foi solicitado pela advogada para ser liberado, foi negado, como se uma pessoa não tivesse compromissos, contas a pagar, filhos para criar e uma casa para manter.

O nosso bom Deus tem nos abençoado muito e não ficamos sem trabalho. Imaginem a situação de pobres trabalhadores, sem outros recursos para manter suas famílias. A Lenilda nunca esperou nada cair do céu, sempre trabalhou, lutou pelos seus objetivos, sonhos e desejos, e essa luta vai ser só mais uma. Só precisamos que a Justiça do Trabalho, seja realmente em prol do trabalhador para que realmente possamos respirar aliviados.

Após a saída de Lenilda Cavalcante da UTI quero levá-la para São Paulo, precisará fazer um longo tratamento. Espero contar com o apoio dos amigos e admiradores do trabalho dela em benefício da sociedade acreana. Precisamos agir com urgência para que ela possa voltar totalmente recuperada para o Acre pelo qual ela tem lutado sem parar. Quem quiser pode contribuir com qualquer quantia. Eis os dados bancários da Lenilda Pereira Cavalcante: Banco do Brasil, agência 0071-X, conta corrente 65.202-4. “

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Polícia Civil e Ministério Público investigam caso de comida com tapurus servida no Hospital das Clínicas do Acre


Os secretários Emylson Farias (Polícia Civil) e Suely Melo (Saúde) anunciaram nesta segunda-feira (18), durante entrevista coletiva no gabinete do governador do Acre, Tião Viana (PT), que já abriram inquérito policial e sindicância administrativa para apurar a denúncia da presidente da Associação dos Pacientes Renais Crônicos e Transplantados, Berenice Sales da Silva, segundo a qual o Hospital das Clínicas do Acre serviu marmitas com larvas, vermes ou tapurus aos pacientes de hemodiálise, no jantar de sexta-feira (15).

O Ministério Público do Estado do Acre também já decidiu que vai apurar o caso de comida estragada servida a pacientes do Hospital das Clínicas. Segundo a promotora de Defesa da Saúde em exercício, Nicole Arnoldi, se houver veracidade nos fatos noticiados e na procedência deles, o caso pode resultar em instauração de inquérito civil.

O diretor do Hospital das Clínicas, Carlos Eduardo, e a nutricionista Eliane Frari, chefe do Serviço de Nutrição Dietética, também prestaram esclarecimentos sobre o caso, divulgado no Blog da Amazônia blog e nos sites AC 24 Horas e Ecos da Notícia.

Leia mais no Blog da Amazônia:

Hospital das Clínicas do Acre serve alimento estragado a pacientes

A direção do hospital voltou a negar que a comida tenha sido preparada e guardada com  antecedência por causa do feriado da Proclamação da República. O diretor e a nutricionista repetiram que o hospital é rigoroso ao preparar a comida de pacientes e funcionários.

Durante a coletiva, o secretário estadual de Comunicação, Leonildo Rosas, acusou os três repórteres de sabotadores. A secretária Suely Melo e o diretor executivo da Secretária de Saúde, Irailton Lima, disseram que os jornalistas que divulgaram a denúncia não são suspeitos de sabotagem.

- Estamos suspeitando que alguém pode ter feito uma manipulação de má fé e pode ter chamado a imprensa para constatar.  Eu li no site AC 24 Horas e no blog do Altino, só. As matérias não foram tendenciosas em citar o governo. Não estou falando de vocês - afirmou Suely Melo.

A secretária disse que está tomando medidas administrativas para subsidiar a polícia na investigação.

- Foi um ato criminoso e nós não vamos admitir se alguém induziu isso ou se foi um fato que aconteceu dentro da cozinha. Não vamos admitir uma falha grave nesse sentido, nem do nosso sistema de atenção à saúde nem dos pacientes. Se houve manipulação ou denúncia mentirosa, nós vamos apurar e vamos tomar todas as medidas cabíveis

O secretário Emylson Farias também foi cauteloso e não acusou os três repórteres de sabotagem. Segundo ele, foi denunciado um fato que está sendo objeto de investigações e se alguém praticou alguma fraude, a investigação vai dizer.

- Foi feito perícia no local, material foi recolhido para que não quebre a cadeia de custódia, para ser submetido à perícia laboratorial no Instituto de Análise Forense da Polícia Civil. Acompanhantes de pacientes, nutricionistas e os servidores da cozinha, todos serão ouvidos e a verdade real será estabelecida. Instauramos inquérito pelo princípio da obrigatoriedade - explicou o secretário de Polícia Civil.

Os três repórteres se dispuseram colaborar com a polícia e vão fornecer fotos, áudios e vídeos registrados durante mais ou menos duas horas que permaneceram no Hospital das Clínicas. Nenhum deles foi intimado, mas aceitaram prestar informações para ajudar a polícia a esclarecer o caso. Lenilda Cavalcante e Altino Machado serão ouvidos pelo delegado que cuida do caso no início desta noite.

Clique aqui para fazer download do áudio completo da entrevista coletiva.

sábado, 16 de novembro de 2013

Comida estragada no Hospital das Clínicas do Acre


A direção do Hospital das Clínicas do Acre jogou no lixo, na noite de sexta-feira, 50 marmitas  que foram servidas no jantar para os pacientes do setor de hemodiálise.  Os pacientes e a direção constataram a presença de vermes (tapurus) no frango assado na cozinha do próprio hospital. 

O caso foi denunciado pela presidente da Associação dos Pacientes Renais Crônicos e Transplantados, Berenice Sales da Silva.

O diretor Carlos Eduardo Alves e a nutricionista Eliane Frari, chefe do Serviço de Nutrição Dietética, prometeram abrir sindicância administrativa para apurar o caso. Uma paciente que comeu o frango sofreu desarranjo intestinal após o jantar.



A direção do hospital negou que a comida tenha sido preparada e guardada com muita antecedência por causa do feriado da Proclamação da República. O diretor e a nutricionista disseram que o hospital é rigoroso ao preparar a comida de paciente e funcionários.

- Quando mostramos a condição do alimento, a nutricionista nos pediu desculpas. Mais de 30 pacientes encontraram bichinhos na comida. O hospital queria abafar o caso. Eu consegui sair com duas marmitas dizendo que era comida pro meu cachorro. Queria que vocês vissem esse absurdo - disse a paciente Kelly Andreia Silva.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Flanelinhas

Custei a acreditar ao ler na edição do Diário Oficial do Acre desta quinta-feira. Pensei que fosse erro de digitação. Não era. O governo estadual pagaria R$ 20,00 por cada flanela - aquelas flanelinhas que custam R$ 3,00 em qualquer bodega. Flanelinhas amarelas, de algodão, que um amigo, que trabalha em distribuidora, paga R$ 1,20 pela unidade na indústria. Está feito o reparo com a supressão do item.

Escolas da rede estadual decidem por horário de entrada e saída do fuso antigo

Do secretário de Educação do Acre, Daniel Zen, às indagações do blog em relação ao impacto do novo fuso horário velho nas escolas:

- É provável que eu já anuncie hoje a alteração do horário de entrada e saída nas escolas, adotando-se o mesmo horário que vigorava antes da mudança inicial do fuso, em 2008. Só estou fechando com os prestadores de serviço terceirizados, transporte e com as demais redes municipais. O meu posicionamento inicial, tornado público, era esse: mudar a partir do ano letivo de 2014 e terminar esse ano do jeito que está. Porém, os diretores de escola preferiram não esperar, promoveram reuniões nas escolas, os pais querem mudar logo agora. Assim será: vamos divulgar um comunicado oficial da Secretaria Estadual de Educação até o final desta quinta-feira. Procurei fazer da forma mais democrática possível, ouvindo os diretores que, por sua vez, ouviram os pais e alunos. Democracia dá trabalho, mas eu sempre procuro seguir o ritual. E te asseguro que o governador Tião Viana deu carta branca para fazermos assim. Ele tem a posição dele, acha melhor o fuso antigo, mas disse que essa decisão cabia à comunidade escolar. Assim será.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Povo do Acre soube separar política e fuso horário ao votar em 2010

Análise do estudante de fisioterapia Lucas Torres, de 18 anos

"Boa tarde Altino Machado,

Vi que está rolando uma petição na web para que haja um novo referendo sobre o fuso horário e a alegação agora é que o povo poderá votar plenamente consciente. Isso para mim é quase uma confissão de burrice do próprio povo acreano, como se as pessoas não tivessem ciência do que estavam votando em 2010.

Fiz uma pesquisa no site do TRE (veja) sobre o resultado do referendo nos municípios e os comparei com as vitórias do Tião Viana. Não sei se você já fez esta análise.

Quem analisar esses números verá que o povo soube separar muito bem. O Tião Viana e a Dilma perderam em Rio Branco, mas houve quase um empate no referendo. Acrelândia foi o único em que o SIM venceu.  Por ironia do destino, Acrelândia é o berço político do Tião Bocalom, então candidato ao governo pela oposição. O Tião Viana e a Dilma perderam feio por lá.

Rio Branco ficou tecnicamente dividida nas duas situações, e Senador Guiomard foi a outra que mais se aproximou nos dois resultados. Mas nos outros 20 municípios acreanos, o povo escolheu e separou bem as coisas.

Detalhe para Acrelândia, onde o Tião teve a maior derrota e foi o único município em que o SIM venceu. Nos demais municípios, fica evidenciado que o povo escolheu o horário segundo sua própria convicção, separando-o bem da questão política.

Destaque para Marechal Thaumaturgo, Xapuri, Tarauacá, Rodrigues Alves, Santa Rosa, Mâncio Lima e Jordão. Nestes municípios, o Tião Viana venceu com mais de 60%, e mesmo assim o horário antigo venceu o referendo. Feijó é o grande destaque. O Tião venceu com esmagadores 72%, e mesmo assim o NÃO apareceu com 63%. O povo não foi burro. Ele separou muito bem as coisas.

Veja os resultados:

Acrelândia:

Governador: Tião Viana só recebeu 26,79% dos votos, contra 72,91% do Bocalom.

Referendo: SIM venceu com 53%


Assis Brasil:

Tião Viana venceu com 52%

Referendo: NÃO venceu com 70%


Brasileia:

Tião Viana recebeu 48% contra 51% do Bocalom

Referendo: NÃO venceu com 68%


Bujari:

Tião Viana recebeu 43% contra 56% do Bocalom

Referendo: NÃO venceu com 64%


Capixaba:

Tião Viana recebeu 33% contra 67% do Bocalom

Referendo: NÃO venceu com 62%


Cruzeiro do Sul:

Tião Viana venceu com 55%

Referendo: NÃO venceu com 60%


Epitaciolândia:

Tião Viana venceu com 52%

Referendo: NÃO venceu com 62%


Feijó:


Tião Viana venceu com 72%

Referendo: NÃO venceu com 63%


Jordão:

Tião Viana venceu com 64%

Referendo: NÃO venceu com 63% (praticamente o mesmo número de votos que Tião)


Mâncio Lima:

Tião Viana venceu com 64%

Referendo: NÃO venceu com 70%


Manoel Urbano:

Tião Viana venceu com 57%

Referendo: NÃO venceu com 60%


Marechal Thaumaturgo:

Tião Viana venceu com 60%

Referendo: NÃO venceu com 80%


Plácido de Castro:

Tião Viana recebeu 38% contra 62% do Bocalom

Referendo: NÃO venceu com 55%


Porto Acre:

Tião Viana recebeu 31% contra 69% do Bocalom

Referendo: NÃO venceu com 64%


Porto Walter:

Tião Viana venceu com 54%

Referendo: NÃO venceu com 66%


Rio Branco:

Tião ficou tecnicamente empatado com Bocalom

Referendo: NÃO (59,19%) e SIM (49,81,%) ficaram tecnicamente empatados.


Rodrigues Alves:

Tião Viana venceu com 61%

Referendo: NÃO venceu com 72%


Santa Rosa:

Tião Viana venceu com 64%

Referendo: NÃO venceu com 57%


Senador Guiomard:

Tião recebeu 42% contra 58% do Bocalom

Referendo: NÃO venceu com 57%


Sena Madureira:

Tião Viana venceu com 53%

Referendo: NÃO venceu com 64%


Tarauacá:

Tião Viana venceu com 64%

Referendo: NÃO venceu com 69%


Xapuri:

Tião Viana venceu com 52%

Referendo: NÃO venceu com 72%

A ditatura da hora

POR EVANDRO FERREIRA

Na esperança de fomentar rejeição ao retorno do horário decidido no referendo de 2010, o Governo do Estado e a Prefeitura de Rio Branco ainda não fizeram os ajustes nos horários de funcionamento das escolas, obrigando alunos de todas as idades a enfrentar a escuridão ao final do turno vespertino. Claro que alunos, pais e servidores das escolas não estão nem um pouco satisfeitos.

A intenção com essa imposição é fazer que a insatisfação gerada seja creditada aos políticos da oposição que patrocinaram a aprovação da lei que garantiu o cumprimento do Referendo que rejeitou o horário imposto por Tião Viana em 2008. O sacrifício cobrado à população hoje pode, na avaliação do grupo político que comanda o estado, render ganhos eleitorais nas eleições do próximo ano.

Entretanto, tudo indica que eles estão, literalmente, ‘quebrando a cara’ e, como diz o ditado popular, parece que “o feitiço está se voltando contra o feiticeiro”. Pode-se constatar isso nas redes sociais onde as pessoas tem sido críticas à injustificável insistência da turma governamental em não fazer os ajustes dos horários.

Nos comentário de uma nota da Secretaria Estadual de Educação publicada pela AgênciaContilnet, na qual ela ratifica o horário da saída do turno da tarde nas escolas estaduais para as 18 horas, os leitores não se furtam de usar palavras pouco elogiosas para xingar a decisão. Daniel Araújo, do Colégio Estadual Rio Branco, afirma que “quando dizem que o Tião Viana é pior que seu irmão Jorge Viana, as pessoas ainda duvidam. Observem o que ele está fazendo com esses milhares de crianças, adolescentes e estudantes de forma geral, em não autorizar o ajuste no horário de funcionamento das escolas por pura birra e ranço”.

A revolta com a manutenção do horário de saída após as 18 horas está causando tumultos nos portões de escolas da rede estadual em Rio Branco. Francisca Soares, da Escola Berta Vieira, informa que houve problema na Escola Pimentel Gomes e que sua filha saiu machucada. Outro leitor relatou tumulto em uma escola no bairro Floresta.

Se providências não forem tomadas, tudo indica que pais, alunos e funcionários das escolas estaduais irão promover manifestações nos próximos dias. E o alvo dos protestos não serão os políticos da oposição. Eles serão dirigidos aos administradores estaduais e municipais que se recusam em fazer o ajuste no horário de funcionamento das escolas e das repartições públicas.

Em várias cidades do interior, inclusive algumas comandadas por aliados do governo estadual, o horário de funcionamento das escolas e das repartições públicas municipais foi alterado sem maiores discussões porque elas são dispensáveis tendo em vista a mudança da hora ocorrida no dia 10. Esses administradores fizeram apenas a sua obrigação de sempre atuar em favor do bem estar da população.

Mais de uma vez já foi ressaltado que algumas atitudes da atual administração estadual exalam arrogância e desprezo para com a população. E a insistência em não fazer os ajustes nos horários de expediente das repartições públicas e escolas reflete isso.

Alheios aos reclamos populares, o grupo político que comanda o estado se preocupado em acusar de forma equivocada que o retorno do antigo horário foi obra dos políticos da oposição. Não foi. Foi a população que decidiu isso no referendo da hora realizado em 2010.

O que os políticos da oposição fizeram foi apenas uma obrigação inerente ao cargo que ocupam, atendendo ao clamor da população. Além do mais, se não fosse por eles seguramente a aprovação da lei que garantiu o cumprimento do Referendo estaria até hoje tramitando no Congresso Nacional, travada por manobras regimentais dos aliados do governador. Alguém tem dúvida disso?

Que me desculpem a rudeza, mas nesse episódio da mudança do horário acreano, que há muito já deveria ter sido superado, cabe dizer claramente aos que impuseram a mudança de forma autoritária e que continuam a insistir em rejeitar a decisão da maioria da população de retornar ao antigo horário que “errar é humano, mas persistir no erro é burrice”.

Evandro Ferreira escreve o blog Ambiente Acreano.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

"Os índios estão com muita raiva do chefe do povo branco do Acre", diz Terri Aquino


O antropólogo Terri Vale de Aquino, 67 anos, criticou duramente o governo do Acre por captar, em nome dos povos indígenas, milhões de dólares em financiamentos junto ao Banco Mundial e BNDES e não repassá-los corretamente em benefício das comunidades. Na semana passada, lideranças indígenas pediram ao Ministério Público Federal para interceder junto ao governo estadual para que haja diálogo contra a situação de abandono em que se encontram.

- A realidade é que estão jogando dinheiro fora. É o que estou vendo no Acre. Existe dinheiro pedido pelo governo do Acre em nome dos índios ao BNDES e ao Banco Mundial que não está sendo bem aplicado – critica, assinalando que verbas são pulverizadas dentro da estrutura burocrática do governo estadual de forma “pouco zelosa”.

Mais conhecido como Txai Terri Aquino, o antropólogo atua nas florestas do Acre há 35 anos.  O Acre que se conhece não seria o mesmo sem a perseverança dele em lutar para que 15% dos 164.123,040 km² do território estadual estejam assegurados como florestas pertencentes aos indígenas.

- Os índios estão com muita raiva do chefe do governo do povo branco do Acre. A insatisfação está concentrada no governo Tião Viana – disse o antropólogo.

Pai de oito filhos, sendo quatro indígenas, Txai Terri Aquino é respeitado pelo que fez até aqui por 16 etnias e uma população estimada em 20 mil indígenas no Estado.

Ele disse que “existe muita propaganda enganosa no ar” por parte do governo estadual, que se aproveita de muita coisa que já não continua mais sendo feita em benefício dos indígenas. Segundo o antropólogo, o governo de Jorge Viana, atualmente senador,  apontou os rumos,  abraçou os índios e os fez sentir orgulho de sua cultura.

- O que temos agora é um abandono e esse abandono está sendo criticado pelo Jorge Viana, irmão do governador. Os índios estão confirmando que realmente existe um abandono. Um índio me disse que quando Tião Viana sobrevoa a floresta de helicóptero não vê a floresta, mas o subsolo. Ele olha para a floresta e vê barris de petróleo, bujão de gás. É dessa maneira que este governo está tratando a floresta. Acho que o governo, se for inteligente, vai chamar os índios para conversar. Os índios querem diálogo com o governo, mas não querem diálogo mentiroso.

Veja os melhores trechos da entrevista exclusiva de Terri Vale de Aquino no Blog da Amazônia.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Vão pra China

Não aguento mais o que leio desde menino: todo dia uma notícia de que alguma grande figura ou empresa veio “prospectar” negócios no Acre. Agora é a vez da China, ávida por madeira, sob a alegação de que quer negócios que garantam a viabilidade econômica de imaginárias cadeias produtivas sustentáveis criadas pelo governo estadual. Enquanto isso, 59,56% da população economicamente ativa do Estado é composta por trabalhadores desempregados ou trabalhando em situação de informalidade. E o Acre segue como um dos campeões de beneficiários do Bolsa Família, com 61,66% da população total cadastrada. Disso ninguém fala.

Greenpeace demonstra má vontade contra a presença de gás xisto no Acre

POR MARCIO BITTAR

O desempenho da Petrobras vem retrocedendo desde que o PT chegou ao poder, em 2003, numa clara demonstração dos malefícios causados pelo aparelhamento partidário e por uma administração ineficiente que transformou uma empresa competitiva e respeitada mundialmente em mesquinha arma política. O seu lucro caiu 39% em relação ao mesmo período de 2012. A empresa lucrou R$ 3,4 bilhões, enquanto a expectativa média dos analistas era que o valor alcançasse R$ 6 bilhões,

Graças aos desmandos petistas a Petrobras foi presenteada com o rebaixamento da sua nota de crédito pela Moody’s, uma das mais importantes agências de classificação do mundo. O rebaixamento reflete a impressão de que a empresa vai continuar a acumular prejuízo nos próximos anos. O Bank of America Merril Lynch também lançou relatório apontado a Petrobras como a empresa não financeira mais endividada do mundo.

Esses dados deixam claro que fica cada vez mais distante o sonho da autossuficiência na produção de petróleo, alardeada aos quatro ventos pelo ex-presidente Lula, no afã de eleger sua candidata. Os números falam por si: em 2009 o Brasil havia praticamente se livrado da necessidade de importar gasolina, gastando apenas US$ 71 mil com a compra do combustível no exterior. Em 2012, entretanto, o país gastou US$ 3 bilhões para importar gasolina, gastando, em 3 anos, 42,5 mil vezes mais.

Enquanto isso, Rússia, China e Estados Unidos assumem o protagonismo na exploração de combustíveis. Os Estados Unidos, por exemplo, aumentaram drasticamente a produção de hidrocarbonetos de 111 mil barris por dia em 2004 para 553 mil barris por dia em 2011. Como resultado, tiveram suas importações de hidrocarbonetos reduzidas para o nível mais baixo nos últimos 25 anos. E esse aumento da produção americana aconteceu graças à exploração do óleo de xisto, o que pode revolucionar o mercado global de energia, promovendo uma queda drástica no preço do petróleo.

Chamo a atenção para a mudança na estratégia da exploração de gás nos Estados Unidos, pois o Acre possui reservas inexploradas de gás xisto, que será incluído na próxima rodada de leilões da ANP.

O gás xisto é mais barato que a gasolina, a sua queima é menos poluente que o carvão, e a sua exploração pode significar uma nova era para o Estado do Acre, com mais investimentos em infraestrutura e com mais desenvolvimento e geração de empregos, entretanto, apesar dessa perspectiva positiva para o Acre e para a própria Petrobras, os ambientalistas do Greenpeace se apressam a chamar um seminário (veja), na cidade de São Paulo, sobre os “Impactos Socioambientais da exploração de xisto” demonstrando a má vontade com a possibilidade de exploração mineral no nosso Estado.

Curiosamente a discussão sobre os interesses do Acre ocorre fora do Acre, e é feita por pessoas que não acompanham nosso sofrimento, que não se interessam sobre as mortes por subnutrição dos nossos conterrâneos, que sequer sabem que o Acre faz fronteiras com dois países campeões na produção de cocaína, o que transforma nosso Estado em um corredor do tráfico, que, ajudado pela falta de empregos e perspectivas, alicia nossos jovens e lança famílias no desespero.

Ora, todos nós temos a clareza de que é fundamental garantir a preservação dos ativos ambientais do País, mas também é fundamental que seja garantida a promoção do desenvolvimento do Acre e da Região Norte. O Greenpeace é o mesmo que, durante a Conferência RIO 92, lançou as bases das Reservas Extrativistas como fórmula para preservar a floresta e resgatar o povo da Região Norte. As reservas foram criadas, a floresta foi preservada, mas as benesses prometidas à população nunca chegou, levando o Acre à estagnação econômica. Fica claro que não podemos manter a miséria e o subdesenvolvimento da região sob a desculpa da preservação ambiental.

Estarei, juntamente com outros parlamentares da Região Norte, acompanhando os desdobramentos dessa discussão, pois não podemos, mais uma vez, servir como laboratório para experiências que colocam em risco a sobrevivência do nosso povo. O subsolo do Acre é rico, as pesquisas demonstram isso e é o momento de usarmos essas riquezas para um salto de desenvolvimento qualitativo no nosso Estado. Esse salto, a partir da exploração organizada das riquezas minerais, será bom para o Acre e para o Brasil.

Marcio Bittar é deputado federal pelo PSDB, primeiro secretário da Câmara dos Deputados e presidente da Executiva Estadual do PSDB no Acre.

Há 25 anos, Jornal do Brasil não quis publicar ameaças à vida de Chico Mendes

POR EDILSON MARTINS 


A pouco mais de um mês de completar 25 anos do assassinato de Chico Mendes, ocorrido no dia 22 de dezembro de 1988, em Xapuri (AC), recebo do jornalista Altino Machado, do Blog da Amazônia, a mensagem a seguir, que contém relevante depoimento e indagação:

- No dia 18 de dezembro de 1988, numa banca de revistas, em Rio Branco (AC), encontrei o líder sindical e ecologista Chico Mendes (1944-1988) pela última vez. Estava triste ao constatar que o Jornal do Brasil não havia publicado naquele domingo uma entrevista dele. Quatro dias depois, em Xapuri, Chico Mendes foi assassinado. Qual é a história daquela que ficou conhecida como a última entrevista do seringueiro, concedida a você, Edilson Martins?

Vamos lá. Chico Mendes telefona dizendo encontrar-se em São Paulo, e que agora as ameaças sinalizavam, de verdade, sua morte. Corriam os dias de dezembro de 1988; se esse é o ano da Nova Constituição, da greve na CSN, no Rio, ainda temos que suportar as sobras da ditadura militar, José Sarney, presidindo o país. Na lata, respondi: “Dá um tempo, vou tentar um depoimento teu no Jornal do Brasil”. Naqueles anos, o JB era um dos grandes jornais, ainda, do país, apesar da crise financeira comendo pelas bordas.

Leia a entrevista histórica:

"Quero viver para salvar a Amazônia"


Vou até a Av. Brasil, procuro o jornalista Zuenir Ventura, que editava um Caderno Especial, e falo da morte anunciada. Ele reage, dizendo não saber de quem se tratava – em verdade ninguém sabia, e combinamos de eu fazer a entrevista. Ligo para Chico, peço que venha correndo ao Rio, e até argumentei: “Mano velho, com esta entrevista eles vão ter que adiar, pelo menos uns dois ou três meses, tua morte”.

Ao chegar ao Rio, começamos a gravar, e dois dias depois o texto estava concluído. Vou ao JB, e entrego, em mãos, a entrevista ao Zuenir. À noite, corria talvez o dia 7, ou 8 de dezembro, convido-o para comer no Lamas. Ele baixa a cabeça, como se estivesse emburrado; “Tô sem grana, e você gastando dinheiro comigo.”

Fomos ao Lamas, bar boêmio do Rio, até hoje, mas  àquela época reunia a nata dos profissionais que “fechavam” a primeira página dos grandes jornais. Adentramos, falei com muitos “coleguinhas”, fui a algumas mesas com o Chico ao meu lado, e ninguém, sequer ninguém, perguntou quem era aquele caipira, roupas fora do padrão, gordinho, quase um capiau. Terminamos por dividir um PF (prato feito).



No sábado, corro às bancas em busca do Caderno Especial, e vejo que a entrevista não saíra. Entro em pânico. Procuro o Zuenir e sou informado que se encontrava em Vitória, no Espírito Santo, mas que segunda-feira retornaria ao jornal. Na segunda, na redação, ele me diz que a matéria não saíra porque eu estava trazendo mais um cara que politizava demais a questão ambiental. Essa era a opinião do jornal.

– Quem?

– Os dois diretores: o Marcos Sá Correa e o Roberto Pompeu.  Não tem “gancho”. Ninguém sabe quem é ele.

– Bom, o jornal vai esperar o cara ser assassinado? A morte dele está anunciada.

No dia 22 de dezembro, à noite, o jornalista Elson Martins (não é meu parente) me telefona de Rio Branco (AC), ligação péssima, e informa que o Chico havia sido “atocaiado” dentro de casa, e certamente morrera. A atriz Cássia Kiss, que morava em minha casa, entra em pânico. Ela o conhecera e, curiosamente, o que o país queria saber, naqueles dias, era quem matara Odete Roitman, numa novela da Globo. Havia sido a própria Cássia.

Já pela manhã recebo os parabéns do JB, por ter dado, via minha entrevista, um “furo” com a matéria, de lauda e meia, sobre a morte. Quase os mandei a puta que os pariu, e procurei o jornalista Fernando Gabeira. Conto a história, e ele conhecia muito bem o Chico Mendes. Gabeira diz que vai entrar em contato com a Folha de São Paulo, e falar com Otávio Frias Filho. Podíamos, acreditava o Gabeira, publicar na íntegra o último depoimento do Chico.

Como tudo na vida, houve um senão. Datilografara a entrevista, nove laudas, na minha valente Olivetti 22, sem carbono, portanto, sem cópias, já que os existentes não mais prestavam. Deixo Santa Teresa, onde morava, e na redação do JB sou cumprimentado, recuso, lembrando a não publicação da entrevista no Caderno Especial. O que queria eram as laudas, e então comecei a “blefar”. Precisava “blefar”.

– Vim comunicar, embora tenha as cópias das laudas – não tinha –, que preciso dos originais, já que vou publicá-la, na íntegra, na Folha de São Paulo.

O clima não era nada sereno, e um deles replica:

– Nada disso, vamos dar uma página inteira aqui no JB, não mais no Caderno Especial, mas no 1º Caderno, na íntegra.

Sugeri, lembro-me bem, uma página ímpar, o que foi feito, e o Roberto Pompeu foi mais longe:

- Vamos fazer um pequeno editorial, na primeira página. Preciso de um texto seu com subsídios. Era a primeira vez que se fazia um editorial na primeira página.

Feito o acordo, o JB publica na íntegra o testamento, Chico Mendes passa a ser Chico Mendes, o país fica perplexo, e neste último depoimento nomina os mandantes, assusta o mundo, dado as razões de sua morte: defesa intransigente do meio ambiente – e o jornal ganha mais uns 12 anos de vida digna.

Que fique claro um detalhe: no lugar de Marcos Sá Correa e Roberto Pompeu, eu, se editor fosse, não teria agido de forma diferente. Chico Mendes não tinha “gancho” para ganhar uma página inteira politizando, como de fato estava fazendo, a questão ambiental.

O que surpreende, e aí já não é mais um detalhe, é a performance do Zuenir.  Desloca-se para o Acre, por convencimento meu, inclusive num voo comigo, onde lá nunca antes estivera, produz uma série sobre a morte de Chico Mendes, por sinal, boa, posto que ajudado pelo jornalista Elson Martins, que não tem nenhum parentesco comigo, repito, e a partir daí passa a ser o Torquemada dos assassinos e mandantes.

Zuenir ganha um prêmio Esso, certamente com muito lobby, escreve um livro, adota o Garoto Genésio, uma das testemunhas juradas de morte, que hoje ninguém sabe aonde se encontra, e vira amigo de infância, tendo jogado peteca, com certeza, nas barrancas do rio Acre, com Chico Mendes. Certamente, toda essa proeza, foi o seu maior feito jornalístico, mestre Zuza.

Quem é Edilson Martins

Jornalista e escritor acreano radicado no Rio, trabalhou e ainda colabora na grande imprensa brasileira. É autor de oito livros: “Nossos Índios, Nossos Mortos”; “Amazônia, a Última Fronteira”; “Nós, do Araguaia”; “Makaloba” e “Chico Mendes”, entre outros.

Dirigiu o documentário “Chico Mendes”, entre outros, onde é feita a narrativa de sua morte, tendo sido, na primeira década dos anos 1990, um dos mais exibidos no mundo. Já ganhou o maior prêmio televisivo do país, o “Wladimir Herzog”.

No ano passado, lançou a série televisiva “AmazôniAdentro”, uma revisitação à região nos últimos 120 anos.  Tem novo livro pronto, “A Viagem de Bediai”, e trabalha na produção de uma grande série para a TV sobre a região amazônica.

domingo, 10 de novembro de 2013

Feliz novo horário antigo

Ainda temos o privilégio de nos guiar pelo sol, lua e estrelas e não apenas pelas conveniências dos mercadores da política

sábado, 9 de novembro de 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Povos indígenas do Acre criticam falta de diálogo e apoio do governo estadual

Lideranças de dez povos indígenas do Acre pediram na tarde desta quinta-feira, em Rio Branco, que o Ministério Público Federal (MPF) passe a acompanhar as políticas indigenistas dos governos estadual e federal no Estado.  Elas apresentaram um documento com informações e solicitaram que o MPF interceda junto ao governo do Acre e ao governo federal para solucionar a situação e fazer valer os direitos dos povos indígenas.

Os povos Huni Kuῖ (Kaxinawá), Ashaninka, Noke Kuῖ (Katukina), Manchineri, Shawãdawa, Shanenawa, Nukini, Puyanawa, Nawa e Yawanawa querem o apoio do MPF na avaliação dos programas governamentais, no exercício do controle social e do direito de consulta, conquistas presentes na Constituição Federal e na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

No documento entregue aos procuradores da República, os indígenas assinalam o diálogo entre os “avanços significativos” ocorridos desde 1999, quando o PT assumiu  governo do Acre. Contudo, nos últimos anos, na gestão do governador Tião Viana, consideram insatisfatórios os resultados dos programas.

Na educação escolar indígena, a ausência de ações voltadas à valorização e garantia de direitos dos professores indígenas agrava a situação.

Os indígenas consideras como origem de muitos problemas a falta de diálogo contínuo e a pouca preocupação com a efetividade dos programas, demonstrada pela ausência de mecanismos participativos de monitoramento e de avaliação das ações.

 De acordo com as lideranças, vários documentos foram enviados, reuniões realizadas com os secretários e assessores do governo do Acre, onde foram manifestadas insatisfações com a condução das políticas públicas para os povos indígenas e apresentadas recomendações.

ENTREVISTA – Tuwe Huni Kuin fala sobre a insatisfação indígena



- Em 7 de março deste ano, foi entregue por nós, no Gabinete do Governador, um documento intitulado “Carta das Lideranças Indígenas para os Governos e Sociedade”. Até o momento, nenhuma resposta pública foi dada, tampouco foram identificados esforços para o atendimento das recomendações ou realização de mudanças – relata o documento entregue ao MPF.

Os indígenas afiram que o exercício de uma educação escolar intercultural e bilíngüe encontra-se prejudicada no Acre por causa da ausência de cursos de formação de professores indígenas em nível médio.  Nos últimos quatro anos, a Secretaria de Estado de Educação e Esporte, através da Gerência de Educação Escolar Indígena, não realizou cursos de formação, o que repercute na qualidade do ensino nas escolas indígenas.

- Nesses 15 anos de gestão da [coligação] Frente Popular do Acre no executivo estadual, não foi realizado nenhum concurso público para provimento de cargos no magistério indígena, impondo todo esse tempo aos professores indígenas à renovação de contratos anualmente – acrescenta as lideranças no documento.

Os índios reclamam de atrasos no repasse de material escolar e da insuficiência para o atendimento pleno das atividades nas escolas indígenas. Em muitas aldeias, existem casos em que o material é entregue meses depois do início do ano letivo. Não existe uma política de merenda escolar regionalizada para as terras indígenas e municípios.

Existe muita insatisfação também com a gestão territorial e ambiental  e produção sustentável que envolve as ações de etnozoneamento e etnomapeamento em parceria com associações e comunidades indígenas. Existem projetos que não atendem as necessidades das comunidades, suas especificidades e não geram os resultados esperados.

Os indígenas pedem celeridade da Funai para a demarcação e revisão das terras indígenas e que ponha em funcionamento um programa de vigilância e fiscalização das Terras Indígenas. Pedem, ainda, que a Funa promova consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas sobre todos os projetos em saúde, educação, infraestrutura, produção sustentável, benefícios sociais, entre os principais que afetam os modos tradicionais de suas vidas.

Criticado como pouco ativo e propositivo no debate sobre projetos e programas para as terras indígenas, Zezinho Kaxinawá, assessor de assuntos indígenas do governo do Acre, disse ao Bog da Amazônia que os indígenas têm evitado convidar representantes do governo para suas reuniões.

Segundo o assessor do governo, já estão assegurados para o próximo ano recursos para formação de professores indígenas. Ele disse que a realização de concurso para professores indígenas ainda é uma meta do governo estadual.

- Acho que deveria ter havido maior presença do governo nesse debate para que a solução fosse encontrada coletivamente. Uma conversa a mais, com a presença de um secretário ou do governador, facilitaria uma saída mais adequada a todos. Faltou espaço para o governo ouvir e se manifestar sobre os problemas que estão sendo questionados pelas lideranças indígenas.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Autodidata em inglês, estudante do Acre chega a uma cúpula global de educação


Primeiro brasileiro a integrar o Wise Learners, André Lucas Melo, 19 anos, é estudante de direito da Universidade Federal do Acre (Ufac). Ele participou na semana passada do World Inovation Summit for Education, uma grande cúpula anual realizada em Doha, capital do Qatar, quando foi nomeado um dos trinta Wise Learners de 2013 por sua atuação voluntária como embaixador do Estudar Mais, um projeto da ONG britânica React & Change na América Latina.

Filho único de um carpinteiro e de uma servidora pública, André Melo já participou de eventos como Parlamento Jovem Brasileiro, Youth Parliament do Mercosul, World Youth Congress, Youth Blast durante a Rio+20, International Student Week, em Ilmenau, e Global Entrepreneurship Summer School, em Munique.

Aprendeu inglês sozinho e já chegou a ser selecionado pela Unesco como editor internacional jovem de uma publicação global sobre educação e também já foi escolhido pela Hesselbein Global Academy como um dos 50 estudantes líderes de ponta.

Em 2012,  o acreano foi contemplado com o Prêmio Estudar Ciência. Apesar de ter um perfil aparentemente distante das ciências, foi um dos melhores classificados na Olimpíada Brasileira de Astronomia. Aos 17,  já era Membro do Parlamento Jovem Brasileiro e representante do Acre – a convite do Parlamento Juvenil do Mercosul e do Ministério da Educação – em conferências nacionais de educação.

Após a premiação pela Fundação Estudar,  foi convidado a contribuir como editor do Youth Summary, relatório organizado pela Unesco em parceria com a Peace Child International sobre a educação ao redor do mundo. Em seu texto, além de falar do desafio da educação na Amazônia, André Melo tratou de projetos de incentivo à educação, capacitação e engajamento juvenil. Dentre centenas de jovens de todo o mundo, seu texto foi eleito um dos 10 melhores trabalhos, o que lhe rendeu um convite pela Unesco a um encontro editorial no Reino Unido.

- Nunca tive que pedir ou mandar o André fazer as tarefas da escola - resume com satisfação a mãe Marilza Buriti Melo, papiloscopista do Instituto Médico Legal do Acre.

Ele mora numa casa humilde de alvenaria, na Rua Formosa, em Rio Branco, que está sendo reformada, pintada de cores claras apenas internamente.

Nascido no Acre, cujos problemas sociais são agravados pelo tráfico de drogas e a violência e onde a principal fonte de emprego é a máquina pública, o jovem destoa na paisagem com seu 1,79m de altura, cara de criança e uma determinação exemplar.

André Melo, que estudou em escola particular até o primeiro ano do ensino médio e migrou para escola pública na esperança obter bolsa de estudo, além da Ufac, foi aprovado em vestibular para cursar direito na Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Amazonas e Universidade Federal de Campina Grande.

Em que pese o brilhantismo, o estudante ainda manifesta incerteza quanto ao futuro:

- Penso muitas coisas, desde seguir carreira na área da magistratura até mesmo trabalhar em outras organizações. Mas o que eu gostaria mesmo é trabalhar com educação futuramente. Talvez lecionar, mas focar em políticas para a educação.

Segundo André Melo, se pudesse voltar no tempo, estudaria muito mais, pois acha que não se esforçou totalmente.

- Aprendizado, educação, foi algo que me interessou bastante. E posso dizer que foi algo que mudou completamente a minha vida. A maneira como eu vejo o mundo, as experiências que tive oportunidade, tudo isso é muito relacionado à educação, essa vontade de aprender, de ir além. Acho que todos nós temos um pouco disso dentro de nós.

O estudante brasileiro do Acre diz que todos os problemas sociais que afetam a sociedade estão relacionados à educação.

- Acho que o problema das drogas no Acre, assim como o problema da violência, da criminalidade, de todas as esferas, na saúde, devem ser sanados e podem ser sanados com investimento maior na educação, com a valorização da profissão do professor e com outros investimentos básicos na área de educação. Acredito que educação é a base de tudo, é a base de todas as áreas. É uma frase, um pensamento clichê, mas que faz muito sentido para mim. Ela pode mudar os mais diversos históricos.

Veja os melhores trechos da conversa com André Melo:

Genialidade
Pode parecer uma perspectiva um pouco romântica, mas eu acredito que, se determinação for determinante pra genialidade, acho que todos nós temos um pouco disso. Todos temos nossos interesses, as coisas que nos atraem. E o que eu fiz foi justamente isso: fui atrás de ir além.

Time internacional
Bem, o Wise Learners é um programa de um ano e os trinta delegados teremos reuniões periódicas e estaremos divididos em grupos. Cada um desses está designado para desenvolver uma ideia, de um projeto, que possa impactar a educação independente do eixo. A cada dois meses teremos reuniões periódicas. A primeira reunião vai ser agora, em janeiro, no Qatar. Teremos também uma reunião e um treinamento em junho, na Espanha, e outras que ainda serão marcadas. Durante esse período,  teremos que desenvolver algum projeto que possa impactar a educação. Trabalharemos em times internacionais multiculturais. O time que estou designado tem representante do Marrocos, do Qatar, da Inglaterra. Projetos que possam impactar a educação independentemente da região. Projetos que possam igualmente ser aplicados tanto tanto no Brasil, na Amazônia, como também na Inglaterra, no Marrocos e no Qatar. Eles designaram a nós a tarefa de desenvolver esses projetos, não somente o projeto utópico, uma ideia, um trabalho, um pedaço de papel escrito. Eles querem um projeto pronto, como vamos financiar esses projetos, como vamos toar esse projeto pra frente. O objetivo deles é que esse projeto se torne real e realmente possa impactar a educação. No ano que vem, na Cúpula Global de Educação Inovadora, nós vamos apresentar esses projetos, seremos avaliados e teremos contato com uma rede grande de pessoas que possam apoiar esses projetos e possam nos ajudar esses projetos pra frente. O objetivo deles é justamente esse: oferecer treinamento mas também colher resultados desse investimento que fazem nesses jovens. Eu estou muito animado. Tenho certeza de que vai ser uma experiência fantástica, baseados nos projetos maravilhosos que tivemos em edições passadas. Acredito que vai ser uma experiência muito boa.

Inteligência e saber
Inteligência independe completamente de educação formal. Inteligência compreende um campo muito vasto, vários elementos, mas não também não é tão ligado à cultura… É uma pergunta difícil. Tem que pensar antes. Não adianta falar com palavras bonitas algo que não vai… Eu me considero uma pessoa esforçada, que sempre tive vontade de fazer algo diferente, de ir além. Durante o ensino médio, na minha vida acadêmica, eu tive oportunidade de ir atrás desses interesses. Desde pequeno fui um ser humano muito curioso. Aprendizado, educação, foi algo que me interessou bastante. E posso dizer que foi algo que mudou completamente a minha vida. A maneira como eu vejo o mundo, as experiências que tive oportunidade, tudo isso é muito relacionado à educação, essa vontade de aprender, de ir além. Acho que todos nós temos um pouco disso dentro de nós. É uma coisa muito mais do que as disciplinas, do que aquela coisa da educação formal. É algo que que tem que ser instigado dentro de sala de aula, pensamento crítico, promover educação não somente como uma coisa formal, como algo dispensável, mas como algo que vai te ajudar na frente.

Escolas públicas e privadas
Essa discrepância não falo somente em nível local, mas em nível nacional. Pelas experiências que tive, há uma diferença muito grande entre educação privada e educação pública. é algo que precisa melhorar bastante. Diferença estrutural e não pelos profissionais. A estrutura privada favorece melhor o ensino, funciona um ambiente melhor para o estudante. A educação pública no Brasil infelizmente ainda precisa de muitas mudanças. Tem problemas crônicos que precisam ser sanados, debatidos e resolvidos. Minha experiência na escola pública foi uma experiência boa, não pelo ensino, mas pelas oportunidades que eu tive no ensino público. Pela oportunidade que tive de seguir meus interesses e oportunidades que muitas vezes eu não teria acesso na escola privada.

Leituras
No momento, leituras do curso porque tempo para leituras livres falta um pouco. Mas eu gosto muito de ler desde coisas mais didáticas a coisas mais literárias. Gosto de escrever também. Acho que as maiores chances que eu tive na vida, de programas e projetos que participei, estavam ligadas a esse gosto que tenho de escrever. No primeiro projeto que participei, da Unesco, recebi um e-mail falando que uma organização global que todos os anos promove sobre educação, estava convidando pessoas jovens ao redor do mundo para compartilhar ideias sobre educação. Como eu estava numa fase meio autodidata de aprender inglês, de melhorar a minha escrita, considerei que tive oportunidades muito boas que foram me dadas pela educação e decidi compartilhar minha experiência com educação com o projeto. Escrevi um artigo científico e também um relato pessoal contando minha experiência na educação sobre as oportunidade que isso tinha me dado, como minha vida tinha se transformado desde que eu havia entendido a educação como essa ferramenta transformadora que eu vejo hoje. Discorri sobre isso e submeti à Unesco. No outro dia eles me informaram que das centenas de artigos que eles haviam recebido ao redor do mundo, eles iam trabalhar 10 que iam trabalhar como editores oficiais de uma versão jovem desse documento da Unesco, que eles iam convidar para trabalhar em Londres durante um período de tempo. Até aí, tudo bem, nunca achei que fosse ser selecionado. Era uma coisa muito grande para mim, muito alta para mim. Eu via dessa maneira. Dois dias depois eu tinha recebido o convite e uma semana depois eu estava indo para Londres e foi uma das melhores experiências que tive na minha vida. E foi a partir daí, tendo a chance de ver de perto esse ambiente e ver de perto relatos de outras pessoas do mundo, que assim como o meu tinham submetido também, eu percebi que a educação não tinha a capacidade de mudar somente a minha vida. Lógico que era o que eu já sabia disso, mas foi a partir desse momento que eu tive uma certeza e comecei a me interessar ainda mais por projetos e por tentar levar isso a um nível maior.

Idioma
Aprendi inglês sozinho. Sempre gostei de cinema, de séries, e sempre assistia em casa. Via inglês como uma necessidade. Eu não sabia exatamente como, mas sabia que era algo que me ajudaria muito no futuro e ajudaria muito a realizar o meu sonho se eu soubesse. Comecei a estudar em casa, tinha algumas gramáticas, alguns livros, praticava com alguns amigos que também falavam inglês. Mas também tive oportunidade de estudar numa escola de idiomas. Fui bolsista por um prêmio que ganhei em 2011, que me deu oportunidade de começar e terminar em curto período de tempo uma escola de idiomas.


Manifestações de julho
No Dia do Basta estava protestando por educação, por causas básicas. Estava por causas mais gerais e não específicas. A minha bandeira vai ser sempre a educação. Mudamos o país não somente pelas manifestações em si. A partir do momento que há esse empoderamento, essa vontade do povo de mudar, não apenas de gerar a mudança em si, mas somente a vontade de mudar, a vontade de dizer isso está errado, isso tem que ser modificado, isso tem que ser aperfeiçoado… A partir do momento que o povo tem essa consciência, que se enxerga nesse papel social, que se enxerga em si mesmo como uma ferramenta de transformação, a partir desse momento já há uma mudança muito grande. Foi um divisor de águas não somente no contexto social acreano, mas também no contexto social nacional, a partir do momento que as pessoas passam a nos ver mais como agentes de mudanças, agentes transformadores. O próprio brasileiro passa a se enxergar dessa maneira. Acho que foi um período fantástico que está durando até agora. Foi algo muito inspirado que tem que ser mantido. Falar de política é complicado. Acho que não tenho tanta autoridade para falar.

Cultura do estudo
É algo fundamental. Estimular não só estudar por estudar, mas mostrar para os jovens como a vida dele pode ser completamente transformada pelo estudo. Pode até parecer um papo meio careta, coisa muito motivacional ou algo até muito romântico, mas a educação mudou a minha vida e é capaz de representar um divisor de águas na vida de qualquer pessoa. Se eu pudesse voltar no tempo estudaria muito mais teria. Não me considero que me esforcei totalmente.

Os pais
Sou de uma família simples. Meu pai é carpinteiro de profissão. Minha mãe é servidora pública, papiloscopista. Meu pai por profissão é carpinteiro, já foi servidor público. Já fez de tudo na vida. São pessoas que me inspiram bastante. São minha dose de inspiração diária. Os dois são inteligentes e me provaram desde cedo que inteligência independe de educação formal. Meu pai estudou somente até o ginásio, mas eu considero ele o homem mais feliz que conheci na vida. Agradeço muito por terem me dado a oportunidade que eles não tiveram. Oportunidade de estudar, de correr atrás de coisas que eu gosto. A educação que me deu isso. É fantástico. Sou muito orgulhoso pelos pais que tenho.

Drogas
É engraçado. Quando você começa a trabalhar com educação, quando começa a ver educação de um ângulo mais perto, você começa relacionar com educação todos os problemas sociais que afetam a sociedade acreana, a sociedade brasileira. Educação não é um problema. Educação é solução. Acho que o problema das drogas no Acre, assim como o problema da violência, da criminalidade, de todas as esferas, na saúde, devem ser sanados e podem ser sanados com investimento maior na educação, com a valorização da profissão do professor e com outros investimentos básicos na área de educação. Acredito que educação é a base de tudo, é a base de todas as áreas. É uma frase, um pensamento clichê, mas que faz muito sentido para mim. Ela pode mudar os mais diversos históricos.

Futuro
Não tenho certeza. Optei por direito porque, além de ter esse interesse na área jurídica, é uma área que possibilita muitas opções de coisas que posso fazer e me dedicar futuramente. Penso muitas coisas, desde seguir carreira na área da magistratura até mesmo trabalhar em outras organizações. Mas o que eu gostaria mesmo é trabalhar com educação futuramente. Talvez lecionar, mas focar em políticas para a educação.

Mensagem
Uma mensagem clichê: não desista. Saiba que tudo que você faz hoje, cada gota de suor, cada hora que você perde dormindo ou sem fazer aquilo que você realmente gosta, cada hora que você gasta investindo em educação, investindo em você mesmo, é uma hora de sua vida que se multiplica, uma hora que vai render frutos para o seu futuro. Dedique-se àquilo que você gosta e corra atrás de seus objetivos. Deixe de dizer que você é menos capaz por uma situação ou outra. É esse o recado que tenho.