sexta-feira, 29 de agosto de 2008

SCIENCE DESTACA GEOGLIFOS DO ACRE

Evandro Ferreira


Em artigo assinado pelo escritor Charles Mann, autor do livro “1491 - Novas Revelações das Américas antes de Colombo”, a revista Science desta semana destaca os geoglifos descobertos no Acre pelo pesquisador Alceu Ranzi, em 1977, quando ainda era estudante de geografia. Segundo a revista, depois de descobertos, os geoglifos só foram formalmente reconhecidos pelo Programa Nacional de Pesquisa Arqueológica da Amazônia, com o apoio do museu americano Smithsonian, de Washignton, mais de uma década depois.

Com formato de círculos, diamantes, hexágonos e retângulos, os geoglifos medem entre 100-350 metros de diâmetro, delimitados externamente por trincheiras com 1-7 m de profundidade. Muitos deles são acessíveis por largas avenidas de terra, algumas delas com 50 m de largura e até um quilometro de comprimento.

- Os geoglifos são tão importantes como as linhas de Nazca - afirma Alceu Ranzi, se referindo às famosas e misteriosas figuras desenhadas em pedras na costa peruana. Alceu diz que, embora os geoglifos já sejam conhecidos há mais de 20 anos, “até agora ninguem sabe qualquer coisa sobre eles”.

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

"NA AMAZÔNIA SÓ NÃO TEM BAIANO"

José Altino Machado, 66, ganhou fama internacional ao liderar, nos anos 80, a legião de 40 mil garimpeiros que invadiu as terras dos índios ianomami em Roraima. Também já foi acusado de usar propriedades e aviões particulares, bens acumulados na mineração, para ajudar fazendeiros e madeireiros a invadirem a Terra do Meio, no Pará.


O ex-presidente da União dos Garimpeiros da Amazônia, tantas vezes acusado de genocídio contra os ianomami, vive em Governador Valadares (MG), onde nasceu, e se dedica a criar gado tabapoã e a produzir milho.

Mas o fazendeiro não deixa de acompanhar e de dar pitaco sobre o que se passa na Amazônia, como ontem, quando o Supremo Tribunal Federal começou a julgar a ação contra a demarcação da Raposa Serra do Sol, que colocou em pé de guerra índios e agricultores de Roraima.

- O julgamento no STF significa a vitória da falta de cultura e da falta de verdade histórica. Antes de mexer em qualquer questão indígena, a sociedade brasileira deveria decidir o que os índios serão para o Brasil. Eles formarão uma nação, eles serão nacionais? Eles terão deveres ou não pertencerão ao país? Essas questões precisam ser solucionadas antes - disse Altino Machado ao Blog da Amazônia.

Como líder dos garimperios, Machado era tão ou mais radical que Paulo César Quartiero, o líder dos arrozeiros de Roraima. Mas o que é a Amazônia para esse mineiro que começou a aventura em busca de ouro quando tinha apenas 25 anos de idade e que se tornou num dos personagens mais controversos da história recente da ocupação da região?

- Na Amazônia só não tem baiano, que é uma outra raça brasileira. A Amazônia é uma região de pessoas para lá de excepcionais. Ela suga de todas as regiões as pessoas mais rebeldes do sistema social brasileiro, que não aceitam a mendicância, o comando ditatorial de governos. Para a Amazônia se vai pela alma para enfrentar outra fronteira de vida. Na Amazônia, a gente é avaliado pelo que a gente é e não pelo que a gente tem. Essa é a grande diferença da Amazônia em relação ao resto do mundo. Lá só tem quem trabalha, lá só tem quem sabe, quem faz. É por isso que a Amazônia não acomoda baiano.

Leia a entrevista com o xará do blogueiro no Blog da Amazônia.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

TERREMOTO NO PERU ASSUSTA O ACRE

Um terremoto de 6.3 na Escala Richter foi sentido em Rio Branco, a capital do Acre, às 16 horas - 17 horas em Brasília.



O epicentro aconteceu a 95 quilômetros de Pucallpa, a capital do departamento de Ucayally, no Peru, a 152 km de profundidade. Ele foi registrado pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília.


- Foi um terremoto significativo e tectônico, isto é, devido a placa de nazca estar colidindo com a placa sul-americana - disse ao Blog da Amazônia o professor George Sand França, chefe do Observatório Sismológico da UNB.


Pucallpa está situada a oeste de Cruzeiro do Sul (AC), a segunda maior cidade acreana, localizada no extremo-oeste do Brasil. O epicentro do terremoto ocorreu a a 205 quilômetros da cidade.

França disse que a população do Acre costuma sentir os tremores mais profundos, que geralmente ocorrem de 100 a 300 quilômetros de distância, em território peruano.

- Como o terremoto foi percebido pelos moradores de Rio Branco, que está a mais de 800 quilômetros de distância do epicentro, é possível que em Pucallpa o tremor tenha causado algum dano material - observou Sand-França.

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RISCOS E OPORTUNIDADES DO DENDÊ

Marina Silva

Quando se fala em biocombustíveis, a primeira reação é saudá-los como grande oportunidade para o Brasil reposicionar-se no cenário global, visto que a um só tempo estaria trilhando um caminho ecologicamente correto e abrindo excepcionais perspectivas econômicas.

Os biocombustíveis são, de fato, ótima alternativa para a substituição de fontes mais poluentes, derivadas do petróleo, além de terem mercado potencial fantástico, em termos globais. Mas há aspectos a considerar que podem significar o limiar entre ganhos e perdas sociais e ambientais.

Os ganhos dependerão de nossa capacidade de produzi-los observando cuidados como o zoneamento agrícola, as áreas prioritárias para a proteção da biodiversidade, a segurança alimentar, as boas condições de trabalho, o respeito à reserva legal (áreas, dentro de propriedades particulares, nas quais é proibido o desmatamento) e às áreas de preservação permanente, além da criação de sistemas de certificação e rastreabilidade, entre outras medidas determinantes para a qualidade de nossa produção.

Vejamos o exemplo do dendê, que começa a ganhar destaque na corrida dos biocombustíveis. Especialistas internacionais afirmam que a produção do óleo de dendê é hoje a principal causa do desmatamento das florestas tropicais na Malásia e Indonésia. Segundo dados da organização não-governamental Amigos da Terra, a expansão dos plantios de dendê foi responsável por 87% do desmatamento de florestas nativas da Malásia, no período de 1985 a 2000. O Greenpeace lançou, no primeiro semestre deste ano, campanha internacional propondo que a indústria do dendê na Indonésia declare moratória na conversão de áreas de floresta para cultivo e adote critérios rígidos de expansão, punindo com restrições econômicas quem não se adaptar. O próprio governo indonésio parece estar reagindo à devastação, adotando normas mais restritivas.

Em decorrência disso tudo, algo muito preocupante está acontecendo: as empresas que exploram dendê na Malásia estão migrando para o Brasil!

Segundo informa o site BiodieselBr, a FELDA, empresa estatal da Malásia, pretende plantar cem mil hectares de dendê no Brasil e já desenvolve projeto no município de Tefé, no Amazonas, para o plantio de 20 mil hectares em "áreas degradadas". Entretanto, o assunto é polêmico no estado, pois há especialistas que afirmam não existir tal suposta área degradada no município e tampouco teria sido identificada pelo mapeamento por satélite feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE.

A Agropalma, estabelecida no Pará e dirigida por um ex-representante de empresas de dendê da Malásia, já tem 33 mil hectares plantados e pretende expandir-se nos próximos anos. Segundo a imprensa, o Ministério da Agricultura projeta fomentar o plantio de 6 milhões de hectares de dendê na Amazônia, e a Embrapa faz importantes pesquisas para desenvolver variedades cada vez mais adaptadas às condições da região.

Em Tefé ou na Amazônia como um todo, há diversas interpretações sobre a dimensão do potencial que pode ser utilizado para o plantio de dendê ou de qualquer outra espécie exótica. Isso porque alguns consideram que tudo o que foi desmatado ilegalmente até hoje poderia acabar sendo destinado a esses cultivos, sob a alegação de se tratar de "recuperação de áreas degradadas".

A lei manda recuperar com espécies nativas as áreas ilegalmente desmatadas, pela óbvia razão de que o objetivo é repor a floresta no lugar de onde ela não deveria ter sido extirpada. O que está em curso, porém, é uma tentativa de mudar a lei para permitir que essas áreas sejam "recuperadas" com espécies exóticas, como dendê, palma e eucalipto, por exemplo.

Essa e outras iniciativas correlatas, no fundo, premiam quem desmatou, em prejuízo da reposição da função ecológica da floresta. O papel do governo na Amazônia deveria ser o de induzir a uma economia baseada na existência da floresta, e de reorientar o desenvolvimento das atividades agropecuárias segundo critérios de sustentabilidade ambiental, como está previsto no Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia, lançado pelo Presidente Lula em 2004.

A legislação brasileira permite o uso mais intensivo das áreas já convertidas, mas para isso é preciso que se faça o zoneamento ecológico-econômico, de forma a ter uma avaliação criteriosa das atividades econômicas existentes, da capacidade suporte dos ecossistemas e de regeneração da floresta e, em função desses e de outros critérios, do tipo de atividades que poderão ser desenvolvidas. Acenar com esperanças de vantagens para quem desmatou ilegalmente, por meio de retrocesso na legislação e de incentivos para o plantio de espécies exóticas sem considerar esses aspectos, é acatar um comportamento socialmente danoso que pode vir a abrir mais uma frente de expansão da exploração predatória na Amazônia.

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e colunista da Terra Magazine.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

EVANDRO FERREIRA

Botânico encontra no Acre formação vegetal ainda desconhecida pela ciência e afirma que florestas do leste do Estado estão classificadas de forma equivocada no Zoneamento Ecológico-Econômico


Com certa freqüencia a ciência dá provas de que conhece pouco a Amazônia. Na semana passada, após 15 dias de trabalho numa Avaliação Ecológica Rápida (AER), no Parque Estadual Chandless, no Acre, o botânico Evandro Ferreira emergiu com duas importantes contribuições para o conhecimento e proteção das florestas da região.

A primeira delas é uma constatação: as florestas do leste do Acre estão classificadas de forma equivocada no ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico) do Estado. Parte delas se comportam como florestas sub-caducifólicas, ou seja, onde grande número de árvores perdem completamente as folhas no período mais seco do ano.

A segunda é quase um enigma: a AER no Chandless, coordenada pela Fundação SOS Amazônia, para fornecer informações para a elaboração do plano de manejo do parque, que está sob a responsabilidade da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Acre, revelou uma formação vegetal ainda desconhecida para a ciência.

Vistas do alto, as clareiras que surgem no leste do Acre, na fronteira com o Peru, mais parecem áreas de florestas que sofreram queimadas. Estão situadas numa das regiões mais remotas da Amazônia. Ao investigá-las, os pesquisadores descobriram que não foram abertas pelo homem, embora os poucos moradores que existem na região denominem as áreas como “queimadas”.

- A maior “queimada” já identificada tem mais de 5 hectares. Apesar de relativamente pequenas, o aceso às mesmas é muito difícil. Na borda ocorre uma vegetação arbustiva densa, com muitos cipós e seu interior só é acessível com barco, pois não se sabe a profundidade da lâmina de água no local. Não sabemos que tipo de animais e plantas existe nestas formações, nem sabemos as razões delas terem aparecido. Vale comentar, ainda, que provavelmente todas as "queimadas" são incluídas nas estatísticas de desmatamento do Inpe. É óbvio que isso é um equívoco - relata Evandro Ferreira em entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia.

Acreano, nascido em Rio Branco, pesquisador do Inpa e do Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre, Evandro Ferreira tem mestrado em Botânica no Lehman College, e Ph.D. em Botânica Sistemática pela City University of New York & The New York Botanical Garden (NYBG).

Ele conduz o conceituado blog Ambiente Acreano, onde aborda ciência, tecnologia, política e meio ambiente.

Leia entrevista no Blog da Amazônia.


64 ANOS DE DIFUSORA ACREANA


A Rádio Difusora Acreana faz hoje 64 anos de existência. O Acre não seria o mesmo sem a emissora. A data será comemorada às 17 horas, no Memorial dos Autonomistas. Quer tentar ouvir a Voz das Selvas? Clique aqui e reze para a Brasil Telecom.

domingo, 24 de agosto de 2008

O LIMÃO E O LIMINHA DA MARIA

Walmir Lopes

Em maio deste ano, depois de um jejum de 38 anos, voltei ao Acre, mais especificamente ao antigo seringal Quixadá, em Rio Branco, onde passei um tempo inesquecível da infância e outro tanto da adolescência.

Encontrei ali meu tio Liminha que, embora com pequenos lapsos na memória recente, após 83 anos de vida e sete casamentos (e talvez por isso), esbanjava vitalidade física e bom humor.

Maria é a sétima esposa, morena cinquentona e saudável, a quem ele trata carinhosamente de “minha velha” e a quem se refere como “este diabo é um anjo que apareceu em minha vida”.

Pois bem, enquanto Maria se desdobrava no fogão, cozinhando quatro piaus médios, um pirão e um arroz de colorau, nós dois, à espera do almoço, percorríamos o tempo de marcha-a-ré à cata de velhas imagens perdidas por aqueles varadouros.

O papo corria solto, entremeado dessas lembranças antigas e conversas genéricas mais atuais - aqui e acolá uma lapada de cachaça pra comemorar o reencontro e dilatar o piloro. Papo vai, papo vem, surgiu o limão como bola da vez entre tantos outros assuntos.

Discorrendo sobre as qualidades terapêuticas dessa fruta, que utilizo religiosamente todos os dias, desfiei um rosário de possibilidades, que iam dos poderes antioxidantes que evitavam a degeneração celular, auxiliando na manutenção da juventude corporal e da beleza física, até a reversão de processos cancerígenos, passando pelo equilíbrio da pressão arterial, já que afirmam que ele “afina” o sangue.

Bastava apenas que fosse obedecida uma regrinha muito simples: chupar, no mínimo um limão, todos os dias. Meu tio, depois de ouvir atento todo aquele blá-blá-blá a respeito dos “milagres” do limão, esboçou um sorriso meio maroto e, levantando-se do banco, achegou-se a sua Maria, deu-lhe um cheiro carinhoso no cangote suado de fogão, cochichando baixinho ao pé do ouvido:

- Tá vendo, minha velha? É vivendo e aprendendo. Agora eu sei por que você tá conservada desse jeito. Se o limão é bom, imagine o Liminha!

A Maria, mesmo sem entender completamente o espírito da coisa, arrematou:

- É “mermo”, né meu velho, quem é que precisa de limão?

Walmir Lopes é empresário em Olinda (PE)

sábado, 23 de agosto de 2008

LUTA ARMADA

De Mario Sabino na reportagem especial "O golpe do século", de Veja da semana, onde o partido comunista chinês é apresentado como a mais formidável máquina de cooptação social já criada:

"O nosso terceiro comunista, Zhou, enquadra-se no 1% que não enfrenta processo de seleção – pelo menos, não o usual. Abriram-lhe as portas do partido graças aos serviços prestados à China no exterior. Quais serviços foram esses, ele não revela. Só deixou escapar que, no Brasil, se surpreendeu ao encontrar no estado do Acre um sujeito que mantinha na estante os livros de Mao e pregava a revolução armada contra os exploradores capitalistas. "Nem nós acreditávamos mais nesse tipo de coisa", riu-se Zhou. Foi-lhe explicado que a América Latina era "o cemitério de idéias". Ele aprovou a expressão".

Gilberto Siqueira, secretário de Planejamento do governo do Acre, era maoista quando apareceu por aqui. Pouco provável que seja o sujeito encontrado no Acre pelo chinês. Talvez o "sujeito" seja o professor Reginaldo Castela, que até hoje prega a luta armada.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

TÃO CEDO, MÁRIO?

Antonio Alves

Estava na Terra, lendo um bom livro e ouvindo a algazarra dos passarinhos, adiando para o dia seguinte a necessária vinda à cidade para tratar dos negócios urbanos, quase sempre associados a dívidas e outros incômodos. Tudo parecia calmo e bem, mas um telefonema do jornalista Altino Machado me trouxe a notícia triste: Mário Lima havia falecido, naquela manhã, num hospital de São Paulo. Não tive mais gosto pelo livro nem pelos passarinhos, interrompi meu já tão breve retiro para vir à cidade saber mais notícias. No caminho, revi o contato tão produtivo que tive com Mário ao longo da vida.

Eu era colega de sala do Roberto, irmão do Mário, e a casa em que eles moravam, na ladeira do Ipase, ficava no caminho que ia para minha casa. Claro, a parada ali era obrigatória, depois da aula, para tomar um copo dágua, ver os desenhos do Roberto, tomar um livro emprestado e até ficar para almoçar ou jantar, deixando minha mãe preocupada, numa época em que não existia celular e poucas famílias tinham telefone.

Mas ali, entre amigos, eu estava mesmo em casa. E também na escola, pois aprendia de tudo com aquela quantidade enorme de livros, revistas, discos, quadros e cartazes espalhados pela casa. Qualquer dúvida, era só perguntar para o Mário. Desde que o pai, Seu Dadá, ficara em Brasiléia e se transformara em patrimônio histórico daquela cidade, Mário era o homem mais velho da casa e líder inconteste dos irmãos e dos sobrinhos. Começou a trabalhar, cursou Economia na UFAC, lia avidamente o Pasquim e qualquer publicação esquerdista que escapasse à censura ditatorial da época, jogava xadrez, ouvia o melhor da música brasileira e, enfim, respondia a todas as nossas dúvidas juvenis.

Pra completar, era um cara bonito e namorou algumas das mais belas acreanas daquele tempo, duas ou três delas tendo sido bem classificadas em concursos de miss, o que levou um locutor de rádio a apresentá-lo, num programa, como “o garoto das misses”, provocando inveja e ciúmes generalizados. Isso se deu no final dos anos 60, quando Mário retornou de uma viagem ao Rio de Janeiro, cheio de modas, e foi mostrar na Rádio Difusora o primeiro disco de um jovem cantor, de voz impressionante, que iria se tornar, segundo a avaliação acertadíssima do Mário, numa das maiores estrelas da MPB. O nome do artista era Tim Maia, que invadiu as verdes florestas amazônicas cantando o “azul da cor do mar”.

Foi também por esse tempo, uns poucos anos depois, que Mário e Jimmy Barbosa, que era dono do Cine Acre, fizeram a primeira experiência com cinema em terras acreanas. Na verdade, eles pensaram e produziram o filme, que foi rodado no Sul, era uma história dramática e complicada, nem me lembro o nome. O filme estreou no Cine Acre, é claro, e andou circulando por aí, mas o sucesso não foi lá essas coisas e os cineastas iniciantes não se animaram a novas produções.

Nos anos 70 passei sete anos longe, primeiro em Brasília, depois no Rio, e voltei enrolado com essa política que não me larga até hoje. Já não era mais aluno do Jesus, irmão do Mário, na escolinha de futebol do Juventus. Quase não tinha notícias do Roberto, agora médico e professor, que ficou morando no Rio. Quando ao Mário, professor de Economia, padecia por conta de suas idéias. Quando o PMDB ganhou as eleições, em 82, esperava-se que fosse fazer parte da equipe de governo, mas foi escanteado pelos políticos porque não se filiava a nenhum grupo e tinha, segundo um cacique da época, “idéias próprias”. Ainda foi Presidente do Banacre por algum tempo e quando Iolanda Lima assumiu o governo nomeou-o Secretário de Planejamento. Foi a primeira vez que vi alguém falar na importância do planejamento nas ações de governo, acho que foi aí que a Secretaria passou a ser também “de Coordenação”. Mas em apenas 10 meses de um governo interino e cercado pelo baronato político, não havia muito o que fazer. Acho que a experiência fez com que o Mário radicalizasse sua opção pela Academia e sua formação marxista. Rumou para Campinas, onde era professor universitário, e de onde enviava seus textos para a Gazeta e, mais recentemente, para o blog do Altino Machado.

Guardo com carinho as polêmicas que promoveu em minha página na internet, sempre as releio para avivar as idéias. Nossas discordâncias eram abertas e fraternas. Não se colocava na posição de professor. Não me lembrava minha condição de adolescente a quem ele ensinara os primeiros movimentos no tabuleiro de Xadrez. Dialogava, apenas, sem facilitar seu texto, pressupondo a igualdade e a autonomia. Seu pensamento atento, crítico, rigoroso, não deixava passar sem registro e comentário os dilemas da sociedade brasileira e amazônica. Não sei se seus ex-alunos, que hoje estão na política e na administração do Acre, aproveitaram a oportunidade de continuar aprendendo com suas intervenções no debate público. Geralmente os “gestores” ficam encastelados no pragmatismo de suas funções políticas ou executivas e não encontram tempo para ler nem dialogar com quem está “de fora”. Principalmente se o interlocutor toca em assuntos incômodos –como petróleo, usinas, madeira e outras coisas sobre as quais muita gente tem medo de falar, por absurdo que pareça. Mário botava o dedo em algumas feridas.

Isso me dá um sentimento de inconformismo com sua partida. Logo agora, ainda tão jovem, na plenitude de seu vigor intelectual, com tanta coisa para ensinar às novas gerações, e num momento em que precisamos tanto de pensamentos livres e desatrelados do poder... Conforta-me, ao menos, saber que ele deixa aqui uma boa herança para seus filhos, parentes e amigos, um tesouro de conhecimentos num baú de boas lembranças.

O amigo deixa saudades, o professor vai fazer falta.

Antonio Alves é cronista acreano.

JORNAL CLONA CORPO DO FINADO


Mário querido:

Foi muita sacanagem o que o editor do Página 20 (leia) fez com você na edição de hoje. Ele parece ter conseguido clonar o seu corpo.

Após anunciar a sua morte, avisa que seu corpo será cremado em São Paulo e as cinzas espalhadas em Brasiléia.

Na terceira frase, diz que "seu corpo deve ser trasladado para Rio Branco, onde será enterrado".

O melhor mesmo é você descansar em paz.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

RÉQUIEM PARA JOSÉ

Paulo Henrique Valadares

Chico morreu!
Chico morreu?
Chico morreu.

Seringueira chorou?
Já não chora mais!
Passarinho cantou?
Já não canta mais!

Menina chorou!
Menino chorou!
O jovem rapaz?
Tempo passou.

Homem não chora!
Homem não chora!
Homem não chora!
"E agora, você?" (*)

Floresta chorou!
Chuva caiu!
A Hora mudou!
Você para onde?

Fumaça não é choro.
Saudade não é choro.
Lágrimas nos olhos?

"e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?"(*)

(*)Drummond

O ex-baiano Paulo Henrique Valadares é médico no Acre.

MERCI, MÁRIO

Na segunda-feira, Mário José de Lima, 63, e eu trocamos as últimas mensagens:

- Caro Altino / preciso de sua ajuda. Tive uma quebra do meu micro e perdi o caderno de endereços. Você poderia conseguir-me o endereço do Elson Martins? Abraço, Mário.

Repassei o e-mail do Elson e Mário respondeu:

- Merci, por mais essa.

Soube que naquele dia Mário enviou, entre outros, para o jornalista Elson Martins e para a cronista Leila Jalul,
aquele que agora é seu último artigo: "Descobrindo que o capitalismo existe" - clique aqui e leia.

Bem, hoje, quando li no site AC 24 Horas que o acreano, professor de economia da PUC-SP, havia sido traído pelo coração, fiquei torcendo para que a notícia de sua morte fosse uma "barriga" do gordo Roberto Vaz. Não era.

Mário Lima era colaborador permanente deste blog e gostava de fazer comentários. Em novembro do ano passado, quando a pressão dos medíocres era quase insuportável e eu estava disposto a fechar esta bagaça, veio dele uma mensagem tocante, intitulada "Vida longa", e que expressa o respeito mútuo que nos aproximava:

"Caro Altino

Não desenvolvemos, ao longo de todos esses anos, uma amizade, daquelas que torna as pessoas íntimas, capazes de trocas de informações pessoais ou de convivência diária e outros aspectos próprios da amizade. Diversos foram os motivos para que assim fosse, mas acredito que o principal está mesmo na nossa diferença de idade.

Minha geração enfrenta as durezas da vida há mais tempo. Mas estivemos sempre no mesmo lado de uma luta que nos aproxima: aquela que trata do destino do Acre.

Assim, tenho certeza, acompanhando a vida um do outro, cada um de nós, em nossa própria fronteira, desenvolveu uma atitude de respeito mútuo que nos torna, de alguma forma, amigos.

O conhecimento que desenvolvi sobre tua vida sempre me mostrou alguém portando uma baladeira, em batalha nas quais os opositores portavam uma arma bem mais mortal: o poder e uma esforçada vontade de ferir, de machucar, agir por pura maldade.

Acompanhei muitos desses momentos e vi de perto como em nenhum momento tua caneta cedeu espaços para outra forma de operar que não fosse no sentido de um tratamento direto, quase frio, da informação.

Nem posso dizer que sempre tuas atitudes foram as mais corretas para cada um dos momentos. Mas sempre estive convencido de que pretendias dar sentido à profissão que teimas até hoje, e acho que para sempre, abraçar.

Claro que conseguiste ir deixando uma trilha de inimizades, mas, certamente se não tantos amigos, mas, certamente, terás sido capaz de formar bons admiradores.

Nada do que exponho pretende orientar qualquer decisão que pretendas tomar em relação ao blog.

Não sei detalhes e mesmo se os conhecesse, tua cabeça pensa de forma muito independente para imaginar que acompanharias algum conselho - não posso negar o que escrevi antes.

Quero, entretanto, desejar vida longa para o Blog do Altino Machado e, muito particularmente, para o Altino Machado.

Um abração, caro amigo"

Leia alguns dos posts de autoria do saudoso Mário LIma:

Sonolentos em "dias" escuros
Ainda a mudança do fuso horário
Para que a mudança?
Um exercício de saudade
Arqueologia do Acre
Sítio arqueológico

ASHANINKA DENUNCIA PETROBRAS


Lideranças ashaninka da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no Brasil, dizem que a Petrobras está preparada para iniciar atividades de prospecção e exploração de petróleo e gás, no alto rio Juruá, no Peru, em lote sobreposto a territórios de comunidades nativas e de índios isolados.

- A nosso ver, a intenção da Petrobrás constitui uma flagrante e condenável contradição com o discurso de responsabilidade socioambiental adotado pela empresa no Brasil e com a legislação que a empresa é obrigada a respeitar em nosso país - afirma documento da Associação Ashaninka, presidida por Moisés da Silva Piyãko (foto), enviado ao presidente da Unión de Comunidades Indígenas Fronterizas del Peru (UCIFP), Edison Panayfo.

O posicionamento dos ashaninka, que vivem no Acre, na fronteira com o Peru, é uma resposta ao convite que receberam para participar do “I Taller de Capacitación y Fortalecimiento en Actividades de Hidrocarburos para Líderes Indígenas”, na Comunidad Nativa Nueva Shauaya, para discutir temas relacionados à prospecção e exploração de petróleo e gás, preparar as comunidades indígenas para os “os novos desafios do desenvolvimento sustentável” e “lograr relações harmoniosas entre o Estado, as empresas petrolíferas e as comunidades”.

Aproveitando possibilidade aberta pela legislação peruana, a empresa brasileira Petrobras Energia Peru S.A. tornou-se, em dezembro de 2005, concessionária, por um período de 40 anos, do Lote 110, localizado no alto rio Juruá peruano, em águas binacionais, com extensão de 1,4 milhão de hectares. O lote é sobreposto à Reserva Territorial Murunahua e a territórios de comunidades ashaninka, jaminawa e amahuaca, já titulados ou reivindicados.

A leste, o lote tem limites, ainda, com o Parque Nacional Alto Purús, estando sobreposto à sua zona de amortecimento, no trecho onde está a Reserva Territorial Mashco-Piro, criada em 1997 para proteger grupos isolados Mashco-Piro.

Leia mais no Blog da Amazônia.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

PATAUÁ NA TERRA DA GENTE


A revista Terra da Gente prepara para a próxima edição uma reportagem sobre óleo de patauá, que tem características semelhantes ao azeite de oliva.

A editora-executiva Liana John teve sorte ao relatar ao blog que já havia esgotado suas alternativas junto aos pesquisadores e ambientalistas em busca de fotos da palmeira.

No final de semana, quando estive em Cruzeiro do Sul, fotografei um plantio de patauá cultivado por um tio meu.

Enviei as fotos, mas não deu para atender o segundo pedido da editora, com quem tive a satisfação de trabalhar na Agência Estado: uma garrafinha de 300 ml do óleo de patauá, para que pudesse fazer uma receita que complentaria a matéria.



Na verdade os plantios de espécies nativas como o patauá estão sendo dizimados no Acre. O pesquisador Evandro Ferreira, especialista em palmeiras da região, disse que no Vale do Juruá existe uma variedade de bacaba que não é encontrada em nenhuma outra região do planeta.

- Na última vez que estive no Juruá presenciei, em Mâncio Lima, a abertura de um projeto de assentamento do Incra no meio de um patauazal. Dá uma tristeza enorme a gente ver as nossas riquezas naturais sendo destruídas dessa maneira - afirma Ferreira.

No sítio de meu tio havia um pé com um cacho de patauá madurinho. Retirei os frutos, preparamos e tomamos o vinho delicioso. Minha mãe trouxe uma centena de sementes. Algumas dezenas já foram semeadas e aguardamos a germinação, que demora uns seis meses. Demora de 10 a 15 anos para frutificar.

A palmeira de patauá tem um aspecto nobre e selvagem. Mede até 25 metros de altura. É nativa do Peru, Colômbia, Venezuela, Guianas e Brasil.

Tem estipe ereto, com anéis escuros e outros verde-oliva, flores branco-amareladas e drupas roxo-escuras. Ameaçada de extinção, do lenho e das folhas fazem-se obras artesanais.





Leia mais sobre patauá no blog Ambiente Acreano.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

DAVI FRIALE É FRIA

Agência e "meteorologista" erram ao anunciar frio no Acre, onde agora faz 35ºC com sensação térmica de 37ºC

Não faz muito tempo, na maior cara-de-pau, a imprensa do Acre tratava o funcionário público e cabo eleitoral João Borborema com o título de cientista político.


Mais recentemente, o jornalista Sílvio Martinello, sócio do ex-governador Flaviano Melo no jornal A Gazeta, inventou o título de meteorologista para Davi Friale, um ex-funcionário do extinto Banacre.

Agora chegou a vez da Agência de Notícias do Acre, do governo estadual, entrevistar o meteorologista de araque e se basear nele para anunciar que uma frente fria chegaria ao Estado nesta terça-feira.

Quase todos os veículos de comunicação foram induzidos ao erro e a população está a esperar a friagem. Aliás, hoje foi um dos dias mais quentes do ano no Acre. Fez 35ºC com sensação térmica de 37ºC, de acordo com o site do Inpe.

- Pense numa barrigada nossa. O cara falou. Errou. Pronto. Ninguem vai enfartar por isso - reagiu o assessor de comunicação do governo Itaan Arruda.

Como sempre, previsão do Friale é uma fria. Quem sabe, o frio chegará mais tarde.
Clique aqui e leia a "barriga" da Agência de Notícias do Acre.

Atualização às 16h55: O tempo está fechando e parece que vai chover em Rio Branco, conforme previsão do Inpe, mas o "meteorologista" Friale disse que uma massa de ar quente impossibilitaria a formação de chuvas até o final do mês. A essa altura, só Deus.

COM O DEVIDO ALVARÁ


Cabeça de porco é vendida, com os devidos alvarás sanitário e de funcionamento, em açougue no mercado de Cruzeiro do Sul.

FAZ-DE-CONTA ELEITORAL

Certas coisas, sobretudo quando o assunto é legislação eleitoral, o melhor mesmo é não tentar entender a irracionalidade.

Até o dia 6 de agosto os candidatos a prefeito em todo o país tiveram que entregar à Justiça Eleitoral suas prestações de contas parciais para divulgação na internet.

Em Rio Branco, por exemplo, dos quatro candidatos apenas Antonio Rocha (PSOL) declarou (veja aqui) ter recebido doação de R$ 200,00, que foram gastos com materiais impressos.

Segundo a última pesquisa do Ibope, Rocha, com apenas 1% da preferência do eleitorado, é o ultimo colocado. Mas pode ser o mais honesto dos candidatos.

Raimundo Angelim (PT), Sérgio Petecão (PMN) e Tião Bocalom (PSDB), que lideram a pesquisa, declararam à Justiça Eleitoral que não tiveram qualquer tipo de gasto.


Ou a Justiça Eleitoral é realmente cega ou os comitês dos candidatos não sabem fazer contas. Ou, ainda, a Justiça Eleitoral faz-de-conta que fiscaliza e cada partido faz-de-conta que cumpre a lei.

É o Brasil.

EM NOME DE ZIZO

Marina Silva

A cantora entoava o Hino da Independência num solo à capela e nós repetíamos o estribilho: "ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil". Em torno, o frescor da Mata Atlântica cheirosa, barulho de riacho, de folhas. No centro, a memória de um jovem estudante bonito, generoso, que poderia estar ali, entre seus irmãos e amigos, aos 63 anos. Mas morreu aos 24, durante a ditadura militar, numa emboscada armada por delegados do DOPS, perto da avenida Paulista, em São Paulo.

De repente me dei conta de que estávamos retomando - especialmente a família de Luiz Fogaça Balboni, o Zizo - a saga de quem resolveu não apenas cantar o refrão do Hino, mas vivê-lo com radicalidade, assumindo morrer numa guerra de objetivos não bélicos, não de conquista de territórios, mas de conquista de democracia, para que o Brasil fosse uma pátria livre.

Outros jovens dos anos 1960 e 70 estavam ali, muitos deles pais de moços e moças que hoje tem a idade do amigo quando foi morto. Quando passam pelo quarto dos filhos, talvez achem que ainda são meninos e meninas e lhes cobrem os pés, apagam a luz, fecham a porta. E, no entanto, com a mesma idade, foram uma força criativa, inovadora, corajosa, que abandonou todas as proteções familiares e institucionais para correr os riscos de lutar pelos tesouros mais profundos do Brasil, pelo direito de ir e vir, de pensar e falar, participar da vida nacional, escolher rumos.

Leia mais na Terra Magazine.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

ESTRADA DO GADO




Motoristas que percorreram durante o final de semana a BR-364, no trecho de Feijó a Tarauacá, tiveram que enfrentar a obstrução causada pela boiada.

Noutro trecho, entre Cruzeiro do Sul e Tarauacá, centenas de colonos se instalaram nas duas margens da BR-364. Derrubaram florestas e estão tocando fogo , embora haja proibição do Ministério Público.

Como não existe qualquer tipo de fiscalização ao longo da rodovia, o que não falta também são caminhões tranportando madeira.


LEIA A ÍNTEGRA DO DOCUMENTO

Análise da Participação da Sociedade Civil em
Espaços de Políticas Públicas do Estado do Acre


A entrevista com o agrônomo Luis Meneses sobre o "desmanche social" que a esquerda do Acre promove (leia no Blog da Amazônia) para manter poder segue tendo impacto dentro e fora do Estado.


Existe muita gente interessada em conhecer a análise sobre participação da sociedade e da governança de espaços de definição de políticas públicas do Acre, financiada pela Rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), com apoio da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e o WWF-Brasil.

São dois documentos. Para baixar o primeiro, clique em "Análise da Participacao da Sociedade Civil em Espacos de Politicas Publicas do Estado do Acre". O segundo é um resumo. Para baixá-lo, clique aqui. Quem preferir, tem a opção de clicar aqui para baixar os dois arquivos zipados.

Destaque a seguir para o comentário enviado ao blog por Marcelo Arguelles (UICN), Alberto (Dande) Tavares (WWF-Brasil) e Joci Aguiar (GTA/Regional Acre). Eles não escondem suas preocupações e um certo medo, pois jamais pretendi que meu ponto de vista seja o das organizações para as quais trabalham. Leiam:

"Caro Altino, prezamos seu blog como um importante espaço de debate, porém gostaríamos de deixar claro que suas avaliações políticas feitas a partir de um estudo técnico encomendado pela UICN, WWF-Brasil e GTA, não representam o nosso posicionamento institucional e nem o objetivo para o qual o estudo foi elaborado.

Qualquer um que ler o trabalho vai notar seu caráter técnico e propositivo, que reflete a intenção das instituições em contribuir para o debate e aprimoramento das políticas e da governança sócio-ambiental no Estado do Acre.

É bom enfatizar que o estudo é uma análise da participação da sociedade civil nestes espaços e traz em si um forte componente de auto-crítica por parte destas organizações.

Respeitamos sua leitura política, assim como respeitamos todos os posicionamentos políticos. Porém para ser justo com os leitores e permitir que cada um possa fazer a sua avaliação e construir um posicionamento a cerca do mesmo, recomendamos a todos que leiam ao menos seu resumo e a entrevista do consultor responsável na íntegra.

Por fim, observamos que há um forte movimento por parte do Governo em pensar a reestruturação da gestão sócio-ambiental no Estado. Este momento é extremamente rico e pode gerar as condições necessárias para que governo e sociedade construam novas formas de participação.

Marcelo Arguelles - UICN
Alberto (Dande) Tavares - WWF-Brasil
Joci Aguiar - GTA/Regional Acre"

QUESTÃO DE GÊNERO

domingo, 17 de agosto de 2008

CONVERSA COM JORGE VIANA

O ex-governador Jorge Viana e o repórter Leonardo Coutinho, de Veja, não se suportam, mas isso não impediu a conversa de ambos para a edição da semana:



"Desde que deixou o governo do Acre, há vinte meses, o petista Jorge Viana se divide entre a presidência do conselho da Helibras e consultorias à Aracruz Celulose e ao banco Société Générale. Político profissional, vive sua primeira experiência no setor privado

Qual é a diferença entre os setores público e privado?
Um executivo tem metas, planos, disputas e concorrências. No governo, não tem nada disso. O cara que tem mandato geralmente fica acomodado.

O senhor ficou assim?
No PT, quem mais gastou tempo com planejamento fui eu. Adotei um modelo de gestão de resultados focado na iniciativa privada.

Quem tem a vida mais dura, o político ou o executivo?
É mais difícil ser executivo que governador. Tenho trabalhado mais. As cobranças sobre os políticos estão aquém das que ocorrem nas empresas. Aqui, quem não atinge metas está fora.

O que o senhor já aprendeu?
Quando o político erra, só é cobrado no futuro. Quando um executivo erra, ele pode perder o cargo. Agora meu pescoço está à prova todo dia.

Financeiramente, compensa viver na corda bamba?
Saí do governo com dívidas. Agora pago minhas
contas e faço economia.

Seu patrimônio está crescendo?
Está, mas com uma diferença. Alguns políticos fazem mágica para ficar ricos enquanto estão em cargos públicos. Estou melhorando meu padrão no setor privado".

A HORA SOLAR EM CRUZEIRO DO SUL


Pontualemente, às 6 horas da manhã (7 horas do novo horário oficial), o Sol começa a surgir na linha do horizonte em Cruzeiro do Sul, na região mais ocidental do Brasil.

sábado, 16 de agosto de 2008

MERCADINHO DA AMIZADE


Digam o que quiserem, mas contar com a salvaguarda de Marina Silva e dos irmãos Jorge e Tião Viana durante uma campanha eleitoral faz a diferença em qualquer povoado no Acre. Eu, por exemplo, com toda a minha exuberante antipatia seria hoje um senador caso tivesse disputado no lugar do Geraldinho Mesquita ou do Sibá Machado. Ou governador em vez de Binho Marques.

Bem, após a conversa com o Tião, mencionada na atualização do post anterior, fui até a feira no mercado de Cruzeiro do Sul. E logo em seguida ele apareceu por lá, em campanha eleitoral, acompanhado dos candidatos Zinho (prefeito) e Zequinha (vice).

Presenciei eleitor reclamando ao senador pela mudança do fuso horário do Acre, mas sem negar apoio aos dois candidatos da Frente Popular.

- A disputa política no Acre não é mais ideológica. Jorge e Tião mudaram isso. Agora é o voto da "pressão" deles e da Marina Silva - comentou um observador da política.

Jorge Viana e Tião Viana sabem tanto disso que pouco dormem nesta época. Haja capital político para ser gasto em frente ao Mercadinho da Amizade.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

NOSSA SENHORA DA GLÓRIA

Mais de 10 mil católicos participaram da procissão ao final do 90º novenário da padroeira de Cruzeiro do Sul (AC), no extremo-oeste do Brasil








Sentados, na segunda fila, durante a missa celebrada por Mosé João Pontelo, bispo diocesano do Vale do Juruá: o deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), presidente da Assembléia Legislativa, o vice-governador César Messias (PP) e os petistas senador Tião Viana, governador Binho Marques e ex-governador Jorge Viana.

Em tempo: o deputado Flaviano Melo (PMDB) fez aquilo que o senador Tião Viana (PT) prometeu (leia aqui) no mês passado, mas não cumpriu: apresentou decreto legislativo na Câmara para que o Congresso Nacional aprove a realização de um referendo para que a população decida sobre a mudança do fuso horário do Acre. Agora espera-se que o senador dê apoio à proposta do deputado, para evitar que essa questão que afeta a vida de todos seja objeto de disputa política. Poupem o povo de novo aborrecimento.

Atualização 16/08/2008: Conversa boa com o senador Tião Viana durante o café sobre política e fuso horário. O senador tem a ata de uma reunião, de 17 de outubro de 2001, quando Flaviano Melo era prefeito de Rio Branco. Durante encontro da bancada federal, em Brasília, o prefeito fez consignar o apelo para que fosse solicitada ao presidente da República a mudança do fuso horário do Acre.

- Estamos num período eleitoral e não vou me envolver agora na discussão desse assunto, para evitar transformá-lo em assunto político como querem alguns - disse Tião Viana.

JOSÉ E O POÇO




Passei ontem e hoje percorrendo a BR-364, de Rio Branco a Cruzeiro do Sul. Na primeira imagem, o fundo do poço de uma cacimba com céu azul em reflexo fez lembrar de José do Egito. Na segunda, minha mãe Maria e meu tio Chico atravessam o igarapé Sacado. Elegante e bela, essa sexagenária sempre manteve a magia de ser mais jovem que o filho. Daqui a pouco começa a procissão do novenário de Nossa Senhora da Glória.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

GOVERNO E SOCIEDADE

Esquerda faz "desmanche social" para manter poder


Uma realidade bem diferente da imagem politicamente correta que se conhece do Acre, dominado por três governos consecutivos do PT de Chico Mendes, Marina Silva e dos irmãos Jorge e Tião Viana, começa a emergir formalmente de uma análise sobre participação da sociedade e da governança de espaços de definição de políticas públicas do Estado.

Financiado pelas organizações Rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), com apoio da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e o WWF-Brasil, o estudo foi conduzido pelo agrônomo Luis Meneses, 39, ex-coordenador do Programa Amazônia do WWF, que atualmente é consultor em governança institucional e gestão de programas ambientais.

A análise, suficientemente ácida para ferir o brio do “governo da floresta”, expõe o desmanche social promovido pelos partidos de esquerda, sobretudo o PT, para tentar se perpetuar no poder político do Acre. Expõe da mesma maneira a relação incestuosa à qual se submeteram diversas lideranças do movimento social.

Segundo a análise, as organizações de base reconhecem que o crescimento político do movimento de esquerda no Acre fez aumentar a ingerência de políticos junto ao movimento sindical. A situação tem reforçado um paternalismo onde sindicatos sentem-se subordinados ao governo e aos políticos e não podem se manifestar contra nada em função do estabelecimento de convênios e outros benefícios próprios de quem controla os cofres públicos.

No final dos anos 80, sendo a maior expressão do movimento social acreano, Chico Mendes forçou o Banco Mundial a financiar um plano de mitigação dos impactos socioambientais decorrentes do asfaltamento do trecho da BR-364 entre Porto Velho (RO) e Rio Branco. Atualmente, seus antigos aliados constroem rodovias sem respeito às leis ambientais e defendem ou calam diante dos impactos gerados por diversas obras de infraestrutura na região.

O “governo da floresta”, que começou em 1999 com o engenheiro florestal Jorge Viana, poderá ter continuidade com o senador Tião Viana, a partir de 2011, como “governo do petróleo”. Existem até pretensos ambientalistas que aderiram à atividade agropecuária que tanto criticavam e se tornaram destacados articuladores e defensores do plantio de cana-de-açuçar para produção de etanol na região.

O marasmo do movimento social é crescente, não existe mais articulação, e isso resulta no arrefecimento do papel contestador e aguerrido dos anos 70 e 80, quando foi capaz de impulsionar uma ruptura na política local com a eleição de lideranças que hoje são respeitadas dentro e fora do país. Além disso, a cultura do cargo público comissionado tem enfraquecido a atuação do movimento e gerado confusão de papéis na interlocução com a sociedade.

- Isso é constatado pelas organizações entrevistadas e também foi observado em relação à ascensão do PT ao Governo Federal. Esses quadros, que representam as melhores cabeças do movimento, quando no governo, tendem a compreender que participação das organizações do movimento podem ser substituídas pelo histórico pessoal e político dessas pessoas - afirma Meneses.

Na semana passada, ao tomar conhecimento da existência da análise, o governador do Acre, Binho Marques (PT), conversou rapidamente com Luis Meneses e manifestou intenção de instituir no Estado um mecanismo de certificação de organizações não-governamentais.

Leia a entrevista com Luis Meneses no Blog da Amazônia.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

ALFONSO DOMINGO

Biógrafo de Luis Galvez identifica
sua obra em minissérie da TV Globo



O jornalista, diretor de documentários e escritor espanhol Alfonso Domingo, 53, é autor da novela "La Estrella Solitaria" (Algaida Literaria, 448 páginas), que revelou ao país dele a aventura de seu compatriota Luis Galvez Rodrigues de Arias, o aventureiro que proclamou, em 14 de julho de 1899, o Estado Independente do Acre e pediu o reconhecimento das nações

Ou, conforme escreveu Javier Macua na apresentação do livro, em 2003, Domingo revela "a história de uma bala perdida que desenhou um país no meio da selva e um homem politicamente incorreto para seu tempo”.

Galvez é retratado por Domingo como um personagem real que organizou ministérios, criou escolas, hospitais, um exército, corpo de bombeiros . Ele concebeu um país moderno para a época, com preocupações sociais, ambientais e urbanísticas. Foi juiz, emitiu selos de correios, sendo um deles entre os mais cobiçados pelos filatelistas, além de ter idealizado a atual bandeira do Acre - uma estrela vermelha solitária destacando-se no verde e amarelo da insígnia brasileira.

Galvez chegou a proibir no Acre o casamento com jovens menores de dezesseis anos, que era costume numa região onde a companhia feminina era privilégio de poucos. O país Acre, que surgiu cercado pela floresta exuberante, no barranco do rio, era habitado por 13 mil almas.

Galvez era jornalista, espadachim e mulherengo. Nasceu em 1864 e trocou Cádiz por Buenos Aires. Passou pelo Rio de Janeiro e Manaus, onde dirigiu um cabaré no apogeu da exploração da borracha. No Amazonas, conheceu Guillermo Uhtoff e ambos decidiram fundar o Estado Independente do Acre.

Quando o Acre ainda era possessão da Bolívia, Galvez trabalhava como jornalista no Amazonas e denunciou a existência do Bolivian Syndicate - um acordo secreto entre o país boliviano e os Estados Unidos, que cobiçavam a valiosa exploração de látex.

- O retrato de Galvez que surgiu era o de um homem capaz, com grandes idéias, um homem que queria e podia levantar um país. Sua epopéia me parece maravilhosa, porque, ademais, não tirou um único rendimento econômico, ao contrário, quase se arruinou. Era uma espécie de Lord Jim reivindicando seu nome. Uma grande figura - disse o escritor com exclusividade ao Blog da Amazônia.

O Estado Independente durou apenas nove meses e Galvez acabou expulso do Acre. Regressou para a Espanha. Enfermo e sozinho, morreu em Madrid, em 1935. Antes, porém, em 1902, numa entrevista ao Diário de Buenos Aires, Galvez deixou uma previsão como testamento político:

- Os ianques têm uma mão sobre o coração da América do Sul. Porém não se vê. E quando se vê será tarde: o polvo haverá multiplicado seus tentáculos e poderá dar impunemente a pressão que lhe convier às suas insaciáveis e enormes conveniências.

Domingo conheceu melhor a aventura de Galvez ao percorrer o Acre, em 1992, para realizar o documentário Acre, la Amazonía olvidada" sobre a terra de Chico Mendes. Passou cinco anos pesquisando a vida do compatriota, inclusive o arquivo - apenas dois caixões - que está em Pernambuco. Não existem mais parentes de Galvez na Espanha, mas de Uhtoff, sim. E o escritor não esconde a afeição por esse personagem, segundo ele, o Sancho Pança da história, o que estava por trás do primeiro estadista do Acre e autor dos desenhos dos selos do Estado Independente, os primeiros de um país.

- Um personagem fascinante, pícaro, aventureiro e que colecionava borboletas. Há família sua em Cádiz e existem fotos dele, um personagem que dilapidou sua fortuna familiar. Ele sim, esteve no corpo diplomático espanhol – o demitiram por dívidas de jogo em Viena - e dali saiu a lenda do Galvez diplomático - acrescenta Domingo.

"La Estrella Solitaria", publicado há cinco anos, serviu para a novelista Glória Perez, da Rede Globo, compor um personagem mais real na minissérie "Amazônia - De Galvez a Chico Mendes", onde o aventureiro espanhol apareceu com sua amante Maria Alonso, dançarina da Companhia Zarzuela, com quem viajou para o Acre. Domingo não viu a minissérie na íntegra, mas disse ter ficado surpreso com a presença de Maria Alonso, uma personagem que afirma ser ficcional em sua obra.

- Só pude ver pela internet algumas cenas e vejo que, efetivamente, é minha Maria Alonso. O que posso fazer? Em princípio, certificar-me de que isso é assim, vendo a totalidade dos capítulos da série do Acre, e logo depois demonstrar que esse personagem é invenção minha. Não quero processar nem meter-me em pleitos jurídicos, mas gostaria que o meu livro fosse publicado no Brasil para que todos pudessem ver de onde se originou.

"La Estrella Solitaria", recebeu o Prêmio Ciudad de Salamanca. Foi editado por Algaida, que tem os direitos durante uma série de anos.

- São eles os que, em qualquer caso, deveriam empreender ações judiciais se as acreditam oportunas e com o meu consentimento - assinala o escritor.

Porém, a novelista Glória Perez o contesta e pediu à reportagem o endereço eletrônico de Domingo para contatá-lo e enviar os DVDs da minissérie.

- Consultei o Alfonso Domingo para saber se Maria Alonso era personagem histórico, para poder manter o nome. Era. Por isso mantive. Mudei o caráter dela. O certo é que o trabalho do Alfonso foi fundamental para que eu pudesse traçar um Galvez mais perto do real, uma vez que ninguém nesse país pesquisou sobre ele. Nunca escondi isso. Falei exaustivamente dele em todas as entrevistas. O livro está citado nos créditos da minissérie e não foi por falta de sugestão minha que não o lançaram no Brasil. Muitas vezes declarei o quanto seria importante para o Acre que se fizesse esse lançamento - afirma a novelista acreana.

E Galvez segue exercendo seu fascínio sobre os acreanos. Em breve, quando o prédio da Assembléia Legislativa do Acre for reaberto, após as obras de uma reforma, o público encontrará uma estátua de Galvez na entrada, assinada artista Christina Motta, a mesma que fez a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana (RJ), e do poeta Juvenal Antunes, em Rio Branco (AC), que é um outro ícone dos aventureiros que povoaram a região acreana.

- Galvez foi o primeiro legislador do Acre - argumenta o deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), presidente do Legislativo.

De Madri, onde reside, o escritor Alfonso Domingo conversou com o Blog da Amazônia. Clique aqui para ler a entrevista e a reação da novelista Glória Perez.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

CUIDADO, ELEITOR

Santinho do Chico Doido

LORONIX

Dica das boas, do antropólogo americano Matthew Meyer:

"Ei Altino,

Saudações da Virgínia. Lembrei de você quando descobri o site Loronix. Cheio de música importante.

Abraço".

Vale a pena conferir também o Som Barato.

JOÃO DONATO E ZECA PAGODINHO



O novo CD de João Donato tem participação de Zeca Pagodinho. Parafraseando o compositor acreano, pode-se dizer que a parceria é uma questão de “tucaticatuca”.


- Tô correndo agora porque, em dezembro, vou passar pelo menos 15 dias de papo pro ar, no Acre - disse Donato.

Leia mais sobre o encontro inusitado de Donato e Zeca, no Blog da Amazônia.

TAMBORES DE BEIJING

Marina Silva

O que dizem os tambores maravilhosos de Beijing, além do anúncio quadrienal do início da multicompetição que, mais do que qualquer outra, remete ao passado remoto da humanidade e a seus ideais de beleza, perfeição e força?

Eles nos dizem que nossas raízes ressignificadas em alta tecnologia trazem uma espécie de som rouco da história, de sentimento de continuidade, de que as coisas sempre estarão presentes no mundo, de forma renascida.

Sentados no sofá da sala, magnetizados pelo espetáculo ininterrupto de Beijing, nos sentimos herdeiros atávicos da Grécia antiga. Pulsa nos jogos olímpicos a memória melancólica de um todo chamado humanidade, como se um cristal tivesse se partido em algum momento em milhares de pedaços e, de tempos em tempos, os cacos se juntam e formam figuras perfeitas, lindas, coloridas, caleidoscópicas. E sempre nos reconhecemos nelas.

Por outro lado, sabemos que as olimpíadas não são apenas isso. São também um mega-evento internacional de oportunidades de negócio, desde o plano individual dos atletas, com seus esquemas de patrocínio, até o da geopolítica, das guerras sublimadas no quadro de medalhas, da tensão competitiva que produz tantos efeitos anti-olímpicos, dos quais o uso de substâncias proibidas é só a face mais triste.

E, mesmo assim, ainda são uma síntese fascinante, cheia de sentidos que desvendam o que somos, embalados pelos tambores, pelos corpos perfeitos, flexíveis, potentes e sincrônicos, pela arquitetura arrojada, pela harmonia apolínea de nossos heróis olímpicos, nos quais nos projetamos pela torcida e pela admiração.

Joseph Campbell, estudioso da mitologia universal, em seu livro "O herói de mil faces", diz que "o herói é o homem da submissão autoconquistada". É aquele que se obriga a poder quase nada, a renunciar a tudo para alcançar um único momento, mas que se faça eterno. Só ele saberá o quanto lhe custou. Para todos os demais, serão alguns segundos de encantamento, de leveza, de algo que pode parecer até sobrenatural.

Nas olimpíadas, os heróis e heroínas são os guerreiros e guerreiras de uma guerra às avessas. Enquanto para os confrontos mortais, como o que acontece entre a Rússia e a Geórgia, leva-se o pior do pior - as ferramentas de eliminar a vida -, nas olimpíadas quer-se provar que a humanidade é melhor do que parece ser e que somos feitos para coisas belas, plenas; que estamos sempre superando limites e nos completando em nossa enorme diversidade.

Talvez sem nos darmos conta, muitas vezes nos esquecemos de que há ali uma competição e simplesmente admiramos e nos emocionamos com a arte e a beleza encarnadas no esporte, seja de que país for. Deixamos de lado a lógica da nacionalidade e assumimos apenas o lugar da nossa condição humana. É a humanidade que está no palco das olimpíadas, com suas misérias e também com sua grandeza diante das dificuldades.

Nenhuma outra cidade seria tão apropriada para simbolizar a riqueza de sentimentos contraditórios que uma olimpíada moderna pode nos trazer. Beijing, com seu céu poluído e sua fúria desenvolvimentista, tem o papel de cérebro de uma China que é hoje o maior enigma global. Guarda ancestralidades tão marcantes e quer ser, a um só tempo, a vanguarda tecnológica, a fábrica do mundo e ter sob controle todas as variáveis sociais.

É do meio ambiente, antes do que da política, que parte o sinal de alarme. De todos os fatores que a China tentou planejar para ficar bem na foto das olimpíadas, só o ambiental mostrou-se incontrolável.

O recado é claro e vale para os anfitriões chineses e para as visitas, especialmente para os chefes de estado que por lá estiveram: precisamos, de nossos ancestrais, não somente da magia tribal dos tambores e da universalidade olímpica. Precisamos da mesma natureza que nos legaram e que estamos tratando tão mal.

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre, ex-ministra do Meio Ambiente e colunista da Terra Magazine.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

HINO DE XAPURI

Letra: Fernando de Castela
Música: José Lázaro Monteiro Nunes

Página viva da história acreana
Recebe o nosso afeto e gratidão
Reverente o teu povo se irmana
Neste hino que é hino e oração

Terra formosa, terra gentil
És Princesa do Acre
Glória dos acreanos (refrão)
Orgulho do Brasil

Teus bravos filhos, afoitos e pioneiros
Deste amado e glorioso rincão
Xapuris que se armaram guerreiros
Neste berço de revolução

Que o exemplo de tanta afoiteza
De indomável coragem e ardor
Seja aos novos lição de grandeza
E esperança de paz e de amor

Xapuri nosso berço e agasalho
Nós herdeiros de herança viril
No teu chão plantaremos trabalho
Para a glória do nosso Brasil

Ser blogueiro é padecer no paraíso. Os pedidos variam de emprego a casamento. O último, na semana passada, foi de uma estudante que necessitava obter a cópia do Hino de Xapuri para uma tarefa escolar. Como não havia nada na web, telefonei tarde da noite para o Raimari Cardoso, do blog Xapuri Agora. Xapuriense, Raimari apenas confirmou a existência do hino e prometeu enviá-lo no dia seguinte. Obteve a letra com uma terceira pessoa e a enviou hoje. A estudante deve ter tirado nota zero no trabalho após a longa espera. Mas, a partir de agora, quando alguém pesquisar no Google por "Hino de Xapuri", vai encontrar este post. Outra longa história foi obter o significado de Xapuri. Brinquei com Raimari por causa dos versos "Xapuri nosso berço e agasalho/ Nós herdeiros de herança viril".

- Pega leve conosco. Já basta a história da caxinguba - implorou.

Caxinguba (veja) é a fruta que veado mais aprecia na floresta. Como Xapuri é considerada a Pelotas (RS) do Acre, dizem que lá é a terra da caxinguba. Inveja do povo da capital, claro.

PROCURADOR QUER "FOGO ZERO"


No mês passado, o procurador da República Anselmo Cordeiro, 27, protagonizou um feito inédito do Ministério Público Federal (MPF) no Acre: acompanhado de fiscais do Ibama e agentes da Polícia Federal, comandou uma operação destinada a conscientizar fazendeiros e trabalhadores rurais no interior do Acre sobre os riscos e as conseqüências legais decorrentes de queimadas na região.

Ele visitou propriedades na estrada AC-90 e na BR-317, nos municípios de Capixaba, Brasiléia, Epitaciolândia e Assis Brasil, bem como na BR-364, no trecho entre Bujari, Sena Madureira e Manuel Urbano. Foi bem recebido por todos, mas deu o recado de que está disposto a enfrentar com rigor os responsáveis por queimadas de pastagens e florestas no Acre durante a estação seca da Amazônia, que ocorre de junho a setembro.

Cordeiro nasceu em Ribeirão Preto (SP), formou-se em direito pela Universidade de São Paulo e ingressou no MPF há um ano. Ao prestar concurso público, escolheu o Acre para trabalhar. Antes disso, exerceu cargo de procurador da Fazenda Nacional, em Brasília.

O Procurador Regional dos Direitos do Cidadão surpreende pela sua juventude diante de tão alto posto do poder público e, principalmente, pelo compromisso demonstrado desde que chegou ao Estado. Teve atuação destacada, por exemplo, na recente proibição de desmate e queima no Acre no período de 70 dias.

Leia a entrevista no Blog da Amazônia.

domingo, 10 de agosto de 2008

QUEM PODE, PODE

Quem não pode se sacode

Se a Aldeia é "TV pública de alma acreana", por que essa aparente fogueira das vaidades? Até parece que os apresentadores da emissora querem ficar mais famosos que a Beth News ou Washington Aquino, ex-diretor da Rádio Difusora Acreana. Ao ser demitido, Aquino disse ser mais conhecido no Acre que o governador Binho Marques. A campanha da TV Aldeia é acintosamente brega. Não existe algo relevante para investir o dinheiro do contribuinte?



Jorge Henrique, secretário de Comunicação do Governo do Acre e âncora do telejornal Notícias da Aldeia.


Tainá Pires, apresentadora do Jornal do Meio Dia.


Mariana Dantas, apresentadora do Jornal da Manhã.

sábado, 9 de agosto de 2008

MAZINHO E NHONHO


Colaboração de Adaildo Neto.

TOURO DOMADO


Olhe be
m para o homem da foto. Tem ou não tem cara de touro brabo? É o deputado Mazinho Serafim, que já agrediu, entre outros, a dois assessores do governador Binho Marques e por causa disso foi expulso do PT.

Durante a semana, o valentão foi surrado por um secretário da prefeitura de Sena Madureira. A sova foi tão humilhante que Serafim pediu proteção de vida ao presidente da Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães.



- Me sinto ameaçado por defender interesse do serviço público, pois foi pra isso que fui eleito - alega o ex-valentão, que agora circula com a salvaguarda de policiais militares.

Imagens do AC 24 Horas.